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Casas Bahia registra prejuízo bilionário no segundo trimestre

A empresa justificou o impacto por um plano de redimensionamento que inclui o fechamento de 298 lojas

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Imagem de uma loja da Casas Bahia • Divulgação | Via Varejo

A Casas Bahia, uma das maiores varejistas do Brasil, registrou um prejuízo de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre. O montante representa um aumento de 18 vezes em comparação aos R$ 555 milhões reportados no mesmo período do ano anterior, conforme balanço divulgado na madrugada deste domingo.

A empresa justifica o resultado pelo impacto de um plano de redimensionamento de sua operação, que incluiu o fechamento de 298 lojas e a possibilidade de uma nova recuperação judicial ou extrajudicial.

Em termos ajustados, o prejuízo da varejista ficou em R$ 978 milhões.

A empresa atribuiu o resultado ao impacto de um plano de redimensionamento de sua operação, que prevê o fechamento de 298 lojas para enfrentar um cenário de mercado desafiador. A companhia não descartou a possibilidade de um novo pedido de recuperação extrajudicial ou judicial.

"Diante de um ambiente macroeconômico e de crédito mais desafiador, a companhia avança para a fase 2 do plano de transformação, redimensionando sua operação, impactando o resultado líquido através de efeitos contábeis não recorrentes em R$ 9,1 bilhões, sem efeito caixa no trimestre", afirmou a companhia no balanço publicado neste domingo.

A companhia também afirmou nas notas explicativas que continua avaliando alternativas, incluindo "reorganização formal de seus passivos e obrigações, incluindo possível nova recuperação extrajudicial ou recuperação judicial". A empresa já passou por uma recuperação extrajudicial em 2024.

No período de abril a junho, a receita líquida cresceu 1,6%, atingindo quase R$ 7 bilhões. Por outro lado, as despesas com vendas, gerais e administrativas tiveram um incremento de 17%, para R$ 1,8 bilhão. A linha "outras despesas" saltou para R$ 3,5 bilhões, vindo de R$ 49 milhões no ano anterior.

O resultado medido pelo lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado encolheu 9,4%, para R$ 518 milhões, com a margem nessa linha passando de 8,3% para 7,4%.

No mesmo período de abril a junho, o caixa, incluindo recebíveis não descontados, totalizou R$ 2,9 bilhões. O indicador de alavancagem financeira, medido pela dívida líquida/Ebitda ajustado dos últimos 12 meses, ficou em 0,5 vez, uma redução em relação às 2,2 vezes do ano passado e mantendo-se no mesmo patamar dos primeiros três meses de 2026.

A companhia iniciou em 2023 o que denominou de "plano de transformação", implementando medidas operacionais e financeiras para melhorar sua eficiência, rentabilidade e geração de caixa, além de adequar seu balanço e estrutura de capital.

Diante da evolução das condições operacionais, financeiras e de mercado, a administração "acelerou e aprofundou" o plano, entrando em uma nova etapa focada na geração de caixa, redução da necessidade de capital empregado, melhoria da eficiência operacional e adequação da dimensão da operação às atuais condições de mercado e ao custo de capital.

A combinação de crédito mais restritivo, uma captação internacional não concretizada e um ambiente de consumo mais fraco acelerou a necessidade de redimensionamento do seu parque de lojas.

A empresa explicou que o "racional" por trás do fechamento das lojas visa a melhora nas margens de contribuição e o aumento da participação do carnê nas lojas remanescentes. "Com os fechamentos das lojas deficitárias, a média do parque de lojas remanescente aumentará em 1,4 p.p.", afirmou, indicando que a média de participação do carnê nas lojas remanescentes crescerá de 5,0 a 6,0 p.p..

A nova etapa inclui também a reorientação dos canais digitais, adequação de estoques e capital de giro, redução estrutural de custos, despesas e investimentos, gestão da liquidez e redução do custo financeiro, além de buscar alternativas de estrutura de capital e liquidez, incluindo eventuais medidas adicionais como uma nova recuperação extrajudicial ou judicial.

"A Fase 2 visa redimensionar a operação da companhia, priorizando canais e categorias de maior margem e rentabilidade, reduzindo o capital empregado e o custo de financiamento, de forma a fortalecer a geração de caixa livre e assegurar uma operação sustentável e autofinanciável", destacou.

No balanço, a companhia detalhou que entre o final de 2025 e o primeiro semestre de 2026, avaliou e estruturou alternativas nos mercados de dívida e de equity. Foram realizadas reuniões e roadshows com potenciais investidores no Brasil, Estados Unidos e Europa para captação de recursos, incluindo uma potencial oferta subsequente de ações.

No entanto, uma operação de captação de valor relevante junto a investidores internacionais, considerada crucial para o planejamento financeiro do segundo trimestre de 2026, não foi concluída devido à desistência do investidor âncora.

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