Pico do Paraná: jovem que ficou cinco dias perdido na mata recebe alta hospitalar

Incidente teve início durante a descida da montanha, quando Roberto se distanciou de uma amiga e de um grupo de trilheiros

Vídeo mostra jovem desaparecido chegando a fazenda após cinco dias no Pico do Paraná

O jovem Roberto Farias Thomaz, de 19 anos, recebeu alta hospitalar nesta terça-feira (6). Ele foi localizado com vida na manhã de ontem após se perder no Pico Paraná, na Região Sul do Brasil, no dia 1º. Antes de deixar o Hospital Municipal de Antonina, ele relatou os momentos de tensão e a luta pela sobrevivência em entrevista à “CNN Brasil”.

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“Não sabia que tinham todas essas pessoas me procurando, não tinha noção nenhuma, mas, tinha certeza de que minha irmã estaria me procurando”, relatou Roberto à reportagem.

O incidente teve início durante a descida da montanha, quando Roberto se distanciou de uma amiga e de um grupo de trilheiros devido ao seu próprio ritmo de caminhada. Ao chegar a uma bifurcação sem sinalização clara ou contato visual com os companheiros, ele acabou tomando uma direção equivocada que o levou a uma queda em um barranco, parando no topo de uma cachoeira.

A rotina de privações nos dias seguintes foi severa, marcada pela ausência total de alimentos. Roberto sobreviveu consumindo apenas pequenas quantidades de água filtrada da própria cachoeira, mantendo a cautela por não conhecer a potabilidade do recurso. Em um dos episódios mais críticos, o jovem foi arrastado pela correnteza por cerca de 1,5 quilômetro, resultando na perda de seus óculos e de uma de suas botas.

Além da fome, o jovem enfrentou condições climáticas adversas, com chuvas constantes, e o contato direto com a fauna local. Ele relatou ter encontrado diversas aranhas e chegado a pisar em cobras, que felizmente estavam mortas, destacando o alívio por não ter cruzado com predadores de grande porte, como onças.

No segundo dia, ao deixar de avistar o helicóptero de buscas que notara na data do desaparecimento, Roberto chegou a acreditar que as operações de resgate haviam sido encerradas, percepção agravada pelo barulho intenso da mata e da água, que abafava qualquer som externo.

A irmã do jovem, Renata, que acompanhou de perto os trabalhos de busca, expressou que seu maior temor era a hipotermia, dadas as baixas temperaturas e a umidade da região.

Já em segurança, embora ainda sem previsão de alta médica, Roberto classificou sua sobrevivência como um milagre e deixou um alerta rigoroso para que outros trilheiros não se arrisquem sem o devido preparo, agradecendo o apoio e as orações que, segundo ele, foram fundamentais para manter sua resistência física e mental.

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