Indústria pede reação diplomática de Lula após tarifaço dos EUA sobre o Brasil
O Planalto afirmou que irá adotar as medidas previstas na Lei da Reciprocidade e recorrerá à Organização Mundial do Comércio (OMC)

O governo dos Estados Unidos irá aplicar tarifas adicionais de 25% sobre produtos brasileiros a partir do dia 22 de julho, conforme determinação do Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR, na sigla em inglês). As taxas são adicionais às alíquotas já existentes. Ou seja, um produto que atualmente paga 5% de imposto de importação passará a pagar 30%, somando a tarifa regular aos 25% adicionais.
Apesar da decisão do governo de Donald Trump de isentar da lista produtos como carne e café, outros setores importantes da economia brasileira serão afetados e temem graves impactos financeiros caso as tarifas entrem em vigor.
A Confederação Nacional da Indústria (CNI), em nota, afirma que as tarifas representam uma ameaça direta às exportações brasileiras. Segundo o presidente da entidade, Ricardo Alban, 20 dos 27 estados do país reduziram suas exportações para o mercado estadunidense no primeiro semestre, mas, diante das novas taxas, o cenário "tende a piorar, corroendo ainda mais a competitividade da indústria nacional".
A Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) também demonstrou preocupação com a decisão da Casa Branca. Para a entidade, a medida aumenta a insegurança no comércio internacional e reduz a competitividade das empresas, gerando impactos sobre investimentos, produção, emprego e integração das cadeias produtivas.
No comunicado divulgado, a Abit afirma que o país precisa "continuar avançando em sua agenda de competitividade, ampliação de mercados, diversificação das exportações e fortalecimento da base industrial". A associação diz que está à disposição do governo federal e das entidades empresariais para o que chamou de "construção de soluções que minimizem seus impactos sobre a indústria nacional".
O Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), em nota, também manifestou "indignação" com a confirmação do tarifaço. De acordo com a entidade, "o mais grave é a forte evidência política da medida" adotada pelo governo de Donald Trump. "As alegações para a imposição das tarifas referem-se a problemas que não são exclusivos do Brasil, como a pirataria e o desmatamento ilegal. São fatores presentes em numerosos países, que seguem isentos de barreiras comerciais adicionais. Também parece ter um tom mais retórico do que concreto a alegação sobre o PIX, sistema de pagamento moderno, eficaz e que, na prática, não afeta o comércio internacional", diz trecho da nota.
Para o presidente do Ciesp e vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Rafael Cervone, o governo Lula (PT) deve "empreender um novo esforço diplomático", sem reações "de cunho político e num tom sereno, seguro e de bom senso". "A radicalização do discurso e as analogias do tema com o calendário eleitoral brasileiro alimentam as polêmicas comerciais e não ajudam na construção de soluções técnicas e justas", avaliou.
A Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente (Abimci) lamentou as novas tarifas, especialmente após "todo o trabalho técnico" desenvolvido entre empresários e o governo brasileiro para reverter as taxas anteriores impostas pela Casa Branca.
Para a entidade, a decisão representa um "duro impacto para o setor madeireiro, que ainda buscava se recuperar" das tarifas anteriores. "A perda de competitividade decorrente dessas novas tarifas compromete a continuidade de negócios construídos ao longo de décadas com os EUA e coloca em risco investimentos, a produção e postos de trabalho", diz trecho da nota.
Na avaliação da Abimci, diante da resistência do governo estadunidense, "seria necessária uma atuação mais efetiva" do Palácio do Planalto, "dissociada dos componentes políticos e focada na negociação diplomática, para evitar um resultado que penaliza diretamente a indústria brasileira de madeira processada". "A Abimci cumpriu seu papel técnico e institucional durante todo o processo e espera que o governo brasileiro conduza, com urgência e prioridade política, uma negociação capaz de reverter esse cenário, preservar a indústria nacional, proteger postos de trabalho e restabelecer as relações comerciais com os Estados Unidos", finaliza a entidade.
A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) afirma enxergar com "grande preocupação" as medidas da Casa Branca. De acordo com a entidade, a decisão cria "uma diferença relevante em relação a fornecedores de outros países que disputam os mesmos compradores".
Em nota, a Fiemg considera que é necessário "intensificar as negociações entre o Brasil e os EUA e garantir regras claras para contratos já firmados, cargas em trânsito e implementação da medida, evitando uma perda prolongada de competitividade para a indústria brasileira".
O que diz o governo Lula?
O presidente Lula divulgou, na última quarta-feira (15), uma nota em resposta ao governo de Donald Trump. No comunicado, o chefe de Estado classificou a ação como um "marco lastimável" nas relações entre os dois países.
O Planalto afirmou que irá adotar as medidas previstas na Lei da Reciprocidade e recorrerá à Organização Mundial do Comércio (OMC).
Para o governo federal, não há justificativa para as tarifas. O Planalto também contesta a investigação conduzida pela USTR, que serviu de base para a decisão, afirmando ter apresentado argumentos para rebater as acusações de supostas práticas desleais de comércio.
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Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal de Minas Gerais, com passagem pela Rádio UFMG Educativa. Na Itatiaia, já foi produtora de programas da grade e repórter da Central de Trânsito Itatiaia Emive.



