Custo Brasil: o preço invisível que trava a indústria brasileira
Flávio Roscoe explica que alguns encargos são incorporados ao custo de produção e não atingem produtos importados, reduzindo a competitividade nacional

Produzir no Brasil custa cada vez mais caro para a indústria nacional. Além da carga tributária conhecida pelos empresários, existe um conjunto de encargos pouco percebidos pela população que, segundo Flávio Roscoe, presidente licenciado da FIEMG, reduz a competitividade da produção brasileira frente aos produtos importados.
No Itatiaia Negócios Cast, o empresário explicou por que esse cenário se consolidou ao longo dos últimos anos e alertou para os impactos do chamado Custo Brasil oculto sobre a indústria nacional.
Segundo Roscoe, o problema vai muito além dos impostos tradicionais.
“Existe o chamado Custo Brasil oculto.”
O executivo explica que diversos encargos criados pelo poder público não aparecem como tributos, mas acabam incorporados ao custo de produção das empresas.
“Só nesse governo, esse custo foi aumentado em cerca de R$ 150 bilhões por ano.”
Na prática, esses custos acabam sendo incorporados ao preço final dos produtos ou estimulam a substituição da produção nacional por itens importados.
“Esse custo é repassado para o consumidor ou então o produto acaba sendo importado.”
Segundo Roscoe, um dos principais problemas é que essas cobranças não atingem os produtos importados da mesma forma.
“O importado não paga.”
Na avaliação do empresário, isso cria uma concorrência desigual entre a indústria brasileira e os fabricantes estrangeiros.
“Esse é o Custo Brasil oculto. É aquele que não gera paridade com o produtor internacional.”
O impacto também chega ao consumidor. Como exemplo, Roscoe afirma que um mesmo produto pode custar muito mais caro quando é fabricado no Brasil.
“É por isso que, muitas vezes, o mesmo carro, do mesmo fabricante, custa muito mais caro no Brasil do que em outros países.”
Apesar desse cenário, o presidente licenciado da FIEMG defende que fortalecer a produção nacional continua sendo essencial para o desenvolvimento econômico do país.
Durante o quadro Raio X, ele foi enfático ao responder se prefere fabricar no Brasil ou importar produtos mais baratos.
“Produzir no Brasil sempre.”
Segundo ele, cada produto fabricado no país gera empregos, renda e riqueza para a própria sociedade brasileira.
“Toda vez que a gente opta por importar, está gerando riqueza em outro lugar.”
Para Roscoe, o Brasil precisa oferecer aos produtores nacionais condições semelhantes às enfrentadas pelos concorrentes internacionais.
“O Brasil precisa dar aos produtores nacionais as mesmas condições dos produtos importados.”
Ao longo da entrevista, o empresário também defendeu que o Brasil precisa abandonar decisões voltadas apenas para o curto prazo. Na avaliação de Roscoe, o país acaba permanecendo em uma zona de conforto, adiando escolhas estruturais que exigem sacrifícios no presente para gerar resultados no futuro.
“O Brasil continua sendo o país do futuro e não o país do presente.”
Para o presidente licenciado da FIEMG, esse cenário só poderá ser transformado com mais produtividade e decisões capazes de gerar riqueza de forma sustentável.
“Tudo que aumenta produtividade gera riqueza.”
Na visão de Roscoe, essa deveria ser a principal pergunta diante de qualquer política pública.
“Ela aumenta ou reduz a produtividade da sociedade?”
Ao longo da entrevista, Flávio Roscoe também falou sobre o papel histórico da indústria no desenvolvimento de Minas Gerais, empresas centenárias, inteligência artificial, inovação, agronegócio, formação de líderes e os desafios para tornar o Brasil mais competitivo diante da concorrência internacional.
O episódio completo está disponível no Itatiaia Negócios Cast, com novos episódios às terças-feiras, às 19h, no YouTube da Itatiaia e nas principais plataformas de áudio.
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Confira a entrevista completa:
Leonardo Bortoletto é empresário e apresentador do Itatiaia Negócios Cast e comentarista do Conversa de Redação. Com olhar estratégico para gestão e mercado, entrevista líderes que impulsionam decisões e transformações reais.



