Groelândia: por que os nativos Inuítes rejeitam o termo ‘esquimó'

Quem planeja viajar para a maior ilha do mundo precisa entender a cultura dos povos indígenas do Ártico, em um território que voltou ao centro do debate internacional após declarações do presidente dos EUA, Donald Trump.

Família Inuit usando um amauti (jaqueta impermeável do Ártico caracterizado por suas costas largas, que se transformam em um capuz)

Com o interesse recente dos Estados Unidos pela Groenlândia um ponto cultural importante voltou à tona: o uso do termo “esquimó” para se referir aos povos indígenas do Ártico. Embora ainda apareça em livros antigos e no senso comum, a palavra é rejeitada pela maioria dos inuítes, população originária da Groenlândia, do norte do Canadá e do Alasca.

O principal motivo é histórico e linguístico. A palavra “esquimó” não vem dos próprios povos árticos. Ela foi difundida por colonizadores europeus e, segundo estudos linguísticos, pode ter origem em línguas algonquinas com significados pejorativos, como “comedores de carne crua” ou “estranhos”.

Mesmo quando essa interpretação é contestada por alguns pesquisadores, o termo carrega um peso colonial e externo, associado à visão estereotipada dos povos do Norte.

Já “inuíte” é a autodenominação usada por parte dessas populações e significa simplesmente “pessoa” ou “ser humano” em inuktitut, uma das línguas locais. O singular é inuk; o plural, inuítes.

Além disso, o termo “esquimó” agrupa povos muito diferentes sob um rótulo genérico. Ele ignora distinções culturais, linguísticas e territoriais entre grupos como inuítes, yupik e outros povos indígenas do Ártico.

Por que visitar a Groenlândia

Groelândia

  • A maior ilha do mundo
    Com 2,1 milhões de km², a Groenlândia é maior que qualquer estado brasileiro — inclusive o Amazonas — e tem uma das menores densidades populacionais do planeta.
  • Paisagens extremas e únicas
    Cerca de 80% do território é coberto por gelo. Fiordes gigantes, geleiras ativas, icebergs e a calota polar fazem parte do cenário, acessível apenas com expedições especializadas.
  • Turismo de aventura
    Caminhadas sobre geleiras, passeios de caiaque entre blocos de gelo e sobrevoos.
  • Experiência educativa e ambiental
    Mais do que contemplação, o destino oferece contato direto com debates sobre mudanças climáticas, degelo acelerado e impactos globais no nível do mar.
  • Clima desafiador
    No inverno, as temperaturas podem chegar a –20 °C. No verão, variam entre 5 °C e 15 °C, período mais procurado para expedições turísticas.
  • Cultura inuíte e comunidades isoladas
    A maioria da população é inuíte e vive em vilas costeiras acessíveis apenas por barco ou avião. O cotidiano envolve pesca, caça regulamentada e forte relação com a natureza.
  • História milenar no Ártico
    Ruínas vikings, como a Igreja de Hvalsey — com mais de mil anos — revelam a presença europeia medieval em pleno território polar, reconhecida como Patrimônio Mundial pela Unesco.

Hvalsey Church

Você pode conhecer melhor a Groenlândia nesta reportagem, que aprofunda a experiência de viagem, os desafios ambientais e o cotidiano das comunidades locais.

Você pode conhecer melhor a Groenlândia nesta reportagem completa: Groenlândia: conheça as belezas naturais da ilha que pode ser anexada pelos EUA

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Jornalista graduada na PUC Minas. Trabalhou como repórter do caderno Gerais do jornal Estado de Minas. Na Itatiaia, produziu inicialmente conteúdos para as editorias Minas Gerais, Brasil e Mundo. Atualmente, colabora com as editorias Turismo e Emprego & Concursos.

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