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No século XIX, o então secretário de Estado William H. Seward tentou
Mas, para além das disputas geopolíticas, a Groenlândia guarda uma realidade complexa e impressionante. Esse outro lado do território foi mostrado em um episódio do CNN Viagem & Gastronomia, apresentado pela jornalista Daniela Filomeno, exibido originalmente em abril de 2023.
Logo no início da viagem, Daniela resume o espírito da expedição:
A jornada começa em Reykjavík, capital da Islândia, ponto de apoio para quem segue rumo à Groenlândia. A partir dali, a equipe embarca em um navio de expedição preparado para enfrentar um dos ambientes mais extremos do planeta.
No inverno, as temperaturas podem cair para –20 °C ou menos em várias regiões, com registros ainda mais baixos no interior da ilha. Já no verão, especialmente nas áreas costeiras e em Nuuk, os termômetros costumam variar entre 5 °C e 10 °C, podendo chegar a 15 °C em dias mais quentes
Gelo, fiordes e protocolos de segurança
Costa sudeste da Groenlândia
Cerca de 80% do território da Groenlândia é coberto por gelo, cenário que impressiona pela grandiosidade. Caminhadas sobre a calota glacial, sobrevoos e passeios por fiordes fazem parte da programação, sempre acompanhados por protocolos rigorosos de segurança.
“O barulho que a gente escuta não é neve. É gelo. É uma calota de geleira”, relata Daniela ao caminhar sobre o manto congelado. Durante a expedição, especialistas em clima e biodiversidade explicam como o degelo acelerado da região impacta diretamente o nível do mar e as correntes marítimas globais.
O diferencial da viagem está no caráter educativo. A expedição reúne guias e pesquisadores que contextualizam cada paisagem observada. Cachoeiras formadas fora de época, geleiras encolhendo ano após ano e o silêncio interrompido pelo som do gelo se partindo fazem parte do percurso.
“É um turismo de aventura, mas também de aprendizado e educação ambiental”, resume Daniela, que afirma não tem como passar pelo destino sem repensar o nosso impacto no planeta.
A Groenlândia tem pouco mais de 57 mil habitantes. Cerca de 30% vivem em Nuuk, a maior cidade da ilha, com aproximadamente 17,6 mil moradores. O restante da população se distribui em vilas ao longo do litoral, muitas delas acessíveis apenas por barco ou avião.
A maioria dos residentes da
Comunidades isoladas e modos de vida
A Igreja Hvalsey
Além da natureza extrema, a Groenlândia também guarda registros históricos. O episódio visita ruínas vikings e um sítio reconhecido como Patrimônio Mundial pela Unesco, onde está localizada a Igreja de Hvalsey, a com mais de mil anos resiste em meio a um antigo assentamento medieval. O último registro de uso do local data de 1408, quando um casamento foi celebrado ali.
Casas em Qaanaaq principal cidade na parte norte do município de Avannaata , noroeste da Groenlândia
A expedição também passa por pequenas comunidades locais, algumas com menos de cem habitantes. A subsistência depende principalmente da pesca e da caça, atividades regulamentadas pelo governo. Momentos de convivência, como um jogo de futebol improvisado ao som de um morador tocando sanfona, revelam um cotidiano simples.
Daniela relata o desconforto ao ouvir sobre a caça de ursos polares, mas pondera:
Beleza natural e impacto ambiental
Geleira em Fonfjord, no Parque Nacional do Nordeste da Groenlândia
Entre as atividades, a equipe encara passeios de caiaque entre icebergs, caminhadas fotográficas e longos períodos de observação silenciosa da paisagem. Mesmo com a estrutura confortável do navio, a proposta é passar o máximo de tempo possível fora dele.
“A beleza é absurda, mas o impacto ambiental está ali o tempo todo”, reforça Daniela. Dados apresentados no episódio indicam que, na última década, cerca de 3,5 trilhões de toneladas de gelo derreteram na região, volume que seria suficiente para cobrir todo o território do Brasil com uma lâmina de água de quase 40 centímetros de altura.