Haddad defende reforma de gastos sociais e fala em fusão de benefícios

Ministro participou de evento do mercado financeiro e também defendeu a manutenção do atual arcabouço fiscal

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), defendeu que o governo começe a discutir uma reforma para os gastos com benefícios sociais. O chefe da equipe econômica do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que o Brasil está maduro para uma ‘solução mais criativa’ em relação às despesas do orçamento federal.

Haddad destacou, por exemplo, a possibilidade de uma nova discussão sobre renda básica nos moldes do Bolsa Família, lançado em 2003 para unir uma série de programas existentes. “Talvez nós estejamos numa situação que permita uma arquitetura nova do ponto de vista do dispêndio, sobretudo de natureza assistencial”, disse o petista durante evento do BTG Pactual nesta terça-feira (10).

“Não seria o caso de fazer o que o presidente Lula fez em 2003, quando estava cheio de programas e o Bolsa Família nasceu como o grande guarda-chuva, tornando-se um programa que ganhou o mundo e reputação, inclusive perante todos os especialistas e organismos internacionais?”, perguntou o ministro para uma plateia de executivos do mercado financeiro.

Ainda de acordo com Haddad, esse tipo de discussão precisa ser aprofundada pelo governo que assumir o Palácio do Planalto em 2027, defendendo que seja um tema das eleições. Porém, o ministro destaca que a ideia não é diminuir gastos, mas modernizar e tornar mais eficaz o atual sistema de programas sociais do governo federal.

“Esse é o tipo de discussão que está sendo feita entre os técnicos, inclusive do Estado brasileiro, não necessariamente ligados ao governo, e que veem nessa conjuntura uma oportunidade de repensar essa questão de uma forma mais moderna”, destacou.

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A fala do ministro ocorre em meio a críticas do mercado financeiro sobre o relaxamento das regras fiscais previstas no arcabouço, fazendo com que o governo seja pressionado a solucionar o déficit sem elevar impostos e preservando programas sociais. Em 2025, o rombo do governo federal atingiu R$ 58,7 bilhões, cerca de 0,46% do PIB.

Haddad defendeu que o novo governo mantenha o arcabouço fiscal criado na gestão atual, uma regra mais tolerante ao aumento das despesas do que o antigo teto de gastos. “Ele une a meta de resultado primário, mas sem descuidar de ter uma regra de gasto. O que fizemos foi combinar o melhor dos dois instrumentos testados, com uma dimensão anticíclica”, disse.

Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.

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