Reforma do Imposto de Renda pode favorecer a compra de imóveis

Setor imobiliário avalia que isenção do IR até R$ 5 mil pode facilitar o financiamento de unidades habitacionais

Setor avalia que recursos que sobram no orçamento mensal das famílias pode ir para o mercado do Minha Casa, Minha Vida

Entre as diversas medidas adotadas pelo governo federal para facilitar o financiamento imobiliário, uma parece passar despercebida: a reforma do Imposto de Renda. Empresários da construção civil observam que o aumento da faixa de isenção do tributo para quem ganha até R$ 5 mil, com descontos até R$ 7.350, pode impulsionar a venda de imóveis próprios ao longo de 2026.

A reforma na cobrança entrou em vigor em janeiro, com impacto percebido a partir do pagamento de fevereiro. Segundo estimativas do governo federal, aproximadamente 16 milhões de pessoas serão beneficiadas. O ganho mensal calculado é de R$ 312,89 para quem está completamente isento de cobrança - R$ 4.067,57 anuais incluindo o 13º salário.

Segundo o CEO da MRV&CO, Eduardo Fischer, a mudança na isenção do Imposto de Renda é a mudança mais relevante do setor nos últimos anos. O executivo destaca que o benefício impacta o público-alvo da companhia, especializada na construção para baixa e média renda. “Dentre as diferentes medidas que aconteceram ao longo de 2025, essa talvez tenha sido a mais impactante”, disse.

“Se você olhar para uma família que tem renda de R$ 5 mil, é exatamente o nosso cliente. Eles serão de fato muito beneficiados. É um acréscimo de renda que a Caixa Econômica Federal, o principal banco financiador, já percebe e considera isso no momento em que vai conceder o crédito para a família. Ela consegue pagar uma prestação mensal um pouquinho mais alta, porque esse dinheiro está sobrando”, completou.

O presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de Minas Gerais, Raphael Lafetá, elogiou a somatória das mudanças na Caixa, que permite financiamento de até 80% do imóvel e a contratação de mais de um custeio simultaneamente, com isenção do Imposto de Renda. “Abre uma oportunidade muito grande para a população ter acesso a moradia”, disse.

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“Vamos falar com que com a isenção de R$ 5 mil, vai sobrar para uma pessoa uns R$ 500 na renda para ela poder pagar uma prestação habitacional. Então esse público vai procurar o imóvel e ir para o mercado do Minha Casa, Minha Vida, que é um mercado pujante e cresceu em 2025”, destacou Lafetá.

Para o presidente do Grupo Patrimar, Alex Veiga, que atua nas três faixas de renda, inclusive com atuação no principal programa de habitação do governo federal, a isenção do imposto incentiva a venda de imóveis. “É uma coisa muito importante e que as pessoas ainda não perceberam”, comentou o empresário.

“É um dinheiro que começa a sobrar. Como as prestações são bem acessíveis, eu acho que vai ter um incremento nas vendas do Minha Casa, Minha Vida, que já está muito bom. Mas vai ter um aumento nas vendas justamente por essas mudanças do governo”, explicou.

Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.

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