Como vivem os habitantes da Groenlândia, ilha que entrou no radar dos EUA

A maioria da população é Inuíte; Para efeito de comparação, a Groenlândia tem aproximadamente o mesmo número de habitantes de Pirapora (MG), mas distribuídos em um território maior que o do Amazonas, o maior estado do Brasil em extensão territorial.

Casal Inuit Tunumiit de Kulusuk, Groenlândia

O interesse recente dos Estados Unidos pela Groenlândia reacendeu o debate internacional sobre um território estratégico no Ártico. Mas, para além das discussões geopolíticas, a ilha abriga uma população pequena, espalhada por cidades costeiras e comunidades isoladas, com modos de vida moldados pelo frio extremo, pelo isolamento e pela relação direta com a natureza.

A Groenlândia tem pouco mais de 57 mil habitantes. Cerca de 30% vivem em Nuuk, a maior cidade da ilha, com aproximadamente 17,6 mil moradores. O restante da população se distribui em vilas ao longo do litoral, muitas delas acessíveis apenas por barco ou avião.

A maioria dos residentes da Groenlândia é Inuíte e a Ilha tem a menor densidade populacional do mundo. Em Minas Gerais, uma cidade com população bem próxima à da Groenlândia é Pirapora. Mas, para efeito de comparação, o território da ilha (2,1 milhões de km²) é maior que qualquer estado brasileiro. Nem mesmo o Amazonas, o maior estado do país em extensão (1,56 milhão de km²), alcança sua dimensão.

Por que fugir da Groenlândia não é simples

Groelândia

A Groenlândia tem uma característica geográfica crucial: não possui estradas ligando suas cidades. A capital, Nuuk, só se conecta ao resto do mundo por avião ou por mar. Em caso de crise, isso limita drasticamente as opções de deslocamento. Além disso, grande parte do território é coberta por gelo, com condições climáticas extremas, o que torna qualquer movimentação em massa lenta e complexa.

Em entrevista a AFP, O groenlandês Noahsen, de 60 anos declarou que há muitos groenlandeses que se mudaram para a Dinamarca.

Rotina adaptada ao frio extremo

Em Aappilattoq, comunidade visitada durante uma expedição mostrada no programa CNN Viagem & Gastronomia, apresentado pela jornalista Daniela Filomeno, os moradores estimam que vivem ali entre 80 e 100 pessoas, incluindo 17 crianças. O vilarejo conta com infraestrutura básica, como igreja, campo de futebol e um pequeno café.

As casas são de madeira e pintadas com cores diferentes, o que facilita a identificação das residências em meio à paisagem branca durante boa parte do ano. Muitas dessas construções são importadas da Dinamarca, já que o solo permanentemente congelado dificulta obras tradicionais.

Igreja e cemitério, Aappilattoq

A adaptação ao clima é essencial. No inverno, as temperaturas podem cair para –20 °C ou menos em várias regiões, com registros ainda mais baixos no interior da ilha. Já no verão, especialmente nas áreas costeiras e em Nuuk, os termômetros costumam variar entre 5 °C e 10 °C, podendo chegar a 15 °C em dias mais quentes.

Pesca, caça e subsistência

Grande parte dos moradores dessas comunidades vive da pesca e da caça, atividades fundamentais para a subsistência local. A caça de animais silvestres, como o urso polar, é regulamentada pelo governo e ocorre cada vez menos, diante do risco de extinção da espécie.
Daniela relata o desconforto ao ouvir sobre a caça de ursos polares, mas pondera:

Revista britânica publica capa com Trump sem camisa e montado em urso polar; veja

Durante até seis meses do ano, algumas regiões ficam praticamente congeladas, com acesso limitado e pouca mobilidade. Os mercados locais costumam ser pequenos, muitas vezes do tamanho de uma sala, mas reúnem itens essenciais para atravessar longos períodos de isolamento.

Com aquecimento global, Groelândia perdeu mais gelo que o esperado

Apesar das condições extremas, a vida comunitária é central. Jogos de futebol improvisados, encontros coletivos e eventos locais ajudam a manter os laços sociais. Também é possível ouvir sanfona, instrumento tocado por alguns moradores, em frente à própria casa, simbolizando a hospitalidade em um território frequentemente associado apenas ao gelo.

Uma população no centro de interesses globais

Donald Trump, em evento com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), em 2019

Enquanto a Groenlândia ganha destaque no noticiário internacional por seu valor estratégico no Ártico, seja pela localização, pelo impacto das mudanças climáticas ou pelo interesse dos Estados Unidos, seus habitantes seguem uma rotina marcada pela adaptação ao frio, pela cooperação e pela resiliência.

A jornalista Daniela Filomeno explica que ao entender como vivem os groenlandeses fica claro que foi lugar é mais do que um território estratégico. A Groenlândia é o lar de comunidades que aprenderam a existir em equilíbrio com temperaturas extremas, isolamento e natureza.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o possível acordo com a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) sobre a Groenlândia envolve direitos sobre minerais de terras raras. O republicano não especificou os termos do tratado preliminar, mas ressaltou que envolve uma defesa antimíssil e a exploração de minerais.

Conheça a vida em comunidade na Groenlândia

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Jornalista graduada na PUC Minas. Trabalhou como repórter do caderno Gerais do jornal Estado de Minas. Na Itatiaia, produziu inicialmente conteúdos para as editorias Minas Gerais, Brasil e Mundo. Atualmente, colabora com as editorias Turismo e Emprego & Concursos.

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