Os consumidores mineiros vão sentir um aumento na conta de água que chega neste mês de fevereiro. A tarifa teve reajuste médio de 6,56% e, como passou a valer no último dia 22, a cobrança será proporcional neste primeiro mês.
Segundo o economista Paulo Casaca, da Fundação IPAD da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), o reajuste, que ocorre a cada quatro anos, vai pesar principalmente no orçamento das famílias de baixa renda.
“Esse impacto vai aumentar a tarifa da água para todos, mas a gente sabe que ele pesa muito mais para as famílias de baixa renda do que para as de média e alta renda”, afirmou.
De acordo com dados do IPAD e do IPCA, o impacto do reajuste para as famílias de menor renda é o dobro do registrado na média da população de Belo Horizonte. “Se a inflação fosse de 1% para todo mundo, com o aumento da tarifa ela iria para 1,08%. Para as famílias de baixa renda, esse índice sobe para 1,17%”, explicou o economista.
A Copasa informou que o reajuste quadrienal é um gatilho para permitir investimentos e equilibrar as contas da companhia, não estando diretamente ligado à inflação do período. Casaca, no entanto, critica o modelo.
“É bastante complicado para a população, porque esse aumento chega junto com impostos como IPTU, gastos com material escolar e outros reajustes do começo do ano”, disse.
Segundo ele, o ideal seria que esse reajuste fosse diluído ao longo dos anos. “A cada quatro anos a gente tem um salto no preço da tarifa da água. O ideal seria distribuir esse aumento ao longo do tempo, para gerar um impacto mais suave para a população”, avaliou.
Como orientação, o economista recomenda atenção ao consumo. “É importante que a população tente economizar água agora, para entender qual será o impacto real no orçamento e evitar uma surpresa muito negativa em março, quando a conta vier com o reajuste completo”, concluiu.