O Consulado-Geral do Brasil em Lisboa confirmou o recebimento do passaporte de
Eliza Samudio , à reportagem nesta terça-feira (6). Conforme o órgão, o documento foi encontrado na última sexta-feira (2) e a informação foi repassada ao Itamaraty. Por meio de nota, o Itamaraty disse que o documento será enviado para Brasília e ficará à disposição da família, “caso tenha interesse em receber o documento de viagem”.
O caso, que chocou o Brasil em 2010,
O corpo da vítima nunca foi encontrado, mas, em 2013, a Justiça emitiu a certidão de óbito.
Em entrevista à Itatiaia, o irmão de Eliza Samudio por parte de mãe, Arlie Moura, de 27 anos, revelou que a notícia sobre o documento o abalou psicologicamente e que ficou sabendo sobre o passaporte por meio das redes sociais.
“Foi algo que mexeu bastante comigo, né? Ainda mais que ontem, dia 5, seria o aniversário do meu pai. Então foi em uma data em que eu já estava com as emoções afloradas, né? Pelo que vi do documento, tudo indica que seja realmente dela, o passaporte”, completou.
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Ainda segundo o filho de Sônia, que também é mãe da modelo, ele acredita que o passaporte de Eliza pode ter sido encontrado em Portugal após uma viagem ao país, onde ela teria encontrado o jogador Cristiano Ronaldo, que atualmente atua no Al Nassr.
“Então, em 2010, por causa dessa questão do passaporte, que ficou retido lá, acredito muito que isso possa ter relação com o boato que surgiu na época de que a Eliza teria ido para Portugal e tido um caso com o Cristiano Ronaldo”, detalhou.
Passaporte de Eliza Samudio é encontrado em Portugal, confirma consulado brasileiro
“Pensando nisso, pode ser que realmente exista alguma relação com essa questão, mas não é algo concreto, de fato”, ressaltou.
Segundo Arlie, na época do crime, ele ainda morava com a mãe, e a família viajava “sempre para visitar os parentes em Foz do Iguaçu”. Porém, depois que Eliza mudou da cidade, eles perderam o contato.
“Acredito que naquela época e também depois minha mãe ainda conseguia manter contato com ela, mas eu realmente perdi todo esse vínculo com a Eliza, justamente por conta da distância”, finalizou.
Relembre a morte de Eliza Samudio
Em julho de 2010, Samudio foi para um sítio localizado em Esmeraldas, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, a pedido de Bruno. Na viagem, ela desapareceu. Durante as investigações, Bruno disse que a mulher havia ido embora do sítio por vontade própria, e que abandonou o filho -
Ainda em junho, a Polícia Civil de Minas Gerais declarou Bruno suspeito pelo desaparecimento de Eliza. As investigações apontavam que o sumiço da modelo era por conta da gravidez, que poderia ‘atrapalhar’ o casamento de Bruno e manchar a reputação do goleiro, que naquela época, estava em negociação para ser transferido do Flamengo para o Milan, da Itália.
Em 6 de julho de 2010, um jovem de 17 anos, primo do goleiro, foi encontrado na residência de Bruno na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, e afirmou ter dado uma coronhada em Eliza. Desacordada, ela teria sido esquartejada a mando do goleiro Bruno e, os restos mortais, teriam sido dados a cachorros da raça rottweiler, que teriam dilacerado seu corpo. Os ossos da modelo teriam sido concretados.
A Justiça de Minas Gerais expediu o mandado de internação do adolescente que prestou depoimento no dia 6 de julho de 2010 e a prisão preventiva de Bruno e de mais sete pessoas no dia seguinte.
A Justiça do Rio de Janeiro também havia expedido a prisão preventiva de Bruno e Luiz Henrique Romão, conhecido como ‘Macarrão’, pelo sequestro e cárcere privado de Eliza, ocorrido em outubro de 2009. Bruno e Macarrão se entregaram à polícia no Rio e foram transferidos para Minas Gerais, onde ocorreu o julgamento.
O julgamento de Bruno Fernandes, Luiz Henrique Romão, Marcos Aparecido dos Santos, Dayanne Rodrigues do Carmo Souza, Fernanda Gomes de Castro, Elenilson Vitor da Silva e Wemerson Marques de Souza foi iniciado em Contagem, na Grande BH, mais de dois anos após o desaparecimento de Eliza, em 19 de novembro de 2012.
Bruno foi considerado culpado por homicídio triplamente qualificado, sequestro e ocultação de cadáver. O goleiro recebeu o primeiro habeas corpus em fevereiro de 2017, mas dois meses depois ele voltou à prisão após decisão da primeira turma do Supremo Tribunal Federal.