Justiça no Rio de Janeiro pode revogar liberdade condicional do ex-goleiro Bruno; entenda

Condenado deve comparecer ao Conselho Penitenciário e regularizar o benefício em cinco dias; Bruno pode ser preso novamente, caso descumpra a medida

A decisão acontece dias após o arqueiro ter compartilhado nas redes sociais seu “retorno” ao Maracanã, como torcedor do Flamengo

O ex-goleiro Bruno Fernandes, condenado a 22 anos de prisão pelo homicídio triplamente qualificado de Eliza Samudio, pode ter a liberdade condicional cassada. A Justiça no Rio de Janeiro estipulou um prazo de cinco dias para que ele compareça ao Conselho Penitenciário e regularize o benefício. Caso contrário, Bruno pode ser preso novamente.

A medida acontece dias após o arqueiro ter compartilhado nas redes sociais seu “retorno” ao Maracanã, como torcedor do Flamengo. O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) havia denunciado o ex-goleiro de não cumprir alguns requisitos da liberdade condicional e solicitaram que o Judiciário revogasse o benefício “com urgência.”

Em nota enviada à Itatiaia, a Promotoria de Justiça de Execução Penal destacou que o condenado “não foi localizado nos endereços informados ao Juízo para a assinatura do Termo de Cerimônia e o aperfeiçoamento do benefício, conforme determina a Lei de Execução Penal (Lei nº 7.210).”

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A informação só foi recebida pela Promotoria em 15 de janeiro deste ano. Bruno está em liberdade condicional há três anos, desde o dia 12 de janeiro de 2023. Por isso, o MPRJ concluiu que o benefício nunca foi propriamente efetivado, o que levou ao pedido para que “seja tornado sem efeito de maneira imediata”, concluiu a nota.

O Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ) acatou o pedido do MP e divulgou, nesta sexta-feira (6), que Bruno tem o prazo de cinco dias, a contar da intimação, para comparecer ao Conselho Penitenciário para regularizar seu benefício de livramento condicional ou um mandado de prisão pode ser expedido. A decisão é do juízo da Vara de Execuções Penais (VEP) do Rio.

Relembre a morte de Eliza Samudio

O caso de Eliza Samudio chamou atenção de todo o Brasil em 2010 e envolveu o ex-goleiro Bruno, então jogador do Flamengo. Ele foi condenado pela morte da modelo, com quem teve um filho. O corpo da vítima nunca foi encontrado mas, em 2013, a Justiça emitiu a certidão de óbito.

Em julho de 2010, Eliza foi para um sítio em Esmeraldas, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, a pedido de Bruno. Na viagem, ele desapareceu.

Durante as investigações o ex-goleiro disse que a mulher havia ido embora do sítio por vontade própria, e que abandonou o filho com uma pessoa conhecida dos dois. O menino foi achado numa favela de Ribeirão das Neves, também na Grande BH.

No mesmo mês do desaparecimento, a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) declarou Bruno suspeito do desaparecimento de Eliza. As investigações apontavam que o sumiço dela se devia à gravidez, que poderia “atrapalhar” o casamento de Bruno e manchar a reputação do goleiro. Na época, o futebolista negociava para ser transferido do Flamengo para o Milan, da Itália.

Em 6 de julho, um primo do goleiro, então com 17 anos, foi encontrado na residência de Bruno, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, e afirmou ter dado uma coronhada em Eliza. Desacordada, ela teria sido esquartejada a mando de Bruno. O adolescente disse que os restos mortais foram dados a cachorros da raça rottweiler e os ossos da modelo teriam sido concretados.

Com o depoimento, a Justiça de Minas Gerais expediu o mandado de internação do adolescente e a prisão preventiva de Bruno e outras sete pessoas.

A Justiça do Rio de Janeiro também determinou a prisão preventiva de Bruno e Luiz Henrique Romão, conhecido como ‘Macarrão’, pelo sequestro e cárcere privado de Eliza, ocorrido em outubro de 2009. Os dois se entregaram à polícia no Rio e foram transferidos para Minas Gerais, onde ocorreu o julgamento.

O julgamento de Bruno Fernandes, Luiz Henrique Romão, Marcos Aparecido dos Santos, Dayanne Rodrigues do Carmo Souza, Fernanda Gomes de Castro, Elenilson Vitor da Silva e Wemerson Marques de Souza foi realizado em Contagem, na Grande BH, em 19 de novembro de 2012.

Bruno foi considerado culpado por homicídio triplamente qualificado, sequestro e ocultação de cadáver e condenado a pena de 20 anos e 9 meses de reclusão. Em janeiro de 2023, a Justiça do Rio concedeu liberdade condicional ao ex-goleiro - que, agora, pode ser revogada.

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Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.

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