Tarifa dos EUA é fruto de falha do governo brasileiro, avalia Leonardo Bortoletto
Especialista afirma que resultado reflete falha nas negociações do governo e alerta para prejuízos à competitividade da indústria brasileira

A decisão dos Estados Unidos de impor uma tarifa adicional de 25% sobre parte das importações brasileiras está longe de representar uma vitória para o Brasil, na avaliação do empresário e apresentador do Itatiaia Negócios Cast, Leonardo Bortoletto. Embora a sobretaxa tenha ficado abaixo dos 50% cogitados no início das discussões, o impacto sobre a economia brasileira continua sendo significativo, segundo ele.
A nova tarifa, anunciada pelo governo norte-americano, preservou uma série de produtos estratégicos para a pauta de exportações brasileira, como petróleo bruto, café em grão, aeronaves, carne bovina, celulose, suco de laranja, ferro-gusa e ferro-nióbio. Por outro lado, itens como máquinas industriais, pneus, açúcar, etanol, tabaco, madeira, calçados e parte dos produtos de alumínio passarão a pagar a sobretaxa de 25% a partir de 22 de julho.
Para Bortoletto, o fato de parte dos produtos ter sido retirada da lista de taxação não deve ser interpretado como um sucesso do governo brasileiro. "Quem olha para trás e vê esse assunto que começou há quase um ano e enxerga lá atrás 50% pode entender que termos 25% de sobretaxa nos nossos produtos é uma vitória. Não, não é uma vitória. Nós temos os nossos produtos sobretaxados em 25% e isso é uma grande derrota", afirmou.
Na avaliação do empresário, o resultado é consequência da condução das negociações pelo governo federal. "É uma grande derrota, fruto de uma inabilidade do governo de sentar na mesa e tratar o assunto com a devida importância. É fruto de trazer um ingrediente político a uma mesa que não cabe ideologia. Infelizmente, o que a gente vê é fruto de um governo desastroso em negociar."
Ao mesmo tempo, Bortoletto atribui as isenções conquistadas a uma atuação direta do setor produtivo junto aos parceiros comerciais americanos. "Se podemos comemorar, temos que comemorar a diplomacia comercial que, bilateralmente, trabalhando com os EUA, conseguiu retirar vários produtos brasileiros dessa sobretaxa de 25%."
Apesar das exceções, ele avalia que os produtos que permaneceram na lista representam um desafio relevante para a indústria nacional. "Esses 25% que sobram são realmente algo impactante para a nossa economia. E não é simplesmente porque teremos dificuldade de vender para os EUA. É porque os EUA são um parceiro estratégico muito importante."
Segundo o empresário, a perda do mercado americano pode gerar efeitos que vão além da redução das exportações. "Nossa indústria se prepara para vender para os EUA e isso acaba elevando o padrão dos produtos brasileiros, que também chegam a outros mercados. Perdemos todos nós e temos a convicção de que não temos nada para comemorar."
A tarifa foi anunciada após a conclusão de uma investigação comercial conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), com base na Seção 301 da legislação comercial americana. A medida entra em vigor em 22 de julho e atinge milhares de produtos brasileiros, embora mais de mil códigos tarifários considerados estratégicos tenham sido excluídos da cobrança adicional.
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