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Logística é decisiva para a competitividade da mineração brasileira, diz José Carlos Martins

José Carlos Martins, presidente do conselho de administração da Cedro Participações fala sobre os desafios da mineração brasileira e as estratégias para ampliar a produção e o acesso aos mercados internacionais

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José Carlos Martins, presidente do conselho de administração da Cedro Participações
José Carlos Martins tem quase 60 anos de experiência profissional • Reprodução | Youtube Itatiaia

Presidente do conselho de administração da Cedro Participações fala sobre investimentos, integração entre minas, ferrovias e portos, infraestrutura chinesa e os desafios para ampliar a competitividade do minério brasileiro.

A logística é um dos fatores que determinam a competitividade da mineração. O acesso aos mercados consumidores, a integração entre minas, ferrovias e portos e os custos de transporte influenciam diretamente o valor dos ativos minerais e a capacidade de disputar espaço no mercado internacional.

No episódio 48 do Itatiaia Negócios Cast, Leonardo Bortoletto conversa com José Carlos Martins, presidente do conselho de administração da Cedro Participações, sobre os desafios da mineração brasileira e as estratégias para ampliar a produção e o acesso aos mercados internacionais.

Com cerca de 60 anos de experiência profissional, Martins relembra momentos marcantes de sua trajetória, incluindo a atuação na Vale durante a crise de 2008, quando a empresa passou a enviar minério de ferro para a China sem pedidos previamente definidos. Ele também explica por que a integração logística é importante para valorizar os ativos minerais e apresenta o plano de investimentos da Cedro, que prevê R$ 5 bilhões para alcançar uma produção anual de 20 milhões de toneladas entre 2030 e 2032, conforme o avanço dos projetos e a obtenção das licenças.

A entrevista aborda ainda as diferenças de infraestrutura entre Brasil e China, a qualidade do minério de ferro, a descarbonização da siderurgia e a relação entre mineração, desenvolvimento econômico e comunidades.

Leia a entrevista completa:

Leonardo Bortoletto: Você tem uma longa trajetória no setor. Para começar, conte um pouco da sua história na área da mineração.

José Carlos Martins: Sou executivo ligado ao setor mineral e siderúrgico. Trabalhei muitos anos em siderurgia e, nos últimos 20 anos, estou envolvido com mineração. É uma sequência natural, porque o aço e o minério andam no mesmo rio, mas não no mesmo barco. Todo minério de ferro vai para a fabricação de aço. Os setores siderúrgico e mineral estão muito interligados.

Leonardo Bortoletto: Com toda essa experiência, o que a prática ensinou de diferente em relação ao que você aprendeu na escola e na universidade?

José Carlos Martins: Eu diria que tudo o que aprendi de fato foi na prática. A escola e a universidade me deram o arcabouço, as técnicas. Mas o que aprendi foi na prática. É difícil sair da escola e aplicar diretamente na vida tudo aquilo que você aprendeu.

Trabalho no mundo dos negócios há 60 anos. Comecei aos 15, em uma siderúrgica no interior de São Paulo. Acompanhei os acontecimentos do Brasil e os esforços feitos para desenvolver a siderurgia. Mais recentemente, passei a trabalhar na área mineral.

Talvez a experiência mais marcante da minha carreira tenha sido a passagem pela Vale. É uma empresa de projeção internacional, com uma operação logística extraordinária, que abastece altos-fornos pelo mundo inteiro, desde as minas até os clientes.

Leonardo Bortoletto: Você mencionou a Vale. Como a crise de 2008 marcou sua trajetória profissional?

José Carlos Martins: Na época, a Vale vendia o minério na condição FOB, em que o cliente vinha buscar o produto. Em determinado momento, ninguém vinha buscar minério, mas a produção continuava: eram 25 milhões de toneladas por mês. O que você faz? Para a mina, a ferrovia e o porto?

Tomamos uma decisão que teve impacto em toda a indústria. Passamos a contratar navios, colocar o minério dentro deles e mandar para a China sem pedido, sem encomenda e sem ter
definido quem receberia o produto no destino.

A viagem levava cerca de 45 dias. O australiano estava a 15 dias da China, enquanto nós estávamos a 45. Chegamos a ter 40 milhões de toneladas navegando para a China sem pedidos,
o equivalente a dois meses de produção, em mais de 100 navios. Eu chamava aquilo de armada.

