O Consulado-Geral do Brasil em Lisboa confirmou, na manhã desta terça-feira (6), o recebimento de um passaporte pertencente a Eliza Samudio, modelo e atriz paranaense assassinada em 2010. O surgimento do documento em solo português reacendeu discussões sobre o caso, embora a família da vítima descarte qualquer reviravolta quanto ao paradeiro de Eliza.
Em entrevista à “CNN Brasil”, Maria do Carmo, madrinha do filho da modelo e representante legal da família, foi enfática ao afirmar que não restam dúvidas sobre o falecimento da atriz. Segundo Maria, que mantém vínculo próximo com os familiares e o filho de Eliza desde o crime, a descoberta do passaporte causa incômodo, mas não altera a convicção dos parentes sobre o desfecho do caso, reiterando que não há lógica na hipótese de que ela pudesse estar viva.
A representante questiona, no entanto, as circunstâncias que levaram o documento até Portugal. Maria do Carmo refuta a possibilidade de Eliza ter simplesmente perdido o passaporte e sugere que a Polícia Federal deveria intervir para apurar se houve a emissão de uma segunda via e como o item foi transportado para o exterior. A família busca entender quem estaria em posse do objeto original após tantos anos do encerramento do processo criminal.
Até o momento, a Polícia Federal não se manifestou oficialmente sobre a abertura de uma nova linha de investigação para apurar a procedência do documento. O Consulado em Lisboa também não forneceu detalhes adicionais sobre quem teria entregue o passaporte às autoridades diplomáticas.
Família comenta sobre a descoberta
Arlie Moura, irmão de Eliza Samudio por parte de mãe, descobriu pelas redes sociais a descoberta do passaporte. “Foi algo que mexeu bastante comigo”, disse em entrevista à Itatiaia.
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“Acredito que isso possa ter relação com o boato que surgiu na época de que a Eliza teria ido para Portugal e tido um caso com Cristiano Ronaldo”, acrescentou Arlie. No entanto, ele reforçou não haver confirmação sobre o envolvimento.
Relembre a morte de Eliza Samudio
O caso de Eliza Samudio chocou o Brasil em 2010 e envolveu o ex-goleiro Bruno Fernandes das Dores de Souza, então jogador do Flamengo. Ele foi condenado pela morte da modelo, com quem teve um filho. O corpo da vítima nunca foi encontrado, mas, em 2013, a Justiça emitiu a certidão de óbito.
Em julho de 2010, Eliza foi para um sítio localizado em Esmeraldas, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, a pedido do ex-goleiro. Na viagem, ela desapareceu.
Durante as investigações, Bruno disse que a mulher havia ido embora do sítio por vontade própria, e que abandonou o filho com uma pessoa conhecida dos dois. O menino foi achado numa favela de Ribeirão das Neves, também na Grande BH.
Ainda em junho, a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) declarou Bruno suspeito do desaparecimento de Eliza. As investigações apontavam que o sumiço da modelo se devia à gravidez, que poderia “atrapalhar” o casamento de Bruno e manchar a reputação do goleiro. Na época, o futebolista negociava para ser transferido do Flamengo para o Milan, da Itália.
Em 6 de julho de 2010, um primo do goleiro, então com 17 anos, foi encontrado na residência de Bruno, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, e afirmou ter dado uma coronhada em Eliza. Desacordada, ela teria sido esquartejada a mando de Bruno. O adolescente disse que os restos mortais foram dados a cachorros da raça rottweiler e os ossos da modelo teriam sido concretados.
A Justiça de Minas Gerais expediu o mandado de internação do adolescente que prestou depoimento e a prisão preventiva de Bruno e outras sete pessoas.
A Justiça do Rio de Janeiro também determinou a prisão preventiva de Bruno e Luiz Henrique Romão, conhecido como ‘Macarrão’, pelo sequestro e cárcere privado de Eliza, ocorrido em outubro de 2009. Bruno e Macarrão se entregaram à polícia no Rio e foram transferidos para Minas Gerais, onde ocorreu o julgamento.
O julgamento de Bruno Fernandes, Luiz Henrique Romão, Marcos Aparecido dos Santos, Dayanne Rodrigues do Carmo Souza, Fernanda Gomes de Castro, Elenilson Vitor da Silva e Wemerson Marques de Souza foi realizado em Contagem, na Grande BH, em 19 de novembro de 2012.
Bruno foi considerado culpado por homicídio triplamente qualificado, sequestro e ocultação de cadáver e condenado a pena de 20 anos e 9 meses de reclusão. Em janeiro de 2023, a Justiça do Rio concedeu liberdade condicional ao ex-goleiro.
Com informações de CNN Brasil