O jovem Roberto Farias Thomaz, de 19 anos,
“Não sabia que tinham todas essas pessoas me procurando, não tinha noção nenhuma, mas, tinha certeza de que minha irmã estaria me procurando”, relatou Roberto à reportagem.
O incidente teve início durante a descida da montanha,
A rotina de privações nos dias seguintes foi severa, marcada pela ausência total de alimentos. Roberto sobreviveu consumindo apenas pequenas quantidades de água filtrada da própria cachoeira, mantendo a cautela por não conhecer a potabilidade do recurso. Em um dos episódios mais críticos, o jovem foi arrastado pela correnteza por cerca de 1,5 quilômetro, resultando na perda de seus óculos e de uma de suas botas.
Além da fome, o jovem enfrentou condições climáticas adversas, com chuvas constantes, e o contato direto com a fauna local. Ele relatou ter encontrado diversas aranhas e chegado a pisar em cobras, que felizmente estavam mortas, destacando o alívio por não ter cruzado com predadores de grande porte, como onças.
No segundo dia, ao deixar de avistar o helicóptero de buscas que notara na data do desaparecimento, Roberto chegou a acreditar que as operações de resgate haviam sido encerradas, percepção agravada pelo barulho intenso da mata e da água, que abafava qualquer som externo.
A irmã do jovem, Renata, que acompanhou de perto os trabalhos de busca, expressou que seu maior temor era a hipotermia, dadas as baixas temperaturas e a umidade da região.
Já em segurança, embora ainda sem previsão de alta médica, Roberto classificou sua sobrevivência como um milagre e deixou um alerta rigoroso para que outros trilheiros não se arrisquem sem o devido preparo, agradecendo o apoio e as orações que, segundo ele, foram fundamentais para manter sua resistência física e mental.