Enchemos os navios, mandamos o minério e enviei toda a equipe comercial para a China com uma missão: vender aquele produto. Vendemos tudo. A partir daí, o mercado mudou, porque passamos a vender na condição CIF.

Mudamos conceitos que a indústria mantinha havia mais de 40 anos, incluindo o sistema de preços de referência e a forma de comercialização. Se não fosse a crise, provavelmente não teríamos feito essas mudanças. A crise obriga você a adotar soluções que muitas vezes não estavam no papel.

Essa foi uma das experiências que mais me ensinaram. Às vezes, é da dificuldade que nascem soluções inovadoras.

Leonardo Bortoletto: Depois de trabalhar em grandes corporações, como a Vale e a CSN, o que muda ao assumir um papel em uma empresa que ainda está construindo sua história, como a Cedro?

José Carlos Martins: É uma questão de desafio. A Vale, a CSN e a maioria das empresas pelas quais passei eram grandes corporações. Quando você tem um fluxo de caixa forte, consegue adotar soluções com mais facilidade. Em uma empresa que está em crescimento, o desafio financeiro é diferente.

Acompanho o desenvolvimento da Cedro há vários anos, desde que saí da Vale. É um projeto interessante: transformar uma empresa de médio porte em uma empresa grande, em um setor
que conheço bem.

Também me atraiu a possibilidade de trabalhar em um negócio em crescimento, com iniciativas interessantes, como o investimento em Mariana para produzir um minério de maior qualidade, que chamamos de minério verde, capaz de ajudar no processo de descarbonização da siderurgia.

A Cedro também tem a iniciativa de construir um porto em Itaguaí. Isso representa mais um passo para integrar as operações e desenvolver um produto alinhado ao futuro da industrialização, que passa pela descarbonização.

Leonardo Bortoletto: Por que a integração entre mina, ferrovia e porto é tão importante para a mineração?

José Carlos Martins: As grandes empresas de mineração trabalham com logística integrada. A Vale tem suas minas, participação em ferrovias e portos. Na Austrália, as empresas também operam nesse modelo. É um modelo de negócio consolidado, que funciona porque você ganha no conjunto: não apenas na mina, mas também na ferrovia e no porto.

Em Minas Gerais, há muitos mineradores de menor porte que começaram a operar sem essa estrutura. Eles têm a mina e o produto, mas não têm a logística. Por isso, normalmente vendem
para grandes mineradoras que já possuem acesso a essa infraestrutura.

A integração entre mina, ferrovia e porto é uma condição importante. Estamos a 45 dias da China
e precisamos considerar o mercado asiático como um todo. Cerca de 75% do mercado de minério de ferro está relacionado a China, Japão, Coreia e Taiwan. A Índia também está crescendo e
começando a importar minério, assim como o Vietnã e outros países do Sudeste Asiático.

Quem produz minério de ferro vai vender para a Ásia. Por isso, a questão marítima precisa estar integrada à estratégia logística das empresas. Isso exige mais trabalho e investimento, mas também permite contratos maiores e a possibilidade de mudar de patamar no setor.

Leonardo Bortoletto: Como a falta de logística interfere no valor de uma mina?

José Carlos Martins: Uma mina no meio do país, que depende de logística, tem seu valor de mercado limitado quando não consegue acessar os mercados consumidores. Você tem um ativo mineral, mas o valor dele fica restrito porque o produto só adquire valor efetivo quando chega ao mercado.

A logística permite acessar esse mercado e, com isso, agregar valor ao ativo mineral. Para os mineradores independentes, essa é uma questão central. Não é possível que cada empresa construa sua própria ferrovia, mas é necessário criar condições para ter acesso a uma logística integrada, seja por contratação, seja pela utilização de um terminal portuário.

Isso é fundamental para valorizar um ativo que está localizado no interior do país.

Leonardo Bortoletto: O plano de investimentos da Cedro prevê R$ 5 bilhões para alcançar uma produção anual de 20 milhões de toneladas. Qual é o horizonte desse projeto?

José Carlos Martins: A previsão é entre 2030 e 2032, dependendo do avanço de uma questão muito importante, especialmente em Minas Gerais: a obtenção das licenças. Isso é fundamental para viabilizar os prazos.

Leonardo Bortoletto: Como presidente do conselho de administração, quais são os principais pontos de atenção para alcançar esse objetivo?

