Crise mundial do cacau abre oportunidade para o Brasil voltar ao protagonismo
Matheus Pedrosa avalia que o país precisa investir em produtividade, inovação e agregação de valor à cadeia do cacau para recuperar relevância no mercado mundial

O mercado mundial do cacau vive um dos momentos mais desafiadores das últimas décadas. Problemas climáticos, doenças nas lavouras e dificuldades estruturais nos principais países produtores reduziram a oferta da commodity e provocaram uma alta histórica nos preços. Para Matheus Pedrosa, presidente da Fralía Cacau Brasil e presidente do Conselho de Tecnologia e Inovação da FIEMG, esse cenário cria uma oportunidade para o Brasil ampliar sua produção e conquistar espaço no mercado internacional.
Durante entrevista ao Itatiaia Negócios Cast, o executivo afirmou que o país reúne condições para crescer de forma competitiva, aproveitando um momento em que grandes produtores mundiais enfrentam dificuldades.
"O Brasil está vivendo um momento que não pode deixar escapar."
Segundo Matheus Pedrosa, cerca de 70% da produção mundial de cacau está concentrada na África, principalmente na Costa do Marfim e em Gana. Nos últimos anos, esses países passaram a enfrentar problemas provocados pelas mudanças climáticas, pelo El Niño, por doenças nas plantações e também por questões estruturais e socioeconômicas.
Na avaliação do empresário, essa combinação provocou um desequilíbrio entre oferta e demanda, alterando significativamente o mercado internacional do cacau.
"Já existia uma previsão de que a produção mundial entraria em colapso e isso acabou acontecendo no final de 2023."
Com a redução da oferta, o preço da commodity atingiu níveis recordes. O cacau, que durante muitos anos foi comercializado entre US$ 2 mil e US$ 4 mil por tonelada, chegou a alcançar aproximadamente US$ 12 mil. Apesar da retração posterior, os preços permanecem em um patamar superior ao histórico, variando entre US$ 5 mil e US$ 6 mil por tonelada.
Para Matheus Pedrosa, esse novo cenário cria uma oportunidade para países capazes de ampliar rapidamente sua produção.
"O Brasil tem terra, tecnologia, estrutura e clima para ampliar a produção."
O executivo destaca que o país possui condições de recuperar relevância no mercado internacional, desde que invista em produtividade, inovação e agregação de valor à cadeia do cacau.
Segundo ele, Minas Gerais também pode desempenhar um papel importante nesse processo. O estado já conta com áreas de cultivo no Norte de Minas e novos projetos começam a surgir em outras regiões, impulsionados por pesquisas, programas de incentivo e investimentos em tecnologia.
"Eu acredito muito no potencial de Minas Gerais. O estado já é muito forte no agronegócio e pode se tornar também uma referência no cacau."
Durante a entrevista, Matheus Pedrosa também defendeu que o Brasil avance na industrialização do cacau, reduzindo a dependência da exportação de matéria-prima e aumentando a participação em produtos de maior valor agregado.
"Não há problema em exportar commodities. O problema é exportar apenas commodities."
Na avaliação do empresário, fortalecer toda a cadeia produtiva permitirá gerar mais riqueza, ampliar a competitividade da indústria nacional e criar novas oportunidades para o agronegócio brasileiro.
Ao longo da entrevista, Matheus Pedrosa também falou sobre o crescimento da produção de cacau em Minas Gerais, inovação na indústria, investimentos em tecnologia, linhas de crédito para o setor, os impactos da alta do chocolate no mercado e as tendências para o consumo de alimentos nos próximos anos.
O episódio completo está disponível no Itatiaia Negócios Cast, com novos episódios às terças-feiras, às 19h, no YouTube da Itatiaia e nas principais plataformas de áudio.
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Confira a entrevista completa:
Leonardo Bortoletto é empresário e apresentador do Itatiaia Negócios Cast e comentarista do Conversa de Redação. Com olhar estratégico para gestão e mercado, entrevista líderes que impulsionam decisões e transformações reais.



