Tarifaço: Alckmin afirma que governo terá programa de apoio a exportadores
Estados Unidos aplicou uma nova tarifa de 25% contra produtos brasileiros após uma investigação apontar supostas práticas desleais de comércio

O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) afirmou, nesta quinta-feira (16), que o governo federal terá um programa para apoiar os exportadores ante o novo tarifaço anunciado pelos Estados Unidos na noite dessa quarta-feira (15). Em coletiva de imprensa, Alckmin classificou as tarifas de 25% como ‘injustas e incabíveis’.
Segundo Alckmin, as tarifas impostas sobre a investigação do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), com base na seção 301 da lei geral do comércio, não possuem procedência. A apuração dos norte-americanos apontou supostas práticas concorrenciais desleais do Brasil, incluindo o uso do Pix e as tarifas do mercado de Etanol.
“Mesmo com todas essas questões, estamos batendo recordes de exportação. No primeiro semestre foram US$ 184,8 bilhões exportados, porque o Brasil diversificou, abriu novos mercados. Com empenho do governo Lula fizemos o acordo Mercosul-Singapura, Mercosul-EFTA, e o maior acordo que foi Mercosul-UE”, disse Alckmin.
O vice-presidente afirmou ainda que o governo vai implementar a Lei da Reciprocidade no “momento adequado”, e comunicou ao setor produtivo que haverá um programa de apoio aos exportadores. Contudo, Alckmin não detalhou quais serão as medidas tomadas e quais os setores contemplados. Ele cita o trabalho da Apex Brasil e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) com os exportadores.
“Contra os que sabotam o Brasil lá fora, o governo do presidente Lula trabalha para apoiar quem trabalha aqui dentro, quem ajuda o país a crescer. O governo terá um programa de apoio aos que aqui dentro estão trabalhando, para que não tenham problemas. A Apex e o BNDES farão um empenho redobrado para abrir novos mercados e crescer ainda mais o comércio exterior”, completou.
Novo tarifaço
Nessa quarta-feira (15), Trump confirmou a imposição de uma tarifa adicional de 25% sobre uma série de produtos brasileiros, após uma investigação do Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) com base na seção 301 identificar uma série de práticas comerciais consideradas prejudiciais aos americanos..
Segundo o USTR, a investigação concluiu que medidas brasileiras em seis áreas restringem os negócios de "agricultores, trabalhadores, inovadores e exportadores" americanos; comércio digital e serviços de pagamento eletrônico; tarifas preferenciais consideradas desleais; enfraquecimento no combate à corrupção; proteção à propriedade intelectual; acesso ao mercado de etanol; e desmatamento ilegal.
Além do etanol e do aço, serão afetados pelo novo tarifaço itens como o açúcar orgânico, máquinas agrícolas, papel e vestuário. Como mostrado pela CNN, o USTR também publicou uma extensa lista de itens importantes no setor de exportação brasileiro que estão isentos da nova cobrança como carne bovina, café, petróleo e laranjas.
Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.
Aline Pessanha é jornalista, com Pós-graduação em Marketing e Comunicação Integrada pela FACHA - RJ. Possui passagem pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação, como repórter de TV e de rádio, além de ter sido repórter na Inter TV, afiliada da Rede Globo.




