Trump diz que EUA podem devolver bilhões se perderem processo sobre as tarifas

Presidente dos Estados Unidos comentou uma ação judicial que corre na Suprema Corte e pode suspender as tarifas globais

Donald Trump em discurso de um ano de mandato

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira (20) que o país pode ter que devolver bilhões de dólares caso a Suprema Corte considere as tarifas impostas contra parceiros comerciais como ilegais. A declaração foi dada durante balanço de um ano de governo do republicano.

Principal mecanismo da política externa norte-americana, as tarifas de importação estão sendo usadas pelos EUA contra dezenas de países desde abril de 2025. A Casa Branca alega questão de segurança nacional para aplicar as sobretaxas e fala em déficits comerciais na balança com diversos parceiros.

Contudo, o Judiciário analisa se houve abuso de autoridade na imposição das taxas. A ação é fruto de um recurso do Departamento de Justiça contra uma decisão instâncias inferiores, que na ocasião concluiu que Trump foi além dos seus poderes ao impor taxas globais com base na lei de segurança nacional. “Não sei o que a Suprema Corte vai fazer”, disse Trump.

Caso a Suprema Corte decida contra o governo, as tarifas devem ser suspensas, incluindo a sobretaxa contra os produtos brasileiros. A Casa Branca havia revogado a grande parte das tarifas sobre o Brasil em novembro, mas manteve a taxa de 40% sobre os produtos industriais.

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Os Estados Unidos aplicaram as taxas no contexto do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no Supremo Tribunal Federal (STF), mas revogaram após a condenação do líder da direita. Trump também havia sancionado o ministro Alexandre de Moraes com a lei Magnitsky, também já revogada.

Uma decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos deve ser divulgada nas próximas semanas. Durante seu discurso, Trump defendeu o mecanismo tarifário e afirmou que herdou uma economia com números ruins deixados pelo governo do democrata Joe Biden. Dados oficiais, porém, mostram uma alta na inflação durante o primeiro ano do republicano e dificuldades no emprego.

“Os números que herdamos estavam muito altos. Agora reduzimos quase todos significativamente. Talvez eu tenha uma equipe de relações públicas ruim, mas não estamos conseguindo transmitir a mensagem”, disse.

Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.

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