Vídeo: jovem reencontra familiares após cinco dias desaparecido no Pico Paraná: ‘Um milagre’

Roberto Farias Thomaz, de 19 anos, recebeu alta hospitalar nessa terça-feira (6); amiga teria o deixado para trás durante trilha

Roberto Farias Thomaz, de 19 anos, foi recebido em casa por familiares após cinco dias desaparecido no Pico Paraná, ponto mais alto da região Sul do Brasil.

A mãe de Roberto Farias Thomaz, jovem de 19 anos que passou cinco dias desaparecido no Pico Paraná, publicou em suas redes sociais um vídeo que registra o momento em que o garoto voltou para casa e reencontrou os familiares.

Na publicação, Marcia Melo destacou a emoção em ter o filho por perto novamente: “Depois de tanta angústia e sofrimento, a família finalmente voltou a sorrir”. Em outro post, a mãe citou ainda a repercussão em torno da busca por Roberto. “Cada dor fortalece, ensina e tem o poder de unir não apenas uma família, mas o Brasil inteiro”.

Confira o reencontro emocionante

Relembre o desaparecimento

Roberto estava desaparecido desde a na noite do dia 31 de dezembro, quando ele e uma amiga decidiram fazer uma trilha pelo Pico Paraná, que com 1.877 metros é considerado o ponto mais alto da região Sul do Brasil. Os dois subiram até o acampamento 1, onde descansaram por algumas horas antes de seguir em direção ao cume, por volta das 3h da madrugada. Durante a subida, outros trilheiros relataram que Roberto passou mal, apresentando sinais de fraqueza e vômitos.

Mesmo Roberto debilitado, eles conseguiram chegar ao topo por volta das 4h, após receber auxílio de integrantes de um grupo, que lhe deram água e alimento. Ao amanhecer, os trilheiros iniciaram o percurso de descida. Neste momento, em um ponto antes do retorno ao acampamento 1, Roberto ficou para trás e não foi mais visto. Após o desaparecimento do jovem, Thayane Smith, a amiga que havia subido a trilha com Roberto, começou a ser questionada e alguns de seus depoimentos polêmicos à imprensa viralizaram nas redes sociais. Internautas apontaram a falta de responsabilidade de Thayane sobre Roberto.

Buscas

Um dos montanhistas que estava no grupo notou a falta de Roberto e decidiu questionar a amiga que estava com ele sobre o paradeiro do jovem. “Quando chegamos no acampamento 1, a menina estava na barraca. Perguntei ‘cadê o Roberto?’ e ela não soube responder. Aí bateu o desespero”, contou Fábio Sieg Martins, analista jurídico, que se tornou uma das principais testemunhas do caso, ao G1.

Fábio então retornou pela trilha em busca de Roberto e, no primeiro ponto com sinal de celular, acionou o Corpo de Bombeiros, informando o desaparecimento. As buscas oficiais começaram ainda na tarde do dia 1º de janeiro.

As operações incluíram equipes em solo, sobrevoos com helicóptero equipado com câmera térmica, uso de drones, apoio de montanhistas do Corpo de Socorro em Montanha (Cosmo) e participação do Clube Paranaense de Montanhismo (CPM).

Para facilitar o trabalho das equipes, o Instituto Água e Terra (IAT) determinou o fechamento temporário das trilhas dos morros Pico Paraná, Caratuva, Getúlio e Itapiroca, mantendo abertas apenas áreas que não interferem na operação de resgate.

Quem é a amiga que teria deixado Roberto para trás?

Em entrevistas concedidas à Ric RECORD, Thayane Smith apresentou versões diferentes sobre o momento em que se separou de Roberto. Em um primeiro relato, afirmou que o jovem havia passado mal. Porém, na segunda entrevista, disse que ele estava lento e que decidiu seguir em frente por considerar que outros trilheiros vinham logo atrás.

Fábio Sieg Martins relatou que alertou a jovem sobre os riscos de deixar alguém sozinho em uma trilha considerada hostil, especialmente diante do estado físico de Roberto. Durante a entrevista, Thayane afirmou que se arrepende da decisão de ter seguido sem o amigo. “Se eu não tivesse me separado dele, talvez não teria acontecido isso”, disse em entrevista à Ric RECORD.

Thayane também contou que estava com a carteira e o celular de Roberto quando desceu o Pico. De acordo com a jovem, isso aconteceu porque a mochila do amigo estava muito pesada.

Em seu perfil do Instagram, após o desaparecimento, a jovem publicou registros feitos durante a trilha: “Tenho muitos vídeos do início de tudo, meio e fim, deixarei a história completa após tudo isso acabar. (...) Eu tive experiências fodas demais lá em cima, vistas lindas, um nascer do sol do maior Pico do Sul” escreveu na legenda.

Quando as buscas por Roberto já tinham começado, em um story, ela publicou uma foto com uma frase: “Interrogações, investigações, eita 2026 kkkkk. Feliz Ano Novo”, seguido de um emoji de risada. Em outra publicação ela escreveu: “Aprendizado, nunca mais andar com alguém que não é experiente em trilhas, não é seu estilo de vida e não tem pique para isso”.

Como Roberto foi encontrado

Roberto relatou que se perdeu quando, ao chegar a uma bifurcação sem sinalização clara ou contato visual com os companheiros, ele acabou tomando uma direção equivocada que o levou a uma queda em um barranco, parando no topo de uma cachoeira.

A rotina de privações nos dias seguintes foi severa, marcada pela ausência total de alimentos. Roberto sobreviveu consumindo apenas pequenas quantidades de água filtrada da própria cachoeira, mantendo a cautela por não conhecer a potabilidade do recurso. Em um dos episódios mais críticos, o jovem foi arrastado pela correnteza por cerca de 1,5 quilômetro, resultando na perda de seus óculos e de uma de suas botas. Além da fome, o jovem enfrentou condições climáticas adversas, com chuvas constantes, e o contato direto com a fauna local.

No segundo dia, ao deixar de avistar o helicóptero de buscas que notara na data do desaparecimento, Roberto chegou a acreditar que as operações de resgate haviam sido encerradas, percepção agravada pelo barulho intenso da mata e da água, que abafava qualquer som externo.

Roberto caminhou mais de 20 km até a Usina Hidrelétrica CGH de Cacatu. Imagens de uma câmera de segurança mostram o momento em que o jovem chega a uma fazenda. No local, ele pediu ajuda e ligou para a irmã, comunicando que estava vivo. Em outro vídeo é possível ver Roberto carregando no local uma mochila e uma garrafa. Ele aparenta estar com dificuldades para andar.

Roberto foi encaminhado e ficou internado no Hospital Municipal da cidade de Antonina, a cerca de 84 km de Curitiba, e recebeu alta nesta terça-feira (6).

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Estudante de Jornalismo na PUC e apaixonada pela área, Gabriela Neves gosta de contar histórias empolgantes e desafiadoras. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e mundo. Tem experiência em marketing pela Rock Content, cobertura de cidades pela Record Minas e assessoria política na Assembleia Legislativa de Minas Gerais.
Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), já trabalhou na Record TV e na Rede Minas. Atualmente é repórter multimídia e apresenta o ‘Tá Sabendo’ no Instagram da Itatiaia.

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