Turistas isolados no Oriente Médio relatam medo após ataques e fechamento de aeroportos

Vídeo mostra explosão e tensão em destinos como Dubai e Doha, enquanto governos da região anunciam apoio para quem ficou retido após fechamento do espaço aéreo

Fumaça sobe do local de um ataque aéreo israelense que teve como alvo os escritórios do Al-Qard al-Hassan, uma instituição financeira ligada ao Hezbollah, na cidade de Baalbek, no Vale do Bekaa, Líbano, em 2 de março de 2026

Turistas que viajavam pelo Oriente Médio relatam momentos de medo e incerteza após a escalada do conflito na região e o fechamento de espaços aéreos em vários países do Golfo. O que deveria ser uma viagem de lazer em destinos como Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, e Doha, no Catar, transformou-se em uma situação de espera e tensão dentro de hotéis, enquanto aeroportos permanecem fechados e voos cancelados.

Nas redes sociais, visitantes compartilharam relatos de explosões, drones interceptados e ordens das autoridades para que moradores e turistas permaneçam em ambientes fechados, longe de janelas e áreas abertas.

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Uma turista australiana relatou que a situação mudou em poucos minutos. “Num minuto eu estava enviando vídeos de roupas em Dubai para minha mãe… e no minuto seguinte estava enviando vídeos angustiantes tentando me comunicar com minha família porque um prédio em frente ao meu hotel foi bombardeado”, escreveu a criadora de conteúdo Isabella-Rae Banda.

Dubai, tradicionalmente promovida como um destino seguro em meio a uma região marcada por tensões geopolíticas, foi diretamente afetada por ataques recentes.

No sábado, destroços de um míssil iraniano atingiram o hotel cinco estrelas Fairmont The Palm, provocando um incêndio. Fragmentos de drones também atingiram os aeroportos de Dubai e Abu Dhabi, deixando uma pessoa morta e cerca de uma dúzia de feridos, segundo autoridades locais.

Dentro dos hotéis, muitos turistas dizem acompanhar os ataques à distância. A campeã britânica de fisiculturismo Sim J. Evans contou que presenciou momentos assustadores enquanto aguardava informações sobre seu voo de volta para Nova York.

Outra visitante, Denise Curran, da Irlanda do Norte, relatou que saiu com a família para procurar um restaurante, mas foi orientada a retornar ao hotel.

“Estou tentando sorrir e fingir que está tudo bem na frente dos meus filhos, mas estou apavorada. Está tudo fechado e o barulho não para”, afirmou.

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Espaço aéreo fechado deixa passageiros sem previsão de retorno

O fechamento do espaço aéreo em diversos países da região já dura vários dias e deixou milhares de turistas sem saber quando poderão voltar para casa. Com voos cancelados ou suspensos, passageiros relatam dificuldade para obter informações de companhias aéreas e consulados.

Um casal italiano em férias em Dubai afirmou que tenta contato com a embaixada, mas ainda não recebeu orientação. Já o britânico Ollie Naughton criticou a comunicação das companhias aéreas.

Segundo autoridades locais, cerca de 20 mil passageiros foram afetados por cancelamentos ou remarcações de voos apenas nos Emirados Árabes Unidos.

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Países anunciam apoio a turistas retidos

Doha, capital do Catar

Para reduzir o impacto da situação, os governos dos Emirados Árabes Unidos e do Catar anunciaram que irão custear hospedagem e alimentação de turistas que ficaram retidos devido ao fechamento do espaço aéreo.

A Autoridade Geral de Aviação Civil dos Emirados informou que o Estado está arcando com os custos de acomodação dos passageiros afetados. Hotéis foram orientados a prolongar as estadias até que os visitantes consigam deixar o país.

Em Abu Dhabi, o Departamento de Cultura e Turismo pediu que os estabelecimentos mantenham os hóspedes que já deveriam ter feito check-out, garantindo que os custos adicionais serão cobertos pelo governo.

Em Doha, no Catar, a medida também foi adotada. O Departamento de Turismo solicitou que hotéis estendam a permanência de turistas e informou que cerca de 8 mil passageiros em trânsito foram afetados.

Alguns viajantes disseram ter recebido quartos em hotéis de alto padrão enquanto aguardam a retomada dos voos.

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Voos seguem suspensos na região

Grupo Emirates

O impacto do conflito atingiu diretamente o transporte aéreo no Golfo. Nos Emirados Árabes Unidos, voos comerciais foram suspensos temporariamente, embora operações excepcionais tenham sido iniciadas para retirar passageiros do país.

A companhia Etihad Airways informou que os voos de e para Abu Dhabi estão suspensos até pelo menos 5 de março. Já a Emirates estendeu a paralisação das operações até a noite de 4 de março.

No Catar, o Aeroporto Internacional de Hamad também interrompeu todas as operações e orientou passageiros a não se deslocarem até o terminal.

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Outros países da região também registraram impactos. O Kuwait fechou seu espaço aéreo após um drone atingir o Terminal 1 do Aeroporto Internacional do Kuwait, deixando nove trabalhadores feridos.

Enquanto aguardam a retomada das operações aéreas, turistas continuam confinados em hotéis e acompanhando as notícias sobre o conflito, sem saber exatamente quando poderão retomar suas viagens.

*com informações da Euronews

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Jornalista graduada na PUC Minas. Trabalhou como repórter do caderno Gerais do jornal Estado de Minas. Na Itatiaia, produziu inicialmente conteúdos para as editorias Minas Gerais, Brasil e Mundo. Atualmente, colabora com as editorias Turismo e Emprego & Concursos.

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