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Tarifaço: objetivo dos EUA neste ano é diferente das sanções de 2025, aponta Edilene Lopes

Colunista apontou que esse é um momento de grande preocupação

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UN Photo/Laura Jarriel | Official White House Photo by Daniel Torok

A colunista de política da Itatiaia, Edilene Lopes, apontou que o objetivo dos Estados Unidos em taxar produtos brasileiros neste ano é diferente do que o motivou a aplicar sanções ao país no ano passado. Dessa vez Donald Trump quer favorecer a economia e soberania norte-americana com as tarifas de 25%.

"No primeiro tarifaço, vários países do mundo foram alvo da taxação, mas o Brasil teve uma majoração maior. E aí, há um entendimento, inclusive na base e na oposição, de que pode ter havido alguma influência dessa articulação do clã Bolsonaro. Agora é diferente, porque os Estados Unidos mantêm esse estudo do Escritório de Relações Comerciais Exteriores deles para vários países, aplicando tarifas similares", explicou.

"[Agora, o objetivo] é favorecer a economia interna e a soberania deles. Isso está está em linha com várias ações do governo americano, inclusive aqui no continente latino-americano, com intervenções da Venezuela, que tem mais a ver com o petróleo do que com a política, intervenções da Colômbia, que também tem o seu viés econômico", acrescentou a jornalista.

Edilene apontou que esse é um momento de grande preocupação, sobretudo se o Brasil realmente aplicar a política da reciprocidade, como é o planejamento do governo.

"É um momento de muita preocupação para o setor produtivo. Isso pode ocasionar altas de preços, não só nos Estados Unidos, mas aqui no Brasil também. A situação é crítica, porque a indústria vai ficar com material estocado. Enfim, altera todos os parâmetros da economia dos principais carros chefes da economia brasileira. É uma situação muito complexa, que passa pela política doméstica e no meio disso tem uma briga entre Flávio Bolsonaro e o presidente Lula", concluiu a colunista.

Tarifaço

O governo dos Estados Unidos confirmou, na noite dessa quinta-feira (15), a aplicação de novas tarifas contra produtos brasileiros. O presidente americano, Donald Trump, acatou uma recomendação do Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR, na sigla em inglês) e impôs uma alíquota adicional de 25% sobre uma série de mercadorias. O novo tarifaço advém de uma investigação do órgão estadunidense que ocorria desde que Trump anunciou a primeira sobretaxa sobre o Brasil, de 50%, em julho de 2025.

O USTR determinou que políticas do governo brasileiro sobre comércio digital, tarifas preferenciais, combate à corrupção, processamento de patentes e pirataria, etanol e desmatamento ilegal geram insegurança jurídica e competição desleal aos players dos EUA.

Porém, a SPE (Secretaria de Política Econômica) do Ministério da Fazenda avalia que, caso sejam implementadas, as novas tarifas dos Estados Unidos às exportações brasileiras devem ter impacto "reduzido" na economia brasileira, segundo o boletim macrofiscal divulgado mais cedo nessa quinta.

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