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EUA indicam tarifaço ao governo brasileiro e mencionam novas exceções

Chefe do USTR dá negociações por encerrado e avisa que já levou recomendação final para Donald Trump

Por e Brasília
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump • Official White House Photo by Molly Riley.

O chefe do Escritório do Representante Comercial da Casa Branca (USTR), Jamieson Greer, disse a interlocutores do governo Lula (PT) que já levou para o presidente Donald Trump a recomendação final de um novo tarifaço sobre produtos brasileiros, mas sinalizou um aumento da lista de exceções. A informação é da CNN Brasil.

Na reunião realizada entre Brasil e Estados Unidos nessa terça-feira (14), segundo a CNN, Jamieson Greer, afirmou que as negociações haviam chegado ao fim e criticou o que classificou como falta de empenho do governo brasileiro.

A avaliação de Greer, no entanto, foi contestada de imediato por integrantes da delegação brasileira, entre eles o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Márcio Elias Rosa, além dos embaixadores Mauricio Lyrio, um dos principais negociadores do Itamaraty, e Audo Faleiro, assessor internacional da Presidência da República.

Lula teve encontro com o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, nesta manhã.

Na tentativa de evitar a medida, o governo brasileiro apresentou aos norte-americanos um conjunto de propostas para atender parte das preocupações levantadas na investigação. Entre elas, a possibilidade de reduzir tarifas de centenas de produtos importados. O Planalto, porém, manteve fora das negociações temas considerados inegociáveis, como o PIX e mudanças na política para o etanol.

Possíveis consequências

À Itatiaia, o contador e consultor tributário Francisco Arrighi avalia que, com isso, os primeiros efeitos devem aparecer na inflação e no câmbio. Segundo ele, o Brasil terá evidentemente um dólar mais alto e uma barreira muito forte, ou seja, haverá normalmente uma desvalorização do real frente ao dólar.

Arrighi afirma ainda que a medida poderá provocar uma "inflação importada", com aumento nos preços de fertilizantes, máquinas e equipamentos de tecnologia adquiridos dos Estados Unidos.

Na avaliação do especialista, esse cenário também tende a manter os juros elevados: "O Banco Central vai ser obrigado a manter a taxa Selic, que hoje já está muito elevada. Com isso, teremos um aumento dos preços automaticamente", afirmou ele.

Tentativas

Há cerca de dez dias, houve uma reunião técnica entre negociadores dos dois países, e o Brasil apresentou uma proposta de encaminhamento acerca dos seis pontos levantados pelo USTR na abertura da investigação comercial, mas não recebeu resposta.

Em razão do prazo dado pelo governo americano, um eventual adiamento do tarifaço passou a ser considerado “improvável” pelo governo brasileiro, mesmo assim, no início da manhã de terça-feira, auxiliares do presidente Lula passaram a tentar contato com interlocutores de Donald Trump para tentar uma nova rodada de negociação.

Por, Repórter

João Pedro Melo é jornalista, formado pelo UniCEUB. Tem mais de dez anos de experiência na cobertura de Congresso Nacional, Palácio do Planalto e Supremo Tribunal Federal. Teve passagens pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação como repórter de política na TV e no rádio.

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Aline Pessanha é jornalista, com Pós-graduação em Marketing e Comunicação Integrada pela FACHA - RJ. Possui passagem pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação, como repórter de TV e de rádio, além de ter sido repórter na Inter TV, afiliada da Rede Globo.