O governo brasileiro decidiu não alterar o modelo de rateio das exportações de carne bovina para a China. A avaliação, confirmada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), é de que a estrutura atual deve ser preservada, uma vez que o governo chinês sinalizou que não habilitará novos frigoríficos brasileiros nos próximos três anos.
A decisão ocorre em um momento de ajuste comercial, após Pequim
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Estabilidade e cota de exportação
Diante da trava imposta pela China, a estratégia brasileira para a exportação de carne bovina agora se concentra na previsibilidade e na manutenção da estabilidade do setor.
Segundo o assessor especial do Mapa, Carlos Augustin, a decisão de não abrir espaço para novos exportadores no rateio atual baseia-se no fato de que o mercado chinês está temporariamente fechado para a expansão de novas plantas, o que torna desnecessário reservar cotas para empresas que ainda não estão habilitadas.
“A China diz que, nos próximos três anos, não vai habilitar novos frigoríficos. Então, não tem razão para deixar, vamos dizer, uma parte para os novos, porque não vai haver novos, uma vez que a China não vai habilitar. O racional seria pegar os percentuais dos anos anteriores, mas isso me parece que está a cargo do MDIC fazer”, disse.
Nesse contexto, o racional adotado pelo governo busca preservar os percentuais históricos das empresas que já atuam no mercado chinês, garantindo a continuidade de quem já possui infraestrutura e contratos estabelecidos.
Para viabilizar esse modelo, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) assume a coordenação do fluxo de vendas, monitorando os