Descoberta de indício de petróleo na Foz do Amazonas pode ajudar Brasil a repor reservas
Petrobras anunciou a descoberta de hidrocarbonetos em um poço exploratório na Bacia da Foz do Rio Amazonas, no Amapá

A Petrobras confirmou nesta sexta-feira (14) a descoberta de hidrocarbonetos em poço exploratório na Bacia da Foz do Rio Amazonas, em águas ultraprofundas do Amapá. O anúncio foi feito pela presidente da companhia, Magda Chambriard, que classificou o feito como um passo importante na direção da reposição de reservas para a próxima década.
Em comunicado ao mercado, a empresa informou que a constatação de um "intervalo portador de hidrocarbonetos" ocorreu por meio de perfis elétricos e indicativos em rocha. A perfuração do poço teve início em outubro e continua em curso, com o objetivo de dar continuidade à exploração. Outros três poços estão previstos para serem perfurados no mesmo bloco FZA-M-59, concedido por leilão em 2013.
Na indústria de petróleo, após uma descoberta de hidrocarbonetos, as companhias precisam perfurar novos poços em localidades próximas para avaliar com mais precisão o tamanho do reservatório e outras características. Isso é crucial para determinar se o campo pode ser desenvolvido comercialmente.
"Foi uma descoberta, mas ainda não é uma descoberta comercial", ponderou Chambriard, à Reuters, enfatizando a necessidade de prosseguir com os trabalhos para verificar a comercialidade. A Petrobras não divulgou detalhes adicionais sobre as características dos hidrocarbonetos encontrados ou a distância dos intervalos da descoberta.
A presidente ressaltou que a descoberta gerou "uma alegria danada" e representa um avanço na busca pela reposição de reservas a partir de 2034-2035, período em que o pré-sal deve atingir seu pico de produção e começar a declinar.
No ano passado, a Petrobras recebeu o aval do órgão ambiental federal Ibama para a perfuração do poço, denominado Morpho. Essa autorização foi concedida após anos de debates sobre os riscos ambientais associados ao projeto na região.
A Bacia da Foz do Amazonas é considerada de grande potencial para a abertura de uma nova fronteira exploratória no Brasil. Contudo, o avanço da indústria na área enfrenta forte resistência de ambientalistas e outros grupos, devido aos amplos desafios socioambientais envolvidos. A geologia do local de perfuração é similar à da Guiana, país vizinho onde a ExxonMobil está desenvolvendo grandes campos de petróleo recém-descobertos.
Em nota, o IBP (Instituto Brasileiro do Petróleo), que representa grandes petroleiras como a própria Petrobras, ExxonMobil, TotalEnergies, Shell e Equinor, afirmou que "o achado confirma que o Brasil possui perspectivas muito positivas para a produção de petróleo e gás natural em outras regiões, reforçando a segurança energética nacional no médio e longo prazo".
A Petrobras atua como operadora do bloco FZA-M-59 e detém 100% de participação na área. O poço Morpho está situado a cerca de 175 km da costa do Amapá, com uma lâmina d'água de 2.886 metros.
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