Novas tarifas dos EUA ampliam competitividade da indústria, diz governo

Governo afirma que quase metade das exportações para os Estados Unidos foram isentas de tarifas

Mudança de regime tarifário isentou as exportações de aeronaves para os EUA, terceiro principal item da pauta comercial

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) afirmou nessa terça-feira (24) que a indústria brasileira vai ganhar competitividade com o fim das taxas de 40% que eram impostas pelos Estados Unidos. A pasta publicou uma nota explicando os impactos da decisão da Suprema Corte norte-americana que considerou as taxas ilegais, e a nova tarifa global de 10% criada por Donald Trump.

Segundo o governo brasileiro, as mudanças criaram um novo regime tarifário que reduziu a alíquota média cobrada sobre os produtos nacionais importados pelos EUA. Na sexta-feira (20), a Casa Branca revogou as ordens executivas que impunham tarifas específicas contra o Brasil (40%), bem como as tarifas recíprocas de 10%.

A decisão atende uma ordem judicial da Suprema Corte, de maioria conservadora, que decidiu por seis votos a três que a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA) “ não autoriza o presidente a impor tarifas” unilateralmente. No sábado (21), os EUA anunciaram a intenção de elevar os 10% para 15%, mas o ato ainda não foi publicado.

Segundo o governo, antes da alteração na política tarifária, aproximadamente 22% das exportações brasileiras para os EUA estavam sujeitas a tarifas adicionais de 40% ou 50%. Agora, estimativas indicam que 25% das exportações (US$ 9,3 bilhões) passam a ser alcançadas por tarifas de 10%, enquanto 46% não contam com nenhuma taxa extra.

“O equivalente a 46% (US$ 17,5 bilhões) das exportações brasileiras para os EUA em 2025 (desconsideradas eventuais sobreposições com as exportações alcançadas pela Seção 232), passam a não contar com nenhuma tarifa adicional, em razão das exceções previstas na medida publicada em 20/2”, explicou o MDIC.

Veja os setores mais beneficiados

  • Máquinas e equipamentos;
  • Calçados;
  • Móveis;
  • Confecções;
  • Madeira;
  • Produtos químicos;
  • Rochas ornamentais;
  • Pescados;
  • Mel;
  • Tabaco;
  • Café solúvel.

Uma novidade do novo regime tarifário dos EUA é a isenção de aeronaves, beneficiando diretamente a Embraer. Os produtos do setor passam a contar com alíquota zero para o ingresso nos EUA, ante 10%. Dados do MDIC apontam que aeronaves foram o terceiro principal item da pauta exportadora brasileira aos norte-americanos em 2024 e 2025.

Segundo um estudo do Global Trade Alert (GTA), entidade que compila dados comerciais, o Brasil é o maior beneficiário da mudança. As taxas aplicadas ao país terão uma queda de 26,3% em média para 12,8%, um recuo de 13,56 pontos percentuais (p.p).

A China segue sendo o país mais taxado pelos Estados Unidos, mas também vai passar por uma redução significativa de 36,8% para 29,7% - recuo de 7,1 pontos percentuais. Por outro lado, países que possuíam tarifas menores serão mais taxados com a mudança, como no caso do Reino Unido (+ 2,1 p.p) e Itália (+1,7 p.p).

“Sob o regime anterior, a diferença era grande: países como a China e a Índia enfrentavam tarifas muito acima da média global, enquanto o Canadá, o México e a maioria dos exportadores europeus ficavam bem abaixo dela. O regime da Seção 122, com alíquota de 15%, reduz significativamente essa diferença”, diz o estudo.

Leia também

Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.

Ouvindo...