A brasileira Bruna Ferreira, detida pelo serviço de imigração dos Estados Unidos desde novembro, recebeu autorização para deixar a custódia mediante fiança. A decisão foi tomada nesta segunda-feira (8) por uma juíza de imigração e, segundo sua defesa, a libertação deve ocorrer nas próximas horas.
A informação foi inicialmente divulgada pelo Washington Post e confirmada à CNN Brasil pelo advogado da brasileira, Todd Pomerleau.
De acordo com ele, a magistrada fixou o valor da fiança no patamar mínimo permitido, US$ 1.500, após a defesa argumentar que Bruna não oferecia risco à comunidade nem à investigação. “Ela será liberada em breve”, declarou o advogado, reforçando que a classificação feita pelo Departamento de Segurança Interna (DHS), que a apresentou publicamente como uma “imigrante ilegal criminosa”, é infundada.
Pomerleau explicou ainda que a saída da brasileira depende apenas de procedimentos internos do ICE, que precisa registrar o pagamento da fiança no sistema. “É possível que o processo só se conclua amanhã”, afirmou.
O caso ganhou repercussão nos Estados Unidos e no Brasil por envolver familiares da porta-voz do presidente Donald Trump, Karoline Leavitt, ex-cunhada de Bruna e madrinha do filho dela. Segundo o advogado, a juíza Cynthia Goodman entendeu que não havia justificativa para uma fiança mais alta e determinou sua soltura imediata mediante o valor mínimo previsto em lei. “Esperamos que ela esteja com a família até amanhã”, disse.
O Washington Post relatou que o representante do governo Trump na audiência não contestou a liberação, reconhecendo que a brasileira não representava ameaça nem risco de fuga.
Bruna está detida desde 12 de novembro, quando foi interceptada enquanto dirigia para buscar o filho na escola. Ela permanece no Centro de Processamento do ICE em Basile, no sul da Louisiana. Vivendo nos Estados Unidos há quase três décadas, a brasileira divide a guarda do filho de 11 anos com o ex-noivo, Michael Leavitt, irmão da atual secretária de Imprensa da Casa Branca.
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As autoridades afirmam que ela excedeu seu período de permanência legal em 1999 e mencionaram uma suposta prisão por agressão, alegação que Pomerleau nega. “Bruna não tem antecedentes criminais”, reiterou.
A decisão judicial ocorre um dia depois de Bruna ter concedido entrevista ao Washington Post, na qual rebateu a narrativa do governo Trump, que a caracterizou como mãe ausente e pessoa perigosa.
Ela contou ao jornal que desde 2015 trava uma disputa judicial pela guarda do filho, marcada por trocas de acusações entre ela e o ex-parceiro. Em 2021, ambos chegaram a um acordo segundo o qual o menino viveria com o pai em New Hampshire, passando os fins de semana com a mãe.
Na conversa com o jornal americano, Bruna também comentou a relação com Karoline Leavitt, de quem já foi muito próxima ao ponto de convidá-la para ser madrinha da criança. “Cometi um erro ao confiar nela”, declarou.
A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, mostra imagens do novo Salão de Baile de Estado da Casa Branca, que o presidente Donald Trump planeja construir a partir de setembro.
Michael Leavitt, por sua vez, negou ao Washington Post qualquer participação na detenção de Bruna. Disse que não acionou autoridades nem interferiu no processo. Segundo o jornal, Bruna alega que, recentemente, ele e o pai teriam sugerido que ela se “autodeportasse” e tentasse retornar de maneira legal, o que, pela legislação, a impediria de reentrar no país por dez anos.
Segundo o advogado, Bruna também tramitava em paralelo em um processo para obter o green card quando foi detida.
Bruna chegou aos EUA ainda criança como uma ‘dreamer’, termo usado para jovens que tentam proteção pelo DACA (Ação Diferida para Chegadas na Infância), programa que suspende temporariamente deportações. Segundo o advogado, ela não conseguiu renovar o benefício porque o programa ficou “anos travado em litígios na Suprema Corte”, situação semelhante à de milhares de outros jovens.
O programa foi alvo de tentativa de encerramento por Donald Trump durante seu primeiro mandato, mas a Justiça bloqueou a iniciativa. O governo atual contesta a proteção legal dos dreamers. “O DACA não confere qualquer tipo de status legal neste país”, disse, recentemente, a secretária-adjunta de Segurança Interna, Tricia McLaughlin.
*Com CNN