Como o Brasil triplicou a produção de alimentos sem ampliar a área cultivada
Antônio de Salvo, presidente da Faemg, explica que o ganho de produtividade veio com avanças proporcionados pela tecnologia

O Brasil se consolidou como uma das maiores potências agrícolas do mundo sem expandir proporcionalmente sua área de produção. Nas últimas décadas, o país multiplicou sua capacidade de produzir alimentos graças ao avanço da tecnologia, da genética e da gestão no campo.
Durante entrevista ao Itatiaia Negócios Cast, o presidente do Sistema Faemg Senar, Antônio de Salvo, afirmou que esse crescimento foi resultado do aumento da produtividade, e não da ocupação de novas áreas.
Segundo ele, no fim da década de 1990 o Brasil produzia cerca de 100 milhões de toneladas de grãos. Atualmente, esse volume supera 350 milhões de toneladas, utilizando praticamente a mesma área cultivada.
"Hoje algumas regiões do Brasil plantam três safras. Não é porque expandimos a área. Nós passamos a produzir duas e até três vezes no mesmo lugar."
Segundo Antônio de Salvo, a transformação do agronegócio brasileiro aconteceu principalmente dentro das propriedades rurais.
"O que mais mudou foi a tecnologia. E tecnologia não é só máquina. É conhecimento, manejo, alimentação, genética e gestão."
Antônio de Salvo explica que muitas vezes pequenas mudanças de manejo já produzem resultados expressivos.
Segundo ele, uma alimentação mais equilibrada para o rebanho, melhorias no conforto dos animais e técnicas de manejo podem aumentar significativamente a produtividade sem necessidade de ampliar a área utilizada.
"Você melhora a alimentação, melhora o conforto da vaca e aumenta a produção de leite. Isso também é tecnologia."
Ao comentar as críticas relacionadas ao desmatamento, o presidente do Sistema Faemg Senar afirma que parte delas decorre do desconhecimento sobre a realidade da produção brasileira.
"Parte vem do desconhecimento. Parte vem por ideologia. E uma grande parte é externa para diminuir a competitividade do Brasil."
Segundo Antônio de Salvo, o crescimento da produção agropecuária brasileira ocorreu justamente porque o país passou a produzir mais na mesma área. Na pecuária, por exemplo, ele afirma que hoje é possível produzir mais carne utilizando menos pastagens graças ao melhoramento genético e à evolução das técnicas de produção.
Outro dado destacado por Antônio de Salvo é o percentual do território brasileiro preservado.
"O Brasil tem 65,6% do território totalmente preservado."
Além disso, ele lembra que o próprio Código Florestal exige que produtores rurais mantenham áreas de preservação dentro das propriedades, variando conforme o bioma.
Para Antônio de Salvo, o maior desafio agora não é ampliar a fronteira agrícola, mas recuperar áreas já utilizadas.
Segundo ele, o Brasil possui entre 35 e 40 milhões de hectares de áreas degradadas ou semidegradadas que podem voltar a produzir com investimentos em correção de solo, genética e tecnologia.
"Nós podemos crescer muito sem abrir novas áreas."
Antônio de Salvo também destaca que o pequeno produtor ainda possui enorme potencial para aumentar sua produtividade por meio da assistência técnica e da adoção de novas tecnologias.
Na avaliação dele, o futuro do agronegócio será ainda mais tecnológico.
"O campo vai se transformar em um lugar altamente tecnológico."
Ao longo da entrevista, Antônio de Salvo também falou sobre sucessão familiar, inteligência artificial, agricultura de precisão, comunicação do agronegócio, pequenos produtores e os desafios para aproximar o campo da sociedade.
O episódio completo está disponível no Itatiaia Negócios Cast, com novos episódios às terças-feiras, às 19h, no YouTube da Itatiaia e nas principais plataformas de áudio.
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Confira a entrevista completa:
Leonardo Bortoletto é empresário e apresentador do Itatiaia Negócios Cast e comentarista do Conversa de Redação. Com olhar estratégico para gestão e mercado, entrevista líderes que impulsionam decisões e transformações reais.



