O Itamaraty informou nesta terça-feira (6) que o
passaporte de Eliza Silva Samudio , encontrado na última sexta-feira (2) em Portugal, será levado para Brasília para ficar à disposição da família.
“O Consulado-Geral em Lisboa foi instruído a remeter o passaporte, já expirado e cancelado, para a sede do Itamaraty, em Brasília. O documento ficará à disposição da família, caso tenha interesse em receber o documento de viagem”, afirmou.
O passaporte estava em um apartamento alugado e foi encontrado por um homem, que não foi identificado, entre livros em uma estante, conforme informações do Portal Leo Dias. No local, moram diversas famílias que alugam quartos no imóvel.
Após localizar o documento, o denunciante o entregou ao Consulado-Geral do Brasil em Lisboa. Em nota, o órgão confirmou o recebimento e informou estar em negociações com o Itamaraty.
Família comenta sobre a descoberta
Arlie Moura, irmão de Eliza Samudio por parte de mãe, descobriu pelas redes sociais a descoberta do passaporte. “Foi algo que mexeu bastante comigo”, disse em entrevista à Itatiaia.
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“Acredito que isso possa ter relação com o boato que surgiu na época de que a Eliza teria ido para Portugal e tido um caso com Cristiano Ronaldo”, acrescentou Arlie. No entanto, ele reforçou não haver confirmação sobre o envolvimento.
Passaporte de Eliza Samudio é encontrado em Portugal, confirma consulado brasileiro
Relembre a morte de Eliza Samudio
O caso de Eliza Samudio chocou o Brasil em 2010 e envolveu o ex-goleiro Bruno Fernandes das Dores de Souza, então jogador do Flamengo. Ele foi condenado pela morte da modelo, com quem teve um filho. O corpo da vítima nunca foi encontrado, mas, em 2013, a Justiça emitiu a certidão de óbito.
Em julho de 2010, Eliza foi para um sítio localizado em Esmeraldas, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, a pedido do ex-goleiro. Na viagem, ela desapareceu.
Durante as investigações, Bruno disse que a mulher havia ido embora do sítio por vontade própria, e que abandonou o filho com uma pessoa conhecida dos dois. O menino foi achado numa favela de Ribeirão das Neves, também na Grande BH.
Ainda em junho, a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) declarou Bruno suspeito do desaparecimento de Eliza. As investigações apontavam que o sumiço da modelo se devia à gravidez, que poderia “atrapalhar” o casamento de Bruno e manchar a reputação do goleiro. Na época, o futebolista negociava para ser transferido do Flamengo para o Milan, da Itália.
Em 6 de julho de 2010, um primo do goleiro, então com 17 anos, foi encontrado na residência de Bruno, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, e afirmou ter dado uma coronhada em Eliza. Desacordada, ela teria sido esquartejada a mando de Bruno. O adolescente disse que os restos mortais foram dados a cachorros da raça rottweiler e os ossos da modelo teriam sido concretados.
A Justiça de Minas Gerais expediu o mandado de internação do adolescente que prestou depoimento e a prisão preventiva de Bruno e outras sete pessoas.
A Justiça do Rio de Janeiro também determinou a prisão preventiva de Bruno e Luiz Henrique Romão, conhecido como ‘Macarrão’, pelo sequestro e cárcere privado de Eliza, ocorrido em outubro de 2009. Bruno e Macarrão se entregaram à polícia no Rio e foram transferidos para Minas Gerais, onde ocorreu o julgamento.
O julgamento de Bruno Fernandes, Luiz Henrique Romão, Marcos Aparecido dos Santos, Dayanne Rodrigues do Carmo Souza, Fernanda Gomes de Castro, Elenilson Vitor da Silva e Wemerson Marques de Souza foi realizado em Contagem, na Grande BH, em 19 de novembro de 2012.
Bruno foi considerado culpado por homicídio triplamente qualificado, sequestro e ocultação de cadáver e condenado a pena de 20 anos e 9 meses de reclusão. Em janeiro de 2023, a Justiça do Rio concedeu liberdade condicional ao ex-goleiro.