Brasil tem recorde de recuperações judiciais; relembre os últimos casos
Recuperação judicial das Casas Bahia é apenas mais um de uma série de negociações bilionárias no mercado em 2026

O pedido de recuperação judicial das Casas Bahia, anunciado nesta segunda-feira (17), é apenas a mais nova tentativa de uma grande empresa em negociar suas dívidas por intermédio do Judiciário. Segundo levantamento do monitor RGF-BIZDOC, o país registrou recorde de pedidos de recuperação no primeiro semestre com 6.341 casos, um aumento de 6,2% em relação ao mesmo período de 2025.
A gigante do varejo entrou com o pedido após registrar um prejuízo de R$ 10 bilhões no segundo trimestre e fechar quase 300 lojas, alegando sofrer os impactos de um “ambiente macroeconômico desafiador”, com a elevada taxa básica de juros e aumento no custo financeiro da operação.
A Casas Bahia também afirmou que houve uma "pressão sobre o consumo e o capital de giro aliados à não concretização de alternativas de liquidez que vinham sendo estruturadas pela Companhia".
O pedido, aprovado pelo conselho de administração, foi protocolado no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP). A companhia também solicitou a convocação de uma Assembleia Geral Extraordinária para ratificar a decisão de ajuizamento.
Oncoclínicas
No mês de julho, a Oncoclínicas entrou com um pedido de recuperação extrajudicial com dívidas de R$ 5,1 bilhões, bem como outros créditos “intercompany”. Segundo a companhia, o processo tem como objetivo implementar um ambiente jurídico estável, seguro e transparente para reestruturação do passivo.
Em comunicado enviado ao mercado, a Oncoclínicas disse que conta com a adesão “expressa” de aproximadamente 37% dos titulares dos créditos abrangidos, percentual suficiente para o ajuizamento do processo. A companhia ainda explicou que o plano poderá envolver a capitalização da empresa pelos acionistas, a conversão dos créditos em participação acionária, a substituição de parte dos créditos por novas dívidas e até o alongamento do cronograma de amortização.
Grupo Toky
Em junho, o Grupo Toky, conglomerado controlador das lojas de móveis Tok&Stok e Mobly, teve seu pedido de recuperação judicial aceito pela Justiça de São Paulo. A empresa afirma que enfrenta a pior crise financeira da sua história, com uma dívida superior a R$ 1 bilhão, também justificando o caso com o cenário macroeconômico e a taxa de juros.
O pedido aponta ainda que o pedido de recuperação busca resguardar a empresa e suas controladas e viabilizar a continuidade dos serviços prestados pelo grupo. O pedido foi ajuizado perante a Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central Cível do Estado de São Paulo, sob segredo de justiça.
Estrela
Em maio, a icônica fabricante de brinquedos Estrela entrou com um pedido de recuperação com quase R$ 500 milhões em dívidas. Em comunicado, a empresa alegou um aumento do custo de capital, restrição de crédito e mudanças no comportamento com a competição de canais digitais de venda.
Diante desse cenário, a Estrela argumenta que o processo de recuperação judicial é o caminho para reorganizar seu endividamento e superar a atual crise econômico-financeira, assegurando a continuidade de suas atividades, a manutenção dos empregos e a geração de valor para todos os seus parceiros e acionistas.
Raízen
Já em março, a Raízen protocolou o maior processo de recuperação extrajudicial da história do país, com o objetivo de renegociar dívidas que superam os R$ 65,1 bilhões. A empresa, uma joint venture formada entre o grupo brasileiro Cosan e a europeia Shell, é a maior produtora mundial de etanol e biomassa de cana-de-açúcar.
Em fato relevante enviado ao mercado financeiro, a empresa informou que o plano de recuperação foi aprovado consensualmente com seus principais credores financeiros. Segundo a Raízen, o objetivo é “assegurar um ambiente jurídico estável, protegido e adequado para a negociação e implementação da reestruturação das dívidas financeiras”.
Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.



