‘Aliança Atlântica': Otan e Dinamarca anunciam reforço da segurança no Ártico

Medida é motivada pelas ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em controlar a Groenlândia

Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, Primeira-minsitra da Dinamarca, Mette Frederiksen, e Secretário-geral da Otan, Mark Rutte

O secretário-geral da Otan, Mark Rutte, e a primeira-minsitra da Dinamarca, Mette Frederiksen, anunciaram, nesta sexta-feira (23), que a Aliança Atlântica deve reforçar a segurança no Ártico. A medida acontece após a mudança de posição do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que voltou a ameaçar tomar a Groenlândia pela força.

“Concordamos que a Otan deve aumentar seu compromisso no Ártico. Defesa e segurança no Ártico são uma questão de preocupação para toda a aliança”, escreveu Frederiksen em comunicado à imprensa, após de reunir com Rutte em Bruxelas, na Bélgica.

As ameaças de Trump em relação a ilha - um território autônomo dinamarquês - tensionaram as relações entre a Europa e Washington nas últimas semanas. O republicou recuou na última quarta-feira (21), quando indicou ter chegado a um “marco” sobre a Groenlândia.

A Dinamarca prometeu aumentar a presença militar no território desde o início de janeiro, em resposta às ameaças de Donald Trump, que afirma estar preocupado com o desejo da China e da Rússia de controlar o território.

Tropas dinamarquesas na Groenlândia receberam ordens para estarem prontas para combate em caso de um ataque dos Estados Unidos, segundo a emissora pública do país nórdico DR.

Negociações entre os países

O ministro das Relações Exteriores da Dinamarca, Lars Løkke Rasmussen, afirmou que as discussões entre o país nórdico, a Groenlândia e os EUA começariam “muito em breve.”

“Organizaremos essas reuniões muito em breve. Não anunciaremos as datas, pois precisamos acalmar os ânimos agora”, disse Løkke em Copenhague.

As conversas em Washington vão se concentar em “segurança, segurança e mais segurança”, afirmou o ministro dinamarquês.

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Uma fonte próxima às negociações entre Trump e Rutte afirmou que os Estados Unidos e a Dinamarca, ambos membros da Otan, irão renegociar o acordo de defesa de 1951 sobre a Groenlândia.

O acordo de 1951, atualizado em 2004, concede a Washington a possibilidade de reforçar a mobilização militar estadunidense, desde que autoridades dinamarquesas e groenlandesas sejam informadas previamente.

Essa medida poderia permitir que Washington amplie a presença militar norte-americana no território, incluindo o sistema de defesa antimíssil “Domo de Ouro.”

Trump anunciou um acordo preliminar entre os Estados Unidos e a Otan nessa quarta-feira (21). Na ocasião ele destacou que o tratado inclui duas partes: a defesa antimíssil e os direitos sobre minerais de terras raras no território.

Por outro lado, primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, afirmou desconhecer o acordo anunciado pelo estadunidense.

* Com informações da AFP.

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Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.

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