José Carlos Martins: O primeiro é o financiamento. São projetos que exigem um grande aporte de capital. Somos uma empresa com boa posição financeira e geração de caixa, sem endividamento, mas o volume de recursos necessário é muito grande.

Precisamos ter acesso a fontes de financiamento, seja no Brasil, seja atraindo parceiros de fora ou mesmo parceiros dentro do país. Esse é um dos grandes trabalhos do presidente do conselho.

Outro ponto é o cumprimento dos prazos: para obter licenças, fazer contratações e construir. A mineração envolve três grandes riscos.

O primeiro é o risco geológico. Você precisa confirmar se o minério que acredita existir realmente está lá. A geologia tem um componente de incerteza. Esse risco é tratado com pesquisa adequada e contratação de empresas especializadas para certificar os recursos.

O segundo é o risco de mercado. Um projeto de mineração pode levar três, quatro ou até cinco anos para entrar em operação. O mercado de hoje pode ser diferente daquele que existirá quando o projeto começar a produzir.

O terceiro é o risco de implementação, que talvez seja o maior atualmente. Ele envolve meio ambiente, comunidades, obtenção de licenças e cumprimento das condições estabelecidas para
a operação.

Eu diria que, se dividirmos o risco em 100%, cerca de 50% está relacionado à implementação. Há também o risco de o investimento superar o previsto, especialmente em projetos de longo prazo, sujeitos à inflação e a outras mudanças de custos.

É uma atividade de alto risco. É preciso controlar muito bem cada etapa, porque é durante a implementação que se pode perder o controle do projeto. Esse é um dos grandes desafios que enfrentamos hoje.

Leonardo Bortoletto: Você tem experiência em vários países. O que o Brasil pode aprender coma infraestrutura e a logística da  China?

José Carlos Martins: Tudo. A China investiu muito em infraestrutura. Hoje, o país tem infraestrutura não apenas para atender às necessidades atuais, mas também para os próximos
dez anos.
Lembro-me de uma vez em que conversei com um engenheiro que estava construindo um porto na China. Ele tinha aproximadamente 35 anos. Comentei sobre o desafio daquele trabalho, e ele respondeu que aquele era o quinto porto que estava construindo. Era um país de engenheiros, construído com muita engenharia.

A China assume riscos e tem um Estado que controla boa parte da alocação de recursos. É um país que poupa muito: a poupança fica em torno de 45% a 50% do PIB, o que disponibiliza umvolume expressivo de recursos para investimentos. Há também projetos com juros baixos e, em alguns casos, negativos, desde que sejam de interesse do país.

Costumo dizer que a China subsidia sua indústria por meio da infraestrutura. Para produzir aço, é necessário transportar quatro toneladas de materiais para produzir uma tonelada de aço. A
logística é fundamental, e a China dispõe de ferrovias e portos com custos de transporte muito menores.

Na última vez em que acompanhei essa questão com mais detalhe, em 2010 ou 2012, o custo logístico chinês era de aproximadamente um terço do brasileiro. Uma siderúrgica instalada na China se beneficia dessa infraestrutura, enquanto uma siderúrgica no Brasil precisa contratar o transporte em condições de mercado.

Isso ajuda a explicar a competitividade da indústria chinesa. Setores como aço, cimento e fertilizantes dependem muito de infraestrutura e são beneficiados por custos logísticos baixos.

Não se trata apenas da China. Países como Japão e Coreia também investiram fortemente em infraestrutura para dar competitividade às suas indústrias. O Brasil fez isso no passado, com iniciativas como a Ferrovia do Aço, mas acabou perdendo parte desse caminho.

A infraestrutura estatal teve papel importante em diferentes países para apoiar a competitividade industrial. O Brasil precisa olhar para a infraestrutura, a energia e os demais custos que afetam a capacidade de produzir de forma competitiva.

Leonardo Bortoletto: A descarbonização é uma das prioridades do setor. O minério verde, que hoje é um diferencial, pode se tornar uma exigência para manter a competitividade?

José Carlos Martins: Eu diria que não é exatamente uma exigência, mas é uma condição para ser competitivo. A indústria siderúrgica é a que mais emite carbono durante a produção. Para
fabricar aço, utiliza-se carvão mineral em um processo que envolve o oxigênio presente no minério de ferro.

Para produzir uma tonelada de aço, são geradas cerca de duas toneladas de emissões de carbono. É uma questão séria, especialmente nos países mais desenvolvidos.

