Itabira busca transformar rejeitos da mineração em novos negócios
Para Marco Antônio Lage, a industrialização pode contribuir para que os municípios mineradores mantenham atividades econômicas e empregos mesmo diante da futura redução da extração mineral

Com 12 novos cursos previstos na Unifei, município aposta em tecnologia, qualificação profissional e reaproveitamento de resíduos minerais para diversificar a economia e criar oportunidades de trabalho.
A ampliação da formação universitária, o desenvolvimento de novas tecnologias e o reaproveitamento de rejeitos minerais estão entre as estratégias de Itabira para diversificar sua economia. Em entrevista ao Itatiaia Negócios Cast, o prefeito Marco Antônio Lage destacou a previsão de 12 novos cursos na Universidade Federal de Itajubá (Unifei), além do potencial de transformar resíduos da mineração em matéria-prima para novas atividades industriais.
Ao falar sobre a preparação da cidade para o futuro, o prefeito ressaltou a importância de investir simultaneamente em infraestrutura e qualificação profissional.
“Você tem infraestrutura de um lado e no outro você tem que preparar a nossa mão de obra, os nossos jovens para essas novas atividades, essas novas profissões do futuro”, afirmou.
UNIFEI PREVÊ 12 NOVOS CURSOS
Segundo Lage, a Unifei está concluindo obras de novas edificações em Itabira e trabalha para ampliar a oferta de cursos. A iniciativa, de acordo com o prefeito, foi acordada com o Ministério da Educação e está direcionada às demandas da nova economia, especialmente nas áreas de tecnologia e formação profissional.
“Mas a gente está dando um grande salto, terminando obras agora, de novas edificações da própria estrutura da universidade, mas também trazendo mais 12 cursos, isso já é um acordo com o Ministério da Educação. São cursos direcionados a essa nova economia que pretendemos e principalmente baseada na tecnologia”, disse.
A proposta é preparar profissionais para novas atividades econômicas e desenvolver conhecimento aplicado às necessidades da região. Entre as áreas destacadas pelo prefeito está a pesquisa voltada ao aproveitamento dos rejeitos da mineração, com possibilidades de aplicação industrial.
REAPROVEITAMENTO DE REJEITOS DA MINERAÇÃO
Lage afirmou que Itabira tem cerca de 500 milhões de metros cúbicos de rejeitos de minério e mencionou 15 barragens em processo de descomissionamento. Segundo ele, parte desse material pode ser reaproveitada como minério de ferro, enquanto outros resíduos podem ganhar destinações na construção civil.
“A ideia é trabalhar parte desse rejeito, além da remineração desse rejeito que a Vale com as novas tecnologias vai reminerar e vai reaproveitar parte desse rejeito como minério de ferro, fazendo blend, fazendo a mistura”, afirmou.
O prefeito também apontou a possibilidade de utilizar o material remanescente na fabricação de produtos como blocos, cerâmicas, tijolos, telhas e pisos.
“Mas também aproveitando o rejeito do rejeito, vamos chamar assim, para construção civil, para construção pesada, para fazer blocos, para fazer cerâmicas, para fazer tijolo, para fazer telhas, para fazer pisos.”
A perspectiva, segundo Lage, envolve pesquisa, desenvolvimento tecnológico e testes para viabilizar o uso desses materiais em novas cadeias produtivas.
“Tudo isso dentro de uma mineração circular que vai permitir também o desenvolvimento de tecnologias, de conhecimento, de teste, de pesquisa, desenvolvimento para aproveitamento desse material”, disse.
TERRAS RARAS E MINERAIS ESTRATÉGICOS
Outro eixo apontado pelo prefeito é o desenvolvimento da indústria de terras raras e de minerais críticos e estratégicos no Brasil. Lage afirmou integrar o Conselho Estratégico voltado à industrialização desses recursos e defendeu que o país avance no beneficiamento e no processamento dos minerais.
“O que a gente vai defender aí já como AMIG também, como presidente da AMIG, como representante dos municípios mineradores, é que os nossos minerais raros, estratégicos, eles sejam beneficiados, industrializados no Brasil, criando valor e desenvolvendo uma nova indústria para os territórios minerados”, afirmou.
Para o prefeito, a industrialização pode contribuir para que os municípios mineradores mantenham atividades econômicas e empregos mesmo diante da futura redução da extração mineral. “Para que depois da exaustão mineral, a gente não fique na mão, a gente não fique no esvaziamento, no empobrecimento e essa indústria ela continua gerando empregos e conhecimento”, disse.
Lage também defendeu que o Brasil avance na produção de bens com maior valor agregado, em vez de exportar apenas matérias-primas. Como exemplo, citou o nióbio e a possibilidade de fabricar componentes utilizados pela indústria.
“Quanto mais valor agregado, melhor para a nação que o produz, né? E mais empregos qualificados”, afirmou.
FORMAÇÃO PROFISSIONAL PARA NOVAS OPORTUNIDADES
Além da Unifei, Lage citou o Instituto Federal como parte da estrutura de formação técnica necessária para preparar trabalhadores para as novas atividades industriais.
A estratégia busca aproximar educação, pesquisa e desenvolvimento econômico, criando condições para que os jovens encontrem oportunidades profissionais em Itabira e na região. Na avaliação do prefeito, a diversificação depende tanto da preparação de mão de obra quanto dos investimentos necessários para atrair novos negócios.
A ampliação dos cursos, o reaproveitamento de rejeitos e a industrialização de minerais estratégicos integram, assim, a perspectiva apresentada por Lage para desenvolver novas atividades econômicas no município e reduzir a dependência histórica da mineração.
A entrevista com Marco Antônio Lage integra o episódio 49 do Itatiaia Negócios Cast, apresentado por Leonardo Bortoletto. O episódio completo está no ar, no YouTube da Itatiaia e nas principais plataformas de áudio.
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Confira a entrevista completa:
Leonardo Bortoletto é empresário e apresentador do Itatiaia Negócios Cast e comentarista do Conversa de Redação. Com olhar estratégico para gestão e mercado, entrevista líderes que impulsionam decisões e transformações reais.



