Inflação sobe 0,33% em janeiro com pressão do preço dos combustíveis
Alta do ICMS dos combustíveis contribuiu para aceleração do IPCA no mês passado; preço da energia ajudou a segurar uma alta maior

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de janeiro subiu 0,33%, na mesma variação registrada em dezembro de 2025. A inflação oficial do país, medida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), foi pressionada pela alta no preço dos combustíveis que levou o grupo dos Transportes a ter uma aceleração de 0,6%, segundo os dados divulgados nesta terça-feira (10).
O resultado veio em linha com o esperado pelo mercado, de acordo com as estimativas do boletim Focus do Banco Central divulgado nessa segunda (9). Com o resultado, o IPCA acumula uma alta de 4,44% nos últimos 12 meses, acima dos 4,26% observados em dezembro, e próximo do teto de 4,5% da meta.
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Dentre os nove grupos, os Transportes foram os responsáveis pelo maior impacto do índice de janeiro, em 0,12 pontos percentuais (p.p). O setor foi impulsionado pela alta de 2,14% nos combustíveis, em especial na gasolina (2,06%), principal impacto individual no resultado do mês (0,10 p.p). A variação dos demais combustíveis foi: etanol (3,44%), óleo diesel (0,52%) e gás veicular (0,20%).
Cabe lembrar que o ano começou com o combustível mais caro no país, com o reajuste das alíquotas do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) para gasolina, diesel e gás de gozinha. A decisão foi do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), que reúne os secretários dos 26 estados e do Distrito Federal.
Por outro lado, o grupo habitação teve uma queda de 0,11% em janeiro, por conta da redução da bandeira tarifária da conta de luz, que causou uma queda de 2,73% no preço da energia elétrica residencial. Em dezembro, estava em vigor a bandeira tarifária amarela, com a cobrança adicional de R$ 1,885 a cada 100 kWh, enquanto em janeiro a bandeira foi verde, sem custo adicional.
“As últimas leituras do IPCA sugerem uma piora na margem, mas dentro do esperado dada a sazonalidade do período. Mesmo com essa piora, vemos o indicador no limite inferior para os meses em questão, indicando que a sazonalidade atual não tem sido tão intensa quanto a de anos anteriores. De toda forma, dada a sinalização do Copom em iniciar o ciclo de cortes em março, não vemos o resultado como um fator que altere a decisão do Copom”, destacou o especialista.
Transporte público e alimentos
Ainda dentro do grupo de Transportes, outro impacto para o IPCA foi a alta de 5,14% no ônibus urbano, especialmente por conta do reajuste nas tarifas de seis capitais. Fortaleza (20,00%), São Paulo (6,00%), Rio de Janeiro (6,38%), Salvador (5,36%), Belo Horizonte (8,70%) e Vitória (4,16%). Os principais impactos negativos (-0,06 p.p e -0,07 p.p.) no grupo Transportes vieram dos subitens transporte por aplicativo (-17,23%) e passagem aérea (-8,90%), após altas de, respectivamente, 13,79% e 12,61% em dezembro.
O grupo alimentação e bebidas desacelerou na passagem de dezembro (0,27%) para janeiro (0,23%), ajudando a segurar o índice de preços. A alimentação no domicílio registrou variação de 0,10%, ante o 0,14% do mês anterior, com influência das quedas do leite longa vida (-5,59%) e do ovo de galinha (-4,48%). No lado das altas, os destaques são o tomate (20,52%) e as carnes (0,84%).
“Em termos dos nove grupos do IPCA, Alimentação e bebidas é o de maior peso (21,42%), o que significa que pouco mais de 1/5 das despesas das famílias é com alimentação, especialmente em casa”, destacou o gerente da pesquisa, Fernando Gonçalves.
Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.



