Prefeito protesta contra presença de ‘polícia’ dos EUA na Itália: ‘Milícia que mata’

Giuseppe Sala, prefeito de Milão, afirmou que os agentes ‘não são bem-vindos’ no local dos Jogos Olímpicos de Inverno

População italiana protestou contra a presença de polícia norte-americana

Giuseppe Sala, prefeito de Milão, detonou a presença dos agentes do ICE (serviço de imigração e controle de alfândegas dos Estados Unidos), na Itália. Segundo os EUA, o ICE estará presente em solo italiano para trabalhar na segurança da delegação norte-americana durante os Jogos Olímpicos de Inverno.

Os Jogos serão disputados entre 6 a 22 de fevereiro. Milão é uma das sedes principais do evento. Giuseppe Sala foi contundente nas palavras em entrevista à emissora RTL 102.5 Radio.

“Esta é uma milícia que mata. Está claro que não são bem-vindos em Milão, não há dúvida disso. Será que simplesmente não podemos dizer não a Trump [presidente dos EUA] de uma vez por todas?”, pontuou.

Antonio Tajani, ministro das Relações Exteriores, concedeu uma resposta mais ponderada sobre o assunto. “Não estamos falando dos agentes do ICE que estavam nas ruas de Minneapolis… Não é como se a SS [polícia nazista] estivesse chegando”, disse, durante evento em memória do Holocausto.

A opinião é ressonante dentro da popoulação italiana. No último sábado (31), centenas de manifestantes se reuniram numa praça, em Milão, pedindo a saída dos agentes norte-americanos no país. Nas mãos, os participantes tinham cartazes em que os anéis olímpicos eram formados por algemas e, abaixo, o dizer “No ICE in Milano”, “Fora ICE de Milão”, em tradução livre.

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Mudança em nome de ‘atração’

Três esportes presentes nos Jogos Olímpicos de Inverno realizaram uma alteração no espaço de hospitalidade para atletas. De “Ice House” (casa de gelo) em tradução, para “Winter House” (casa de inverno).

“Nosso conceito de hospitalidade foi projetado para ser um espaço privado, livre de distrações, onde atletas, suas famílias e amigos possam se reunir para celebrar a experiência única dos Jogos de Inverno. Este nome captura essa visão e se conecta à temporada e ao evento”, disseram as federações à agência de notícias Reuters.

Protestos nos EUA e mortes em Minneapolis

O governador de Minnesota, Tim Walz, e o prefeito de Minneápolis, Jacob Frey, fizeram duras críticas ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, após um homem ser morto por agentes federais do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) no dia 24 de janeiro.

A vítima era estadunidense, tinha 37 anos e participava de um protesto contra as políticas migratórias promovidas pela Casa Branca na cidade.

Walz classificou a ação da ICE como “repugnante”. Mais cedo, ele afirmou que falou com o governo de Trump após “mais um tiroteio terrível”. Nas redes sociais, o democrata declarou que Minnesota “não aguenta mais”.

Foi o terceiro tiroteio envolvendo agentes da imigração em Minneápolis. No último dia 7 de janeiro, uma mulher identificada como Renee Good, também de 37 anos, foi assassinada após ter discutido com uma patrulha enquanto saía do local de carro.

Leonardo Parrela é chefe de reportagem do portal Itatiaia Esporte. É formado em Jornalismo pela PUC Minas. Antes da Itatiaia, colaborou com ge.globo, UOL Esporte e Hoje Em Dia. Tem experiência em diversas coberturas como Copa do Mundo, Olimpíada e grandes eventos.

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