Produção industrial avança mais do que o esperado em janeiro

Pesquisa Industrial Mensal do IBGE mostra um avanço na produção para além das projeções do mercado financeiro

Produção de veículos automotores esteve entre as altas do setor

A produção industrial brasileira teve um avanço de 1,8% em janeiro de 2026, eliminando parte da queda de 2,5% acumulada de setembro a dezembro de 2025. Os dados são da Pesquisa Industrial Mensal (PIM) divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira (6).

O resultado veio mais de um ponto percentual acima da expectativa do mercado financeiro, que projetava uma alta de 0,7%. Na comparação com janeiro de 2025, a indústria teve um avanço de 0,2% e interrompeu três meses consecutivos de queda na produção: dezembro (-0,1%), novembro (-1,4%) e outubro de 2025 (-0,5%).

Segundo o gerente da PIM, André Macedo, o crescimento pode ser parcialmente explicado pela queda mais intensa de dezembro de 2025 (-1,9%). “Naquele mês, além do movimento de menor dinamismo que vinha caracterizando o setor industrial, observou-se também uma maior frequência de férias coletivas”, explicou.

Para o especialista, com a retomada das atividades produtivas no início do ano, ocorreu uma recuperação de parte da perda. Macedo esclarece que, ainda assim, permanecem os efeitos da política monetária restritiva com a taxa básica de juros em 15% ao ano. A Selic funciona como o custo de referência do mercado, afetando o financiamento das empresas.

“O avanço registrado em janeiro de 2026 é relevante, mas ainda não é suficiente para compensar integralmente a perda acumulada no final do ano passado, de setembro a dezembro, permanecendo um saldo negativo de 0,8%”, completou.

A alta teve um perfil disseminado, alcançando as quatro grandes categorias econômicas e a maior parte dos 25 ramos pesquisados. O destaque positivo foi para a produção de produtos químicos (6,2%), veículos automotores, reboques e carrocerias (6,3%) e coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (2,0%).

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Por outro lado, entre as seis atividades que mostraram recuo na produção, a de máquinas e equipamentos (-6,7%) exerceu a principal influência na média da indústria e marcou a segunda taxa negativa consecutiva, período em que acumulou perda de 11,8%. Vale destacar também os impactos negativos assinalados pelos setores de produtos alimentícios (-0,8%) e de celulose, papel e produtos de papel (-1,9%).

Segundo o economista sênior do Banco Inter, André Valério, apesar da alta, o setor ainda está em desaceleração, o que fica evidente pelo crescimento no acumulado em 12 meses. Ele explica que o setor é mais afetado pelas condições macroeconômicas adversas com a taxa de juros e o tarifaço dos Estados Unidos.

“Entre as grandes categorias econômicas, apenas a produção de bens intermediários apresentou alta no acumulado em 12 meses, alcançando 1,5%, mas patamar ainda bem abaixo do que se observava ao longo de 2025. Bens de capital, por sua vez, continua a intensificar sua desaceleração, apresentando um crescimento de -2,8% nos últimos 12 meses, ante -1,5% em dezembro, sugerindo menor capacidade de produção à frente”, destacou.

Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.

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