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Casas Bahia registra prejuízo de R$ 10,1 bilhões e avalia nova recuperação judicial

Companhia fechou 298 lojas, reduziu o quadro de funcionários e admite possibilidade de uma nova recuperação extrajudicial ou judicial diante da situação financeira

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Imagem de uma loja da Casas Bahia • Divulgação | Via Varejo

A Casas Bahia registrou prejuízo líquido de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre de 2026, o oitavo resultado trimestral consecutivo no vermelho, e anunciou o fechamento de 298 lojas. Diante do cenário financeiro, a companhia também avalia medidas para reorganizar suas dívidas, incluindo a possibilidade de uma nova recuperação extrajudicial ou judicial.

O resultado levou a empresa a reduzir o tamanho da operação, com fechamento de unidades, revisão do quadro de funcionários e redimensionamento dos investimentos. A Casas Bahia também estuda mudanças no modelo de negócio, com maior foco nos canais digitais e redução dos estoques. Segundo a companhia, o desempenho ocorre em meio a um cenário macroeconômico desfavorável para o varejo de bens duráveis no Brasil, marcado pelo alto custo do crédito e pela pressão sobre a capacidade financeira dos consumidores.

A empresa afirmou ainda que a redução dos limites de crédito concedidos por seguradoras aos fornecedores afetou a operação. Com menor capacidade de compra, a Casas Bahia precisou reduzir o volume de mercadorias adquiridas e passou a operar em uma escala menor. Diante das dificuldades, a companhia admite no balanço a possibilidade de adotar medidas formais para reorganizar suas dívidas e obrigações. Entre as alternativas citadas estão uma nova recuperação extrajudicial ou um pedido de recuperação judicial.

Prejuízo tem forte impacto contábil

Apesar do prejuízo de R$ 10,1 bilhões, a Casas Bahia informou que R$ 9,1 bilhões desse resultado são referentes a itens não recorrentes e sem efeito imediato sobre o caixa. Os valores estão relacionados principalmente à revisão das projeções de resultados futuros, que levou a companhia a reconhecer perdas em ativos que não devem mais ser recuperados. Entre os ajustes estão créditos tributários, baixa de ágio e despesas relacionadas ao processo de reestruturação.

A dívida líquida da empresa chegou a R$ 1,2 bilhão no trimestre encerrado em junho, enquanto o patrimônio líquido ficou negativo em R$ 8,2 bilhões. A companhia também prevê reduzir os investimentos e concentrar recursos em áreas consideradas estratégicas, como tecnologia e logística. A estratégia inclui ampliar a comercialização de produtos pelos canais digitais próprios, diminuir os estoques e avaliar a venda de participações em ativos para reforçar a liquidez.

Auditoria aponta incertezas sobre continuidade

Apesar do prejuízo bilionário, a Casas Bahia apresentou geração de fluxo de caixa livre de R$ 798 milhões no segundo trimestre. Ainda assim, a situação financeira levou a auditoria Ernst & Young (EY) a emitir um relatório com abstenção de conclusão sobre as demonstrações financeiras da companhia.

Segundo os auditores, existe uma incerteza relevante relacionada à capacidade de continuidade operacional da empresa. Entre os fatores apontados estão o patrimônio líquido negativo e o fato de as obrigações de curto prazo superarem os ativos disponíveis no mesmo período.

A auditoria destacou que a Casas Bahia depende da implementação de medidas operacionais e financeiras para atender às necessidades de capital de giro e cumprir suas obrigações nos prazos previstos.

Fechamento de lojas mobiliza funcionários

O anúncio do fechamento das unidades também provocou reação de entidades que representam os trabalhadores. Na sexta-feira (14), o Sindicato dos Empregados no Comércio de Osasco e Região (Secor) manifestou preocupação com o fechamento repentino de lojas da Casas Bahia na Região Metropolitana de São Paulo.

A redução da estrutura da empresa ocorre em meio à revisão do quadro de funcionários e à tentativa da companhia de adequar o tamanho da operação à atual capacidade de geração de retorno.

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