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Inovação é copiar e melhorar

Alexandre Poni conta como pesquisa, curadoria, gastronomia e experiência ajudam o Verdemar a transformar referências em soluções próprias

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Alexandre Poni durante entrevista para a Itatiaia
Alexandre Poni durante entrevista para a Itatiaia • Reprodução | Youtube Itatiaia

“Eu não inventei nada. Eu copiei, copiei melhorando.” A frase de Alexandre Poni resume uma das características que ele atribui à forma como o Verdemar trabalha inovação. Para o empresário, inovar não significa necessariamente criar algo do zero, mas observar o que acontece em outros mercados, entender o comportamento do consumidor e adaptar aquilo que pode funcionar dentro da empresa.

“Eu via alguma coisa que estava acontecendo em algum lugar e pensava: isso pode funcionar aqui?”, conta. A pesquisa faz parte da rotina. Alexandre afirma que participa de três ou quatro feiras na Europa por ano, fotografa produtos e fornecedores e utiliza essas referências para buscar novidades.

Um dos exemplos citados por ele é o sushi. “Eu vi em Salvador e trouxe para cá. A gente adaptou, trabalhou o produto e ele acabou ficando famoso no Verdemar.” A lógica, portanto, não é simplesmente copiar, mas adaptar e melhorar a partir da realidade do consumidor.

Alexandre também se coloca como parte desse processo de pesquisa. “Eu sou consumidor, sou usuário, gosto de gastronomia e estou sempre pesquisando.” Para ele, essa relação direta com produtos e gastronomia ajuda a perceber mudanças de comportamento e antecipar tendências.

Essa visão aparece na própria definição que ele faz da empresa: “O Verdemar é um DNA de gastronomia.”

A seleção dos produtos passa por uma comissão. “Não existe elasticidade de prateleira. Se entra um produto novo, outro precisa sair. Então você precisa escolher muito bem.” A curadoria, segundo Alexandre, é necessária porque a variedade precisa estar associada a uma escolha criteriosa.

O empresário também destaca a qualidade dos produtos brasileiros e a preocupação com categorias ligadas ao bem-estar. “A gente tem um espaço de bem-estar, com produtos sem glúten, sem lactose, orgânicos.” Segundo ele, existe ainda uma equipe de nutrição que “avalia os rótulos e olha o que está sendo colocado ali”.

A gastronomia não aparece apenas na seleção dos produtos. Ela também está presente na experiência oferecida dentro das lojas. “A gente gosta de gastronomia”, afirma Alexandre, ao citar a parrilla uruguaia, o buffet de saladas do Belvedere e o café da manhã de fim de semana com pianista.

A proposta é fazer com que o supermercado seja mais do que um local de compra. “A ideia é criar experiência.” E essa experiência, para ele, precisa considerar aquilo que o consumidor encontra no ambiente físico.

“O que os olhos veem e o coração sente é importante”, afirma.

Essa relação entre preço e experiência é outro ponto abordado por Alexandre. Ele rejeita a ideia de que o consumidor não faça comparação de preços. “O consumidor não é bobo. A gente pesquisa preço. Pesquisa o concorrente, pesquisa o mercado. A gente procura estar equilibrado.”

Ao mesmo tempo, ele explica por que o Verdemar pode transmitir ao consumidor a sensação de ser mais caro: “Às vezes a pessoa acha que o Verdemar é caro porque entra para comprar uma coisa e encontra muitas outras. A variedade faz com que ela compre mais.”

Para Alexandre, portanto, preço e experiência não são conceitos excludentes. “Os dois são importantes. O consumidor quer preço, mas também quer experiência.”

A democratização de produtos de delicatessen também aparece como parte dessa estratégia. “A gente democratizou produtos de delicatessen. Trouxe produtos que eram muito caros e pouca gente consumia para dentro do supermercado.”

Ele lembra uma ação com salmão vendido por R$ 9,90. Mais do que oferecer o produto, a empresa também ensinava o consumidor a prepará-lo. “Naquela época não tinha internet para a pessoa pesquisar. Então a gente também levava informação e experiência.”

Essa preocupação com a experiência passa também pelas pessoas que trabalham nas lojas. Alexandre considera que um bom ambiente, benefícios e identificação com o atendimento são importantes para manter os funcionários.

“Varejo é difícil porque você trabalha sábado, domingo, feriado. Então você precisa criar condições para que a pessoa queira permanecer.”

O Verdemar passou a testar uma nova jornada em alguns setores. “A pessoa trabalha três dias, folga três, trabalha dois e folga três. São 15 dias por mês.”

A mudança tem um custo. “O custo de pessoal subiu entre 15% e 18%”, afirma. Ainda assim, Alexandre apresenta a medida como uma aposta para preservar o serviço: “É uma aposta para reter as pessoas e preservar o serviço e a qualidade.”

A preocupação com a equipe chega também à alimentação. “Temos cerca de 5.500 refeições por dia.” Segundo Alexandre, a distribuição das cozinhas ajudou a melhorar a qualidade da comida. “Quando diminuímos uma cozinha, conseguimos melhorar a qualidade e os funcionários passaram a comer mais.”

Para ele, “a satisfação das pessoas é o objetivo”.

A mesma lógica de experiência aparece quando Alexandre fala sobre o futuro das lojas físicas. O avanço digital é reconhecido como uma ameaça, mas não elimina, na visão dele, a importância do espaço físico.

“Eu acho que as pessoas gostam da loja física. Principalmente quando você está falando de alimento. A pessoa quer ver, pegar, olhar.”

Por isso, ele imagina um supermercado cada vez mais associado a outras atividades. “O supermercado pode ser cada vez mais gastronomia, entretenimento, escolha, opinião e pesquisa. Pode ser um centro de experiência.”

A relação entre mudança de comportamento e consumo também aparece quando Alexandre responde à pergunta de Walker Lahmann, da Eurofarma, sobre as canetas emagrecedoras. Para ele, o efeito pode aparecer principalmente na quantidade e na qualidade dos alimentos consumidos.

“Eu acho que pode. A pessoa pode passar a comer menos quantidade, mas talvez com mais qualidade.”

Alexandre diz que já ouviu relatos de outros países sobre mudanças no consumo e cita também o impacto sobre o fast-food. “Eu acho que vai existir uma mudança na seleção. Talvez menos quantidade e mais qualidade.”

Mesmo com essas transformações, ele ressalta que a busca por prazer na alimentação não desaparece. “A indulgência continua existindo. Você pode comer menos, mas querer comer melhor.”

Ao longo da entrevista, Alexandre relaciona inovação, curadoria, gastronomia, atendimento e experiência como elementos que fazem parte da construção do Verdemar.

O episódio completo está disponível no Itatiaia Negócios Cast, que vai ao ar todas as terçasfeiras, às 19h, no YouTube da Itatiaia e nas principais plataformas de áudio.

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Confira a entrevista completa:

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Leonardo Bortoletto é empresário e apresentador do Itatiaia Negócios Cast e comentarista do Conversa de Redação. Com olhar estratégico para gestão e mercado, entrevista líderes que impulsionam decisões e transformações reais.

 

 

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