A escalada do
Segundo a agência France Presse, ações de companhias ligadas à aviação e ao turismo foram algumas das mais afetadas nos mercados financeiros após o início da guerra. O preço do petróleo chegou a subir cerca de 13%, ultrapassando US$ 82 por barril — o maior valor desde janeiro de 2025. Parte dessa pressão está ligada ao risco de impactos no Estreito de Ormuz, região estratégica por onde passa cerca de 20% do petróleo consumido no mundo.
Para as companhias aéreas, o combustível, que em 2025 ajudou a aliviar os custos operacionais devido a preços mais baixos, voltou a se tornar uma preocupação central. Outro efeito imediato do conflito é o bloqueio de destinos no Oriente Médio, incluindo importantes hubs internacionais, como Dubai e Doha.
Embora as empresas brasileiras não operem rotas diretas que sobrevoem a região, a interrupção dessas conexões afeta o fluxo global de passageiros e a dinâmica do turismo internacional.
O tema foi discutido durante o Fórum PANROTAS 2026, em painel que reuniu os CEOs das três maiores companhias aéreas do Brasil: Celso Ferrer (Gol), Jerome Cadier (Latam Brasil) e John Rodgerson (Azul). A conversa foi mediada pelo jornalista William Waack, da CNN.
Combustível mais caro preocupa companhias
John Rodgerson afirmou que crises geopolíticas costumam impactar diretamente o setor aéreo e que as empresas precisam manter planejamento para lidar com situações inesperadas. Segundo ele, a alta do combustível já é perceptível e pode levar a ajustes nos preços das passagens.
O executivo acrescentou que a indústria precisa estar preparada para eventos imprevisíveis, lembrando crises recentes como a pandemia de covid-19, a variante Ômicron e interrupções operacionais, como o fechamento do aeroporto de Porto Alegre após enchentes.
Latam já enfrenta impactos indiretos
Jerome Cadier afirmou que a Latam já enfrenta efeitos indiretos da guerra. Segundo ele, a companhia lida com milhares de passageiros que compraram passagens de companhias parceiras por meio do site da empresa e agora enfrentam dificuldades para retornar de destinos afetados.
O executivo destacou ainda que o conflito provocou aumento imediato no preço do combustível e do dólar, o que pressiona os custos das empresas.
Incertezas sobre duração do conflito
Para Celso Ferrer, da Gol, ainda existe risco de uma escalada regional mais ampla do conflito e muitas incertezas sobre a reação de países envolvidos.
O executivo destacou que, mesmo distante do Oriente Médio, o Brasil não está imune aos efeitos de crises internacionais. Ele lembrou episódios envolvendo a Venezuela que já obrigaram a companhia a discutir mudanças de rotas, cancelamentos e riscos operacionais ao sobrevoar determinados territórios.
Apesar das tensões geopolíticas, Ferrer disse que ainda não percebe impacto significativo na demanda por viagens entre Brasil e Estados Unidos. Segundo ele, o mercado internacional segue aquecido, embora sob atenção das companhias.
Cadier acrescentou que a Latam já vinha observando mudanças no comportamento dos passageiros antes mesmo da escalada do conflito.
O executivo citou que as novas rotas internacionais lançadas pela empresa para 2026 incluem destinos como Amsterdã, Bruxelas e Cidade do Cabo, indicando diversificação na demanda global por viagens.