A própria China está atuando fortemente nessa área. Não existe uma solução única capaz de eliminar as emissões imediatamente. O que se pode fazer hoje é reduzi-las por meio da adoção de tecnologias. A eliminação completa é um desafio que eu colocaria talvez para depois de 2050.

No futuro, o hidrogênio poderá ter um papel importante, mas sua produção exige eletricidade limpa e em condições de custo competitivo. Quando houver abundância de eletricidade proveniente de fontes limpas, será possível começar a substituir o modelo atual de produção.

Ainda assim, continuaremos precisando de minério. E, quanto mais limpo e de maior qualidade ele for, melhor. Por isso, toda empresa que atua no minério de ferro precisa se concentrar na
qualidade do produto.

Para o Brasil, isso é ainda mais importante, porque estamos distantes da Ásia, nosso principal mercado. Precisamos competir com produtores que estão mais próximos dos consumidores. Produzir minério de qualidade é quase uma questão de sobrevivência para a mineração brasileira.

Leonardo Bortoletto: Além da geração de empregos, como medir o impacto social de um projeto de mineração? Como a Cedro trabalha com as comunidades onde atua?

José Carlos Martins: Temos muito foco nas comunidades. Desenvolvemos ações relacionadas a creches, escolas e outras necessidades próximas da realidade local.

Não adianta chegar com projetos sem considerar aquilo de que as pessoas realmente precisam. Cultura e esporte são importantes, mas é necessário olhar também para as carências mais básicas. O Brasil ainda tem muita pobreza e problemas de desenvolvimento econômico. Em algumas localidades, falta até infraestrutura pública, como estradas.

Nas regiões onde atuamos, como Nova Lima e Mariana, procuramos direcionar recursos para iniciativas próximas das necessidades das comunidades. Chamamos esses gastos, feitos além dos impostos obrigatórios, de imposto voluntário.

A ideia é atuar de forma prática, alcançando mais pessoas e permitindo que elas reconheçam a contribuição da empresa. Não basta pagar impostos e esperar que os recursos retornem ao
município na forma de benefícios. As prioridades podem mudar, e nem sempre o dinheiro volta diretamente para o local onde foi gerado.

Às vezes, a comunidade percebe os empregos, mas não enxerga outros benefícios. Por isso, esse trabalho adicional é importante. A empresa precisa da licença para operar, mas também da
licença social, ou seja, da aprovação da comunidade onde atua.

Leonardo Bortoletto: A mineração é frequentemente vista como uma atividade que apenas extrai recursos naturais. Como você avalia a geração de valor no setor?

José Carlos Martins: O minério só adquire valor depois que é retirado do solo e colocado no mercado. Enquanto está lá, é um valor hipotético. Quando é produzido e comercializado, gera
investimentos, impostos e benefícios.

Minas Gerais tem uma condição muito favorável. Às vezes, dizem que a mineração é apenas extrativa e não agrega valor. Mas basta visitar uma usina de concentração de minério para perceber que existe ali uma indústria.

O minério encontrado no solo nem sempre está pronto para ser utilizado. O itabirito, por exemplo, precisa passar por concentração. Esse processo industrial gera empregos, impostos e valor econômico.

Também é preciso considerar que o Brasil produz mais minério do que necessita para fabricar o aço consumido internamente. Hoje, o país produz cerca de 450 milhões de toneladas de minério de ferro, volume que poderia permitir a produção de 300 milhões de toneladas de aço. Entretanto, a produção brasileira de aço é de aproximadamente 40 milhões de toneladas, e cerca de 30%
desse aço é exportado.

Temos, portanto, um potencial de exportação de minério muito superior à necessidade interna. Por isso, considero um pouco exagerado dizer que a melhor solução é simplesmente agregar
valor ao minério dentro do país. Não conseguiríamos transformar toda a produção em aço nacionalmente.

A melhor maneira de ampliar a agregação de valor é criar mercado. Se o Brasil investir mais em infraestrutura, por exemplo, a demanda por aço aumentará e, consequentemente, será
necessário mais minério.

Leonardo Bortoletto: Há críticas ao volume de minério exportado para a China. Como você avalia essa relação comercial?

José Carlos Martins: A China investe continuamente em infraestrutura e gera demanda por aço. Como não possui minério suficiente para atender a essa demanda, precisa importar. É um processo de ganha-ganha.

Para agregar mais valor no Brasil, é necessário desenvolver mercado. A discussão sobre o lítio é um exemplo: fala-se em produzir baterias aqui, mas é preciso que exista mercado para esses produtos. O mesmo vale para as terras raras. O consumo brasileiro de produtos que utilizam terras raras é muito pequeno quando comparado ao da China e ao dos Estados Unidos.

Sem mercado consumidor, não é possível desenvolver uma cadeia produtiva em escala. Em algum momento, será necessário exportar.

RAIO X

Leonardo Bortoletto: Chegou a hora do Raio X. Mina ou logística?

José Carlos Martins: Os dois.

Leonardo Bortoletto: Brasil ou China?

José Carlos Martins: Brasil. Sempre.

Leonardo Bortoletto: Velocidade ou consistência?

José Carlos Martins: Os dois.

PERGUNTA DE OURO

Leonardo Bortoletto: Na Pergunta de Ouro, uma cidade que recebe uma grande mineradora ganha o quê, na prática?

José Carlos Martins: A cidade tem um recurso natural em seu território. A mineração vai até onde esse recurso está. Essa riqueza só gera valor para a sociedade, para os consumidores,
para os acionistas e para as comunidades quando o minério é retirado do solo e colocado no mercado.

Um exemplo claro é Canaã dos Carajás. A mineração transformou a cidade e contribuiu para que ela passasse a receber recursos importantes, incluindo a Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais, a CFEM.

Como esses recursos são aplicados depende muito da eficiência administrativa local. Mas é inegável que a mineração gera vantagens, impostos e contribuições para os municípios onde está presente.

RESPONDE AÍ, CHEFE

Leonardo Bortoletto: Walker, da Eurofarma, pergunta o que Minas Gerais precisa fazer para fortalecer o desenvolvimento econômico, facilitar os negócios e ampliar os investimentos.

José Carlos Martins: Primeiro, quero parabenizar o Walker pelo trabalho da Eurofarma em Montes Claros e por sua contribuição para o desenvolvimento de um importante polo farmacêutico no Brasil.

Esse exemplo pode ser seguido por outros setores e empresas. Minas Gerais tem condições favoráveis, principalmente na mineração. Muitos municípios do estado surgiram a partir da
expansão dos ciclos de mineração, então existe uma tradição nesse setor.

A mineração tem uma contribuição muito grande a oferecer. Na Cedro, procuramos atuar próximos das comunidades, algo que empresas maiores nem sempre conseguem fazer da
mesma maneira.

Vejo também um grande potencial em Minas Gerais para o desenvolvimento do minério verde. As condições geológicas do estado são favoráveis, e acredito que esse produto poderá contribuir não apenas para as comunidades do entorno, mas para a sociedade de maneira geral, ajudando a reduzir as emissões de carbono no Brasil e no mundo.

Minas tem vocação para produzir recursos utilizados globalmente, desde que essa atividade também gere benefícios para as comunidades e para a sociedade mineira.

Leonardo Bortoletto: Para encerrar, deixe dois conselhos para quem está começando a carreira e quer alcançar uma posição de destaque em uma grande empresa.

José Carlos Martins: O primeiro ponto é a resiliência. Você precisa suportar os desafios que enfrenta durante o desenvolvimento profissional, estudar bastante, preparar-se e ser empresário de si mesmo.

Não estou dizendo que você precisa abrir uma empresa, mas que deve assumir a responsabilidade pela própria carreira. Você precisa conhecer suas vantagens e qualidades, continuar se preparando e acompanhar as tendências do mundo moderno.

Isso é muito importante. Se você não acompanhar as tendências, sua profissão pode até ficar para trás. Essa sintonia com as mudanças e essa visão de ser empresário da própria carreira são
fundamentais para o desenvolvimento profissional.

Leonardo Bortoletto: José Carlos Martins, presidente do conselho de administração da Cedro Participações, muito obrigado pela presença.

José Carlos Martins: Foi um prazer estar com vocês.

Leonardo Bortoletto: A você que nos acompanhou até aqui, nosso até logo. Conte sempre com o Itatiaia Negócios Cast para trazer o mundo dos negócios até você.

O episódio completo está no ar, no YouTube da Itatiaia e nas principais plataformas de áudio.

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Leonardo Bortoletto é empresário e apresentador do Itatiaia Negócios Cast e comentarista do Conversa de Redação. Com olhar estratégico para gestão e mercado, entrevista líderes que impulsionam decisões e transformações reais.

 

 

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