Warner volta a rejeitar oferta da Paramount, e reforça preferência pela Netflix

Conselho da Warner enviou nova carta aos acionistas pedindo a rejeição da venda da empresa para a Paramount Skydance

Oferta da Netflix pela Warner é menor, mas envolve menos riscos

O conselho de administração da Warner Bros. Discovery (WBD) rejeitou a oferta de compra apresentada pela Paramount Skydance (PSKY) na ordem de US$ 108,4 bilhões, por unanimidade, nesta quarta-feira (7). A decisão do colegiado ocorre mesmo com a garantia do empresário Larry Ellison, cofundador da Oracle, de um financiamento de US$ 40 bilhões para sustentar a proposta.

Com a decisão, os diretores reforçam a preferência pela proposta da Netflix, avaliada em US$ 72 bilhões para comprar os estúdios de televisão, cinema e divisão de streaming da Warner. Apesar da proposta ser menor, o presidente do conselho Samuel A. Di Piazza Jr, destacou que a oferta da Paramount oferece riscos elevados e teria um desconto pelo rompimento do acordo com a gigante do streaming.

Ele também cita que a proposta da Paramount depende de um grande financiamento por dívida, que é quando uma empresa usa empréstimos para concluir uma transação. Essa manobra eleva os riscos do negócio não ser concluído. Segundo o executivo, a proposta é uma aquisição alavancada, uma vez que é orçada em sete vezes o valor de mercado da própria PSKY (US$ 14 bilhões)

“O elevado volume de financiamento por dívida previsto na oferta da PSKY aumenta significativamente o risco de não conclusão da transação, especialmente quando comparado à estrutura mais segura da fusão com a Netflix. Para isso, a empresa precisaria contratar mais de US$ 50 bilhões em dívida adicional junto a múltiplos parceiros financeiros”, explicou.

Apesar de rejeitar a compra, a transação ainda depende do aval dos acionistas da Warner. Isso ocorre porque a proposta da Paramount foi uma oferta hostil, quando uma empresa negocia diretamente com os acionistas oferecendo um valor elevado pelas ações para tentar assumir o controle da operação.

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Assim, o conselho recomendou que a Assembleia de acionistas rejeite a oferta da Paramount e aprove a fusão com a Netflix. Segundo Piazza Jr., caso a PSKY não consiga concluir a oferta, os investidores poderiam enfrentar custos relevantes e potencial destruição de valor das ações. Ao defender a transação, ele explica que a gigante do streaming tem um valor de mercado de US$ 400 bilhões e um caixa robusto para sustentar a operação.

“Apesar de diversas interações e orientações claras fornecidas pelo Conselho, pela administração e por seus consultores, a PSKY não conseguiu apresentar uma proposta que superasse ou sequer se equiparasse ao acordo com a Netflix. Mesmo após ter tempo suficiente para analisar o acordo de fusão já firmado, a PSKY optou por manter uma proposta que preserva as fragilidades previamente apontadas”, concluiu.

Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.

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