Mauro Vieira falta a audiência na Câmara para explicar posição sobre PCC e CV
Ministro se reuniu com Lula no mesmo horário para discutir possível tarifa de 25% dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, não compareceu à audiência da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara dos Deputados, nesta terça-feira (15). O encontro estava marcado para às 10h. No mesmo horário, porém, Vieira tinha uma agenda com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Palácio do Planalto.
Segundo interlocutores, os dois se reuniram para tratar da decisão dos Estados Unidos que pode determinar a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, medida que pode elevar significativamente as barreiras comerciais entre os dois países.
Mauro Vieira tinha sido convocado para prestar esclarecimentos sobre a posição do governo brasileiro em relação à possível classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas pelos Estados Unidos.
Os parlamentares pretendiam ouvir o chanceler sobre um ofício encaminhado pelo Itamaraty à Câmara, no qual o ministério afirmou que uma eventual classificação das facções como organizações terroristas pelo governo norte-americano poderia gerar implicações diplomáticas e, em determinados cenários previstos na legislação dos Estados Unidos, abrir margem para ações unilaterais. O documento também sustenta que a medida não traria benefícios concretos para a cooperação entre Brasil e Estados Unidos no combate ao crime organizado.
A convocação foi aprovada na semana passada por iniciativa do deputado Evair de Melo (PP-ES). Diferentemente de um convite, a convocação tem caráter obrigatório e pode ensejar medidas previstas na legislação em caso de ausência sem justificativa considerada válida pela comissão.
Até o momento, o Ministério das Relações Exteriores não informou uma nova data para o comparecimento do ministro à comissão. Parlamentares da oposição defendem que a audiência seja remarcada ainda antes do recesso legislativo, enquanto integrantes do governo avaliam que os esclarecimentos poderão ocorrer em data posteriormente definida pelo colegiado.
João Pedro Melo é jornalista, formado pelo UniCEUB. Tem mais de dez anos de experiência na cobertura de Congresso Nacional, Palácio do Planalto e Supremo Tribunal Federal. Teve passagens pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação como repórter de política na TV e no rádio.



