O interesse recente dos
A Groenlândia tem pouco mais de 57 mil habitantes. Cerca de 30% vivem em Nuuk, a maior cidade da ilha, com aproximadamente 17,6 mil moradores. O restante da população se distribui em vilas ao longo do litoral, muitas delas acessíveis apenas por barco ou avião.
A maioria dos residentes da
Por que fugir da Groenlândia não é simples
Groelândia
A Groenlândia tem uma característica geográfica crucial: não possui estradas ligando suas cidades. A capital, Nuuk, só se conecta ao resto do mundo por avião ou por mar. Em caso de crise, isso limita drasticamente as opções de deslocamento. Além disso, grande parte do território é coberta por gelo, com condições climáticas extremas, o que torna qualquer movimentação em massa lenta e complexa.
Em entrevista a AFP, O groenlandês Noahsen, de 60 anos declarou que há muitos groenlandeses que se mudaram para a Dinamarca.
Rotina adaptada ao frio extremo
Em Aappilattoq, comunidade visitada durante uma expedição mostrada no programa CNN Viagem & Gastronomia, apresentado pela jornalista Daniela Filomeno, os moradores estimam que vivem ali entre 80 e 100 pessoas, incluindo 17 crianças. O vilarejo conta com infraestrutura básica, como igreja, campo de futebol e um pequeno café.
As casas são de madeira e pintadas com cores diferentes, o que facilita a identificação das residências em meio à paisagem branca durante boa parte do ano. Muitas dessas construções são importadas da
Igreja e cemitério, Aappilattoq
A adaptação ao clima é essencial. No inverno, as temperaturas podem cair para –20 °C ou menos em várias regiões, com registros ainda mais baixos no interior da ilha. Já no verão, especialmente nas áreas costeiras e em Nuuk, os termômetros costumam variar entre 5 °C e 10 °C, podendo chegar a 15 °C em dias mais quentes.
Pesca, caça e subsistência
Grande parte dos moradores dessas comunidades vive da pesca e da caça, atividades fundamentais para a subsistência local. A caça de animais silvestres, como o urso polar, é regulamentada pelo governo e ocorre cada vez menos, diante do risco de extinção da espécie.
Daniela relata o desconforto ao ouvir sobre a caça de ursos polares, mas pondera:
Durante até seis meses do ano, algumas regiões ficam praticamente congeladas, com acesso limitado e pouca mobilidade. Os mercados locais costumam ser pequenos, muitas vezes do tamanho de uma sala, mas reúnem itens essenciais para atravessar longos períodos de isolamento.
Com aquecimento global, Groelândia perdeu mais gelo que o esperado
Apesar das condições extremas, a vida comunitária é central. Jogos de futebol improvisados, encontros coletivos e eventos locais ajudam a manter os laços sociais. Também é possível ouvir sanfona, instrumento tocado por alguns moradores, em frente à própria casa, simbolizando a hospitalidade em um território frequentemente associado apenas ao gelo.
Uma população no centro de interesses globais
Donald Trump, em evento com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), em 2019
Enquanto a Groenlândia ganha destaque no noticiário internacional por seu valor estratégico no Ártico, seja pela localização, pelo impacto das mudanças climáticas ou pelo interesse dos Estados Unidos, seus habitantes seguem uma rotina marcada pela adaptação ao frio, pela cooperação e pela resiliência.
A jornalista Daniela Filomeno explica que ao entender como vivem os groenlandeses fica claro que foi lugar é mais do que um território estratégico. A Groenlândia é o lar de comunidades que aprenderam a existir em equilíbrio com temperaturas extremas, isolamento e natureza.
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