Rombo nas contas externas é o maior em 11 anos

Banco Central considera resultado sólido, uma vez que houve crescimento do investimento estrangeiro no país

Dados do Banco Central mostram um crescimento do investimento estrangeiro no país

O déficit das contas externas brasileiras subiu para US$ 68,8 bilhões em 2025, um crescimento de 4% ante 2024, quando o resultado foi de US$ 66,2 bilhões negativos, segundo dados divulgados pelo Banco Central nesta segunda-feira (26). O resultado significa que o país enviou mais dinheiro para o exterior, com a importação de bens e serviços, ou transferindo lucros para outras economias.

Segundo o BC, o rombo é o pior resultado desde 2014, quando o rombo foi calculado em US$ 110 bilhões. A autoridade monetária explica que o aumento de US$ 2,6 bilhões no déficit deveu-se à redução de US$ 5,9 bilhões no superávit da balança comercial. Esse indicador foi impactado pelo aumento das importações, que cresceram 6,7% em relação a 2024 (US$ 280,4 bilhões).

Porém, o relatório destaca que essa queda no superávit do comércio exterior é parcialmente compensada pela queda no déficit de serviços em US$ 2,2 bilhões, bem como pelo aumento no superávit de renda secundária - US$ 1,0 bilhão.

Em dezembro de 2025, o rombo foi estimado em US$ 3,4 bilhões, uma queda em relação ao resultado do mesmo período de 2024 (-US$ 10,2 bilhões). Na comparação interanual, a redução no déficit em transações correntes decorreu de um superávit comercial de US$ 4,7 bilhões, e redução no déficit de serviços de US$ 1,2 bilhão.

As transações correntes são calculadas considerando a balança comercial, os serviços adquiridos por brasileiros no exterior, e remessas de juros, lucros e dividendos de brasileiros para o exterior. Esse último indicador teve um resultado negativo de US$ 81,3 bilhões, mesmo valor observado em 2024.

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Investimento estrangeiro também subiu

Apesar do resultado nas contas externas, o país teve um impulso de investimento estrangeiro em 2025, se comparado com 2024. Os recursos do exterior aplicados no Brasil foram na ordem de US$ 77,6 bilhões, contra US$ 74,1 bilhões no ano anterior.

O valor representa o melhor resultado desde 2018, quando o investimento estrangeiro direto no Brasil foi de US$ 78 bilhões. Segundo o chefe do Departamento de Estatística do BC, Fernando Rocha, o déficit externo está financiado por capitais de longo prazo, que têm fluxo e estoque de “boa qualidade”. “Isso reafirma uma situação de contas externas bastante sólidas”, disse.

Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.

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