Haddad responde críticas da Faria Lima: ‘Herdamos um problema de R$ 200 bilhões’

Ministro da Fazenda defendeu a condução da política fiscal e afirmou que déficit nas contas públicas já caiu 70% desde que a gestão Lula assumiu

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), voltou a defender a condução da política fiscal e rebateu as críticas do setor financeiro e da Faria Lima ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O petista destacou que a equipe econômica conseguiu reduzir o rombo nas contas públicas de 1,06% do Produto Interno Bruto (PIB) para 0,48%.

“O orçamento que o governo anterior mandou para 2023 tinha R$ 63 bilhões de déficit, faltando os R$ 44 bilhões de precatórios extras, porque a PEC do calote foi considerada inconstitucional, e faltando o reajuste do Bolsa Família que foi dado em primeiro de agosto de 2022. Você tinha um déficit contratado de 1,06% do PIB. É uma conta incontornável, não dá para jogar debaixo do tapete”, disse Haddad em evento do BTG Pactual nesta terça-feira (10).

Segundo Haddad, o problema fiscal herdado pela gestão petista era na ordem de R$ 200 bilhões. “Não estou falando do Fundeb, não estou falando do BPC, de emenda parlamentar, da indenização aos governadores por conta do ICMS. Estou falando de um problema estrutural que não é considerado nas centenas de editoriais escritos contra o governo sobre a pauta fiscal”, emendou.

O chefe da equipe econômica de Lula ainda destacou que a redução do déficit primário se comparado ao governo Bolsonaro foi de 70%. Segundo as estatísticas do Banco Central, o rombo nas contas públicas em 2025 foi de R$ 58,7 bilhões, ou 0,46% do PIB - em 2024, esse valor era de R$ 45,4 bilhões (0,39% do PIB).

“Eu gostaria de ter ido além? Gostaria. Mas você tem que negociar com o Congresso, que tinha acabado de aprovar aumento de despesa. Como você equaciona tudo isso com o clamor da Faria Lima? Como dizem os baianos: ‘Eu sou um só’. É fácil estar no computador escrevendo o que o ministro da Fazenda precisa fazer”, completou.

Leia também

Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.

Ouvindo...