O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de janeiro subiu 0,33%, na mesma variação registrada em dezembro de 2025.
O resultado veio em linha com o esperado pelo mercado, de acordo com as estimativas do boletim Focus do Banco Central divulgado nessa segunda (9). Com o resultado, o IPCA acumula uma alta de 4,44% nos últimos 12 meses,
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Dentre os nove grupos, os Transportes foram os responsáveis pelo maior impacto do índice de janeiro, em 0,12 pontos percentuais (p.p). O setor foi impulsionado pela alta de 2,14% nos combustíveis, em especial na gasolina (2,06%), principal impacto individual no resultado do mês (0,10 p.p). A variação dos demais combustíveis foi: etanol (3,44%), óleo diesel (0,52%) e gás veicular (0,20%).
Cabe lembrar que o ano começou com o combustível mais caro no país, com o reajuste das alíquotas do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) para gasolina, diesel e gás de gozinha. A decisão foi do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), que reúne os secretários dos 26 estados e do Distrito Federal.
Por outro lado, o grupo habitação teve uma queda de 0,11% em janeiro, por conta da redução da bandeira tarifária da conta de luz, que causou uma queda de 2,73% no preço da energia elétrica residencial. Em dezembro, estava em vigor a bandeira tarifária amarela, com a cobrança adicional de R$ 1,885 a cada 100 kWh, enquanto em janeiro a bandeira foi verde, sem custo adicional.
“Na estrutura do IPCA a gasolina apresenta peso de 5,07% e a energia elétrica residencial de 4,16%, ou seja, são os subitens com as maiores participações nas despesas das famílias, na ótica do indicador. Dessa forma, variações nesses dois componentes da cesta de produtos apresentam impacto no cálculo final do índice”, explicou o gerente do IPCA, Fernando Gonçalves.
Segundo o economista sênior do Banco Inter, André Valério, a inflação de janeiro teve uma forte desaceleração nos bens livres, a 0,25% no mês, após uma alta de 0,52% em dezembro. Já a inflação de bens industriais acelerou de 0,48% para 0,61%, maior valor desde abril de 2025.
“As últimas leituras do IPCA sugerem uma piora na margem, mas dentro do esperado dada a sazonalidade do período. Mesmo com essa piora, vemos o indicador no limite inferior para os meses em questão, indicando que a sazonalidade atual não tem sido tão intensa quanto a de anos anteriores. De toda forma, dada a sinalização do Copom em iniciar o ciclo de cortes em março, não vemos o resultado como um fator que altere a decisão do Copom”, destacou o especialista.
Transporte público e alimentos
Ainda dentro do grupo de Transportes, outro impacto para o IPCA foi a alta de 5,14% no ônibus urbano, especialmente por conta do reajuste nas tarifas de seis capitais. Fortaleza (20,00%), São Paulo (6,00%), Rio de Janeiro (6,38%), Salvador (5,36%), Belo Horizonte (8,70%) e Vitória (4,16%). Os principais impactos negativos (-0,06 p.p e -0,07 p.p.) no grupo Transportes vieram dos subitens transporte por aplicativo (-17,23%) e passagem aérea (-8,90%), após altas de, respectivamente, 13,79% e 12,61% em dezembro.
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“Em termos dos nove grupos do IPCA, Alimentação e bebidas é o de maior peso (21,42%), o que significa que pouco mais de 1/5 das despesas das famílias é com alimentação, especialmente em casa”, destacou o gerente da pesquisa, Fernando Gonçalves.