Groenlândia: conheça as belezas naturais da ilha que pode ser anexada pelos EUA
Território autônomo ligado à Dinamarca e estratégico tanto do ponto de vista militar quanto ambiental; para além disso, o território guarda ruínas vikings e uma realidade complexa e impressionante

As recentes movimentações dos Estados Unidos reacenderam o debate internacional sobre a Groenlândia, território autônomo ligado à Dinamarca e estratégico tanto do ponto de vista militar quanto ambiental. Localizada no Ártico, a ilha voltou ao centro das atenções globais após declarações e articulações políticas que levantaram, mais uma vez, a possibilidade de anexação pelos norte-americanos.
No século XIX, o então secretário de Estado William H. Seward tentou comprar a Groenlândia e a Islândia da Dinamarca, após a compra do Alasca dos russos, em 1867.
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Mas, para além das disputas geopolíticas, a Groenlândia guarda uma realidade complexa e impressionante. Esse outro lado do território foi mostrado em um episódio do CNN Viagem & Gastronomia, apresentado pela jornalista Daniela Filomeno, exibido originalmente em abril de 2023.
Logo no início da viagem, Daniela resume o espírito da expedição:
Esse misto da expedição, do cultural com o ecológico, da paisagem com a aventura, fez com que essa viagem fosse muito especial
No inverno, as temperaturas podem cair para –20 °C ou menos em várias regiões, com registros ainda mais baixos no interior da ilha. Já no verão, especialmente nas áreas costeiras e em Nuuk, os termômetros costumam variar entre 5 °C e 10 °C, podendo chegar a 15 °C em dias mais quentes
Gelo, fiordes e protocolos de segurança
The original uploader was Ringomassa at English Wikipedia., CC BY-SA 3.0, via Wikimedia Commons">Cerca de 80% do território da Groenlândia é coberto por gelo, cenário que impressiona pela grandiosidade. Caminhadas sobre a calota glacial, sobrevoos e passeios por fiordes fazem parte da programação, sempre acompanhados por protocolos rigorosos de segurança.
“O barulho que a gente escuta não é neve. É gelo. É uma calota de geleira”, relata Daniela ao caminhar sobre o manto congelado. Durante a expedição, especialistas em clima e biodiversidade explicam como o degelo acelerado da região impacta diretamente o nível do mar e as correntes marítimas globais.
“É quase um soco no estômago, no sentido de parar para pensar o que está acontecendo no nosso planeta”, afirma a jornalista.
“É um turismo de aventura, mas também de aprendizado e educação ambiental”, resume Daniela, que afirma não tem como passar pelo destino sem repensar o nosso impacto no planeta.
A Groenlândia tem pouco mais de 57 mil habitantes. Cerca de 30% vivem em Nuuk, a maior cidade da ilha, com aproximadamente 17,6 mil moradores. O restante da população se distribui em vilas ao longo do litoral, muitas delas acessíveis apenas por barco ou avião.
A maioria dos residentes da Groenlândia é inuíte, e o país tem a menor densidade populacional do mundo. Em Minas Gerais, uma cidade com população bem próxima à da Groenlândia é Pirapora. Mas, para efeito de comparação, o território da ilha (2,1 milhões de km²) é maior que qualquer estado brasileiro. Nem mesmo o Amazonas, o maior estado do país em extensão (1,56 milhão de km²), alcança sua dimensão.
Comunidades isoladas e modos de vida
Número 57 na Wikipédia em inglês , CC0, via Wikimedia Commons">Além da natureza extrema, a Groenlândia também guarda registros históricos. O episódio visita ruínas vikings e um sítio reconhecido como Patrimônio Mundial pela Unesco, onde está localizada a Igreja de Hvalsey, a com mais de mil anos resiste em meio a um antigo assentamento medieval. O último registro de uso do local data de 1408, quando um casamento foi celebrado ali.
Helene Brochmann , CC BY-SA 4.0 , via Wikimedia Commons">A expedição também passa por pequenas comunidades locais, algumas com menos de cem habitantes. A subsistência depende principalmente da pesca e da caça, atividades regulamentadas pelo governo. Momentos de convivência, como um jogo de futebol improvisado ao som de um morador tocando sanfona, revelam um cotidiano simples.
Daniela relata o desconforto ao ouvir sobre a caça de ursos polares, mas pondera:
“É muito fácil se incomodar e voltar para casa, onde tem mercado na esquina e entrega em uma hora. Aqui, essas comunidades ficam meses isoladas, sem acesso, sem locomoção”, afirma.
Beleza natural e impacto ambiental
Rita Willaert from 9890 Gavere, Belgium, CC BY 2.0, via Wikimedia Commons">Entre as atividades, a equipe encara passeios de caiaque entre icebergs, caminhadas fotográficas e longos períodos de observação silenciosa da paisagem. Mesmo com a estrutura confortável do navio, a proposta é passar o máximo de tempo possível fora dele.
“A beleza é absurda, mas o impacto ambiental está ali o tempo todo”, reforça Daniela. Dados apresentados no episódio indicam que, na última década, cerca de 3,5 trilhões de toneladas de gelo derreteram na região, volume que seria suficiente para cobrir todo o território do Brasil com uma lâmina de água de quase 40 centímetros de altura.
Jornalista graduada na PUC Minas. Trabalhou como repórter do caderno Gerais do jornal Estado de Minas. Na Itatiaia, produziu inicialmente conteúdos para as editorias Minas Gerais, Brasil e Mundo. Atualmente, colabora com as editorias Turismo e Emprego e Concursos.



