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Tempestade solar pode atingir o planeta nesta terça (23); veja os possíveis impactos

Fenômeno de intensidade moderada é previsto pelo Centro de Previsão de Tempo Espacial dos EUA

O Centro de Previsão de Tempo Espacial, da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA, na sigla em inglês) dos EUA, emitiu um alerta para uma tempestade solar de nível moderado que pode atingir o planeta nesta terça-feira (23).

Isso significa que foi detectada uma erupção de material solar no espaço, com partículas carregadas de plasma, normalmente, acompanhados de campos magnéticos.

Quando direcionadas para a Terra, essa atividade desencadeia uma tempestade geomagnética que pode afetar o dia a dia da população.

A previsão é que uma tormenta de “nível G2” afete sistemas de energia e a propagação de ondas de rádio curtas em altas latitudes. Portanto, o fenômeno não deve surtir efeitos no Brasil, que se encontra na zona intertropical, próxima a Linha do Equador.

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Em uma escala de 1 a 5 do Centro de Previsão de Tempo Espacial dos EUA, o G2 é considerada uma intensidade moderada, mas que não deve ser amplamente percebido pela população.

Em entrevista à Itatiaia, o professor do Departamento de Física da UFMG, Gustavo Guerrero, disse que a tempestade solar pode ter impactos nos sistemas de transmissão elétricas em altas latitudes, se o evento for de longa duração - o que acredita que não seja o caso.

No entanto, Guerrero aponta que o fenômeno previsto pode causar danos em transformadores de energia pela interação das correntes com as partículas de Sol que chegam na atmosfera.

A NOAA também adverte que satélites na órbita da Terra podem ser afetados com o impacto das partículas do Sol, sendo necessárias “ações corretivas” das empresas que operam o dispositivo para prevenir os danos.

“Por exemplo, um barco no meio de uma corrente muito forte tem que corrigir a direção da navegação para não desviar o seu percurso. Então pode acontecer a mesma coisa com as tempestades solares em relação aos satélites”, explicou Gustavo Guerrero.

“Precisa de ação corretiva para mudar a orientação e evitar que os satélites sejam afetados pelo atrito com essas partículas (do Sol)” , acrescentou.

Aurora boreal

O evento, que não é inédito, também pode desencadear auroras boreais em locais incomuns, com latitudes de até 45 graus. Isso significa que o fenômeno luminoso pode ser observado em latitudes relativamente baixas, como nos Alabama e no norte da Califórnia, nos Estados Unidos.

As auroras boreais são causadas pela interação entre partículas carregadas do vento solar com os gases da atmosfera da Terra.

Normalmente, o campo magnético direciona as partículas para os pólos terrestres, permitindo a visualização dos fenômenos somente em regiões da Escandinávia, Canadá, Islândia, Rússia e do Círculo Polar Ártico.

No entanto, dependendo da intensidade, a tempestade solar pode modificar o campo magnético da terra, permitindo que as auroras apareçam em locais inusitados.

Tempestade ainda não começou

A agência norte-americana NOAA identificou a liberação de partículas do Sol no último sábado (20), que pode afetar o campo magnético da Terra nas próximas horas.

Ao contrário da luz, que chega à Terra em aproximadamente oito minutos, a energia liberada pelo Sol demora entre 30h a 72h - sendo esperado os primeiros impactos entre ontem (22) e hoje (23).

No entanto, até agora a NOAA não emitiu nenhum relatório que identifique a chegada da tempestade solar no campo magnético da Terra.

De acordo com o professor Gustavo Guerrero, a erupção solar pode não ter se dirigido diretamente para o planeta.

Máximo solar

Em 2024, o ciclo solar atinge seu máximo, sendo responsável pelo aumento de ocorrências de tempestades solares, que podem liberar grandes quantidades de energia e partículas carregadas no espaço.

O último ciclo solar começou em 2019, e está previsto atingir o pico de atividade em julho de 2024.

A atividade solar aumenta e diminui durante esse ciclo, e seu pico é conhecido como “máximo solar”.

O ciclo magnético solar dura aproximadamente 11 anos, sendo responsável pela ocorrência de tempestades solares. Ele funciona de forma autônoma, sem influência da Terra.

A previsão do ciclo solar atual mostra variações e incertezas.

Inicialmente, os cientistas acreditavam que o máximo do fenômeno aconteceria em meados de 2025.

Mas, de acordo com Gustavo Guerrero, o Sol começou a apresentar um número de manchas acima do esperado e o ciclo começou a evoluir rapidamente. Por isso, a estimativa foi alterada para atingir o seu máximo em julho de 2024.

Ao contrário das previsões meteorológicas, os prognósticos solares são mais difíceis de serem identificados. De acordo com o professor da UFMG, o desafio acontece devido à falta de observações diretas do campo magnético no interior solar.

O que é uma tempestade solar?

A tempestade solar ocorre quando o Sol emite uma grande quantidade de partículas que podem perturbar o campo magnético da Terra, causando uma série de efeitos na atmosfera.

A liberação de energia do Sol geralmente está associada a erupções solares e ejeções de massa coronal.

As erupções são explosões que acontecem na superfície solar, que liberam energia na forma de radiação eletromagnética, incluindo luz visível, raios-X e radiação ultravioleta. Esses fenômenos acontecem por conta da atividade magnética intensa na superfície do Sol.

A ejeção de massa coronal significa uma grande liberação de material solar, com partículas carregadas de plasma, normalmente, acompanhados de campos magnéticos.

Quando direcionadas para a Terra, essa atividade desencadeia uma tempestade geomagnética, que pode causar prejuízos significativos na Terra.

A tempestade solar mais poderosa já registrada ficou conhecida como Evento de Carrington e aconteceu em setembro de 1859.

Ela foi batizada em homenagem ao astrônomo inglês Richard Carrington, que catalogou o fenômeno, sendo o primeiro cientista a vincular essa tormenta geomagnética a uma tempestade solar.

De acordo com o professor Gustavo Guerrero, o Evento de Carrington afetou as redes de comunicação e os sistemas de transmissões elétricas em altas altitudes (como Estados Unidos e Canadá).

O fenômeno também possibilitou enxergar auroras boreais em baixas latitudes, próximas à linha do Equador, como na Colômbia e no Caribe.

Prejuízos

Especialistas em gestão de emergências do Serviço Meteorológico Nacional dos Estados Unidos acreditam que a primeira “tempestade” que vai custar “trilhões de dólares” não virá na forma de tornado, furacão ou inundação - mas sim do Sol.

Gustavo Guerrero revelou que um evento solar de baixa intensidade, que ocorreu em janeiro de 2022, foi o suficiente para inabilitar mais da metade dos satélites lançados pela Starlink - empresa do bilionário Elon Musk.

“O que sabemos é que esse tipo de evento é nocivo para o clima espacial. São gastos milhões de dólares, porque existem muitos satélites orbitando a Terra, e cada um deles custa muito caro”, explicou.

O clima espacial refere-se às condições variáveis no ambiente espacial próximo à Terra, incluindo o Sol, vento solar, magnetosfera, ionosfera e termosfera.

No entanto, de acordo com o professor de Física da UFMG, a tempestade solar não deve ser motivo de “alarmismo”, uma vez que esse fenômeno acontece regularmente e não costuma causar grandes perturbações na Terra, como o aumento da temperatura.

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Formado em Jornalismo pela UFMG, com passagens pelo jornal Estado de Minas/Portal Uai. Hoje, é repórter multimídia da Itatiaia.
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