EUA podem rever ações se Brasil retaliar tarifaço, diz representante
Representante de Comércio dos EUA, Jamieson Greer, citou questões como mercado de etanol e regimes preferenciais, enquanto o ministro da Fazenda, Dario Durigan, cogita retomar a Lei de Reciprocidade

O governo dos Estados Unidos afirmou, nesta quarta-feira (15), que pode rever as medidas comerciais adotadas contra o Brasil caso haja uma resposta do governo brasileiro ao novo tarifaço anunciado por Washington. A declaração foi feita por Jamieson Greer, representante de Comércio dos EUA, após a oficialização de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros nesta quinta-feira (16).
Greer ressaltou: "Não é de interesse de ninguém que ocorram retaliações". O representante americano enfatizou, contudo, que o governo dos EUA permanece aberto ao diálogo, apesar das tentativas de negociação terem citado uma "distância" entre os países.
Segundo Greer, os Estados Unidos esperam que o Brasil conceda às empresas americanas o mesmo acesso a regimes preferenciais oferecidos a outros países. Greer reiterou que "não é segredo o que queremos" e citou como exemplos o mercado de etanol e os regimes preferenciais concedidos pelo Brasil. Ele completou: "Vocês fecharam o mercado de etanol. Voltem a ter tarifas recíprocas e igualitárias. Gostaríamos de ter acesso a regimes preferenciais".
O governo dos Estados Unidos oficializa nesta quinta-feira (16) a aplicação de um novo tarifaço contra produtos brasileiros. O presidente americano Donald Trump acatou recomendação do Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) e decidiu impor uma alíquota adicional de 25% sobre uma série de produtos brasileiros.
Segundo Jamieson Greer, a lista de produtos tarifados seria publicada ainda nesta noite. Ele adiantou, porém, que café e carnes – bens de relevância na balança comercial entre o Brasil e os EUA – estariam isentos. "O presidente tomou a decisão de tomar ação responsiva", declarou Greer.
Anteriormente, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que avaliava como provável uma retomada no processo da Lei de Reciprocidade caso o novo tarifaço se confirmasse. O Brasil já havia rebatido a imposição de tarifas, argumentando que os EUA não tinham base para isso.
"A gente chegou a suspender a tramitação do processo de reciprocidade, seguindo a lei do Congresso Nacional, quando houve uma espécie de volta atrás no tarifaço. Com isso agora, acho que é provável que a gente, uma vez consultado o presidente Lula, retome o processo de reciprocidade", completou Durigan.
O novo tarifaço é oriundo de uma investigação do USTR que vinha se desenvolvendo desde que Trump anunciou a primeira tarifa de 50% contra o Brasil, em julho de 2025.
No começo de junho deste ano, o USTR propôs a imposição de novas tarifas de 25% sobre todas as importações do Brasil no âmbito da Seção 301 da Lei de Comércio norte-americana – ferramenta de política comercial que permite aos EUA investigarem e retaliarem outras nações contra práticas comerciais consideradas injustas.
O órgão determinou que políticas do governo brasileiro sobre comércio digital, tarifas preferenciais, combate à corrupção, processamento de patentes e pirataria, etanol e desmatamento ilegal geram insegurança jurídica e competição desleal aos "players" dos EUA.
O representante de Comércio dos EUA se referiu ao Pix como um "campeão nacional" que "promove condições desleais de competição no comércio eletrônico".
Ao se referir a regimes tarifários preferenciais do Brasil a países como México e Índia, Greer afirmou que os Estados Unidos têm interesse de serem incluídos em acordos semelhantes para que os exportadores norte-americanos possam competir em pé de igualdade.
Sobre desmatamento, ele reconheceu que o Brasil mobiliza uma legislação para combater a atividade ilegal, mas reiterou que a investigação apurou que a aplicação legal tem falhado.
Segundo a autoridade, a ação de tarifar o país visa "eliminar as práticas desleais de comércio investigadas".
Porém, a Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda avalia que, caso sejam implementadas, as novas tarifas dos Estados Unidos às exportações brasileiras devem ter impacto "reduzido" na economia brasileira, segundo o boletim macrofiscal divulgado mais cedo nesta quinta-feira (16).
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