Uma das civilizações mais antigas do mundo, o Irã volta ao centro do noticiário internacional após os
Antiga Pérsia, o Irã foi, por cerca de 2.500 anos, sede de impérios que influenciaram a arquitetura, a ciência, a arte e a organização política de vastas regiões da Ásia e do Mediterrâneo. Cidades como Isfahan preservam monumentos da era safávida, como a Praça Naqsh-e Jahan — uma das maiores do mundo islâmico —, mesquitas com cúpulas do século XVII e pontes históricas que continuam sendo pontos de encontro da população.
Pérsia ou Irã?
Majlis, reunião plenária de 6 de maio de 2018
Até a década de 1930, o país era conhecido internacionalmente como Pérsia. O nome Irã passou a ser adotado oficialmente por decisão do então xá Reza Pahlavi. A mudança reforçou a identidade nacional moderna, mas não apagou o peso histórico da civilização persa.
O território, do tamanho aproximado do estado do Amazonas, está localizado entre o Iraque e o Afeganistão, em uma das regiões mais instáveis do planeta. Foi ali que, em 1979, a Revolução Islâmica derrubou a monarquia do xá Mohammad Reza Pahlavi e instaurou a República Islâmica, regime que combina eleições presidenciais com forte autoridade religiosa.
Hoje, o presidente é eleito pelo voto popular, mas precisa ser validado pelo Conselho dos Guardiães e atua sob a autoridade do Líder Supremo, a figura mais poderosa do país.
Um país além dos estereótipos
A imagem do Irã no exterior costuma estar associada a conflitos, sanções e radicalismo religioso. No entanto, relatos de visitantes e pesquisadores indicam que a experiência cotidiana desafia esses estereótipos.
Khaju Bridje à noite
Teerã, capital do país, tem vida noturna ativa, cafés cheios e uma juventude conectada às redes sociais. Em Isfahan, a ponte Khaju, construída no século XVII, vira ponto de encontro ao anoitecer. Jovens conversam, paqueram e cantam sob seus arcos, conhecidos pela acústica peculiar.
O Grand Bazaar de Teerã, com corredores que somam quilômetros de extensão, continua sendo um dos centros comerciais mais movimentados do país. Casas de chá tradicionais permanecem cheias ao longo do dia, onde o “chai” — chá nacional — é servido com doces típicos.
Grande Bazar, Teerã
Há uma percepção recorrente entre visitantes de que a hospitalidade é um traço marcante da população. Mesmo em meio a crises diplomáticas e econômicas, a vida cotidiana segue.
Mulheres, educação e restrições
Mulheres no Irã
Um dos temas que mais geram debate no Ocidente é o papel das mulheres na sociedade iraniana. Embora o país imponha códigos de vestimenta obrigatórios — como o uso do hijab — e restrições legais em determinadas áreas, o acesso feminino à educação é amplo.
Mulheres podem estudar e têm presença expressiva no ensino superior, inclusive em cursos como medicina, engenharia e ciências. Em diferentes períodos recentes, elas chegaram a representar a maioria dos estudantes universitários.
Isso não elimina os desafios. A participação feminina no mercado de trabalho é menor do que a presença nas universidades, e as regras de conduta pública seguem determinadas pelo regime religioso. Ainda assim, observadores apontam sinais graduais de mudança cultural, especialmente nas grandes cidades.
Religião e política
O túmulo de Ali ibne Muça em Mexede é o local mais sagrado para os xiitas
Cerca de 90% da população iraniana é muçulmana xiita — vertente minoritária no mundo islâmico, que é majoritariamente sunita. Essa característica molda a identidade religiosa e política do país.
Desde 1979, o Irã é uma teocracia. O Líder Supremo detém autoridade sobre as Forças Armadas, a política externa e o Judiciário. O presidente administra o governo cotidiano, mas dentro de limites institucionais rígidos.
Economia sob pressão internacional
O Irã é o terceiro maior produtor de petróleo da Opep e controla, ao sul, o Estreito de Ormuz — rota estratégica por onde passa cerca de um quinto do petróleo consumido globalmente.
Vale lembrar que, em 2018, o então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, retirou o país do acordo nuclear firmado em 2015 e restabeleceu sanções econômicas severas. A decisão agravou a crise econômica interna, elevando a inflação e reduzindo o poder de compra da população.
Desde então, os iranianos convivem com desvalorização da moeda, dificuldades comerciais e restrições financeiras, ao mesmo tempo em que mantêm setores industriais e tecnológicos ativos.