Presidente da Fiesp diz que 'picuinhas políticas' atrapalham a relação Brasil-EUA
Paulo Skaf afirma que Brasil deveria buscar manter uma boa relação com o governo Donald Trump e ampliar o comércio com os americanos

O presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, avaliou que “picuinhas políticas” atrapalham a relação do Brasil com os Estados Unidos e dificultam negociações técnicas em relação às sobretaxas. A declaração do executivo foi dada em entrevista à CNN Brasil, nesta quinta-feira (16).
Segundo Skaf, o governo brasileiro deveria fazer um esforço para ter uma boa relação com os norte-americanos e o governo de Donald Trump. Ele afirma que a boa diplomacia é necessária devido aos investimentos estrangeiros no país, além de potencialmente aumentar as exportações brasileiras.
“Ao invés de nós termos um bom relacionamento com os Estados Unidos, buscando oportunidades para gerarmos mais empregos e desenvolvermos as empresas brasileiras, a gente faz questão de ficar com picuinhas políticas que atrapalham as relações comerciais”, disse o empresário.
Skaf ainda afirmou que, apesar da grande lista de isenções ter feito com que o novo tarifaço afetasse apenas 4% das exportações para os EUA, é necessário fazer uma análise pontual, uma vez que alguns setores serão prejudicados. Para ele, qualquer empresa deve ser valorizada e defendida.
“Acho que precisamos acertar é o tom político para que haja boa vontade entre as partes para chegarmos a um bom termo, seja nessa negociação ou outras futuras. O que vamos buscar, enquanto Fiesp, é a diplomacia empresarial, ou seja, empresas brasileiras e americanas que dependem uma da outra, caminhos para soluções. Foi como conseguimos, 60% da pauta está isenta por meio da negociação empresarial”, completou.
Novo tarifaço
Nessa quarta-feira (15), Trump confirmou a imposição de uma tarifa adicional de 25% sobre uma série de produtos brasileiros, após uma investigação do Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) com base na seção 301 identificar uma série de práticas comerciais consideradas prejudiciais aos americanos..
Segundo o USTR, a investigação concluiu que medidas brasileiras em seis áreas restringem os negócios de "agricultores, trabalhadores, inovadores e exportadores" americanos; comércio digital e serviços de pagamento eletrônico; tarifas preferenciais consideradas desleais; enfraquecimento no combate à corrupção; proteção à propriedade intelectual; acesso ao mercado de etanol; e desmatamento ilegal.
Além do etanol e do aço, serão afetados pelo novo tarifaço itens como o açúcar orgânico, máquinas agrícolas, papel e vestuário. Como mostrado pela CNN, o USTR também publicou uma extensa lista de itens importantes no setor de exportação brasileiro que estão isentos da nova cobrança como carne bovina, café, petróleo e laranjas.
Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.



