Trump diz que ‘salvou’ a Otan e espera acordo pela Groenlândia

Declaração ocorre em momento de tensão entre os Estados Unidos e aliados históricos da aliança militar

Trump afirmou que espera um acordo com a Otan pelo controle da Groenlândia

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira (20) que fez mais do que qualquer outro líder pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e salvou a aliança militar. A declaração foi dada em discurso de um ano de mandato, em meio ao aumento das tensões com a União Europeia pela Groenlândia, território autônomo da Dinamarca, país membro do bloco.

“Se eu não tivesse chegado, não haveria Otan agora. Ninguém fez mais pela Otan [do que eu], e acho que a maioria das pessoas diria isso. Acho que você poderia perguntar ao Secretário-Geral sobre isso, mas nós já dissemos. Eu fiz mais pela Otan do que qualquer outra pessoa. A Otan precisa nos tratar com justiça”, disse Trump.

Durante sua campanha, Trump chegou a criticar os países da Otan pelos baixos investimentos em defesa se comparado pelo Produto Interno Bruto (PIB) de cada país. Após voltar para a Casa Branca, o republicano negociou um acordo para que os europeus aumentassem os gastos militares para o mínimo de 5% do PIB.

Após seu discurso, o presidente norte-americano respondeu a perguntas da imprensa. Questionado por um repórter sobre o quão longe ele poderia ir para ter controle da Groenlândia, o republicano respondeu apenas que: “vocês vão descobrir”.

Ele também disse que acredita em um acordo que satisfaça ambos os lados. “Acho que chegaremos a um acordo que deixará a Otan muito satisfeita e nós também, mas precisamos dela [Groenlândia] para fins de segurança”, declarou.

No início da semana, Trump disse que pretende aplicar uma tarifa de 10% contra Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Países Baixos e Finlândia, caso se oponham ao plano dos EUA de comprar a Groenlândia. Todos esses países são membros da Otan. A sobretaxa deve entrar em vigor a partir de 1º de fevereiro, enquanto as taxas podem ser aumentadas para 25% em junho.

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Mais cedo, Trump publicou uma imagem cravando uma bandeira dos EUA na ilha dinamarquesa, classificando ela como território norte-americano. O republicano afirma que se não tomar posse do território, ele pode ser ocupado pela Rússia e pela China, usando o argumento para alegar questões de segurança nacional e mundial.

O presidente também afirmou ter concordado com uma reunião com líderes europeus em Davos, na Suíça, durante sua participação no Fórum Econômico Mundial. No evento, o presidente da França, Emmanuel Macron, criticou a política externa dos EUA.

“A Europa tem ferramentas muito fortes agora, e temos que usá-las quando não somos respeitados e quando as regras do jogo não são respeitadas. O mecanismo anti-coerção (da União Europeia) é um instrumento poderoso, e não devemos hesitar em utilizá-lo no ambiente difícil de hoje”, disse.

Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.
Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.

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