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Conheça o perfil de Javier Milei, novo presidente da Argentina

Político terá como desafio implementar agenda ultraliberal diante de um cenário econômico desfavorável

Javier Milei foi eleito como próximo presidente argentino

Javier Milei foi eleito como próximo presidente argentino

Instagram/Reprodução

Javier Milei, do partido Liberdade Avança, surpreendeu mais uma vez e foi eleito neste domingo o próximo presidente a ocupar a Casa Rosada - sede do Poder Executivo na Argentina. Mas superada a campanha mais polarizada e disputada da história recente no país, Milei ainda terá que lidar com o desafio de implementar uma agenda ousada na economia e também nos costumes.

Milei, de 53 anos, é economista e possui uma trajetória meteórica na política. Após uma extensa carreira como professor universitário e consultor econômico, Milei começou em 2018 a aparecer com frequência nos principais meios de comunicação argentinos, com a divulgação de seu discurso “liberal libertário”, como ele mesmo costuma dizer. Sempre com opiniões consideradas polêmicas, foi ganhando espaço entre representantes da direita, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro e seus filhos, que o apoiam publicamente nesta eleição.

As opiniões controversas, inclusive, não são poucas. Milei, que se considera um anarco-capitalismo já se opos ao aborto, inclusive em casos de estupro, rejeitou a inclusão de educação sexual nas escolas e expressou ceticismo sobre vacinas contra a Covid-19 na época da pandemia e apoiou a venda e distribuição de armas de fogo para a população civil. Uma das posições mais polêmicas até então foi a de legalização de comércio de órgãos.

Após várias aparições na mídia e com um apoio cada vez mais explícito nas ruas da Argentina, conquistou, em 2021, o cargo de deputado federal.

Propostas e desafios

O principal mote da campanha de Milei é a “dolarização da economia”, para substituir o peso pelo dólar. Na América do Sul, o modelo já é adotado pelo Equador. A medida é vista com ceticismo por economistas.

Ainda no campo da economia, o novo presidente argentino propôs a “dinamitar” o Banco Central, acabando com a instituição responsável pela política monetária da Argentina. O desafio é impor essa agenda na economia diante de um cenário absolutamente desfavorável. Há décadas o país vizinho sofre com uma crise econômica que envolve inflação e juros exorbitantes, altos níveis de pobreza, forte desvalorização cambial e a falta de reservas.

Outro desafio é a relação internacional que a Argentina irá manter com países aliados na economia. Durante a campanha, Milei criticou abertamente a China e o Brasil - principais parceiros econômicos da Argentina. Milei também informou que pretende retirar o país do Mercosul.

Correspondente da Rádio Itatiaia em Brasília atuando na cobertura política dos Três Poderes. Mineiro formado pela PUC Minas Gerais, já teve passagens como repórter e apresentador pela Rádio BandNews FM, Jornal Metro e O Tempo. Vencedor do prêmio CDL de Jornalismo em 2021 e Amagis 2022 na categoria rádio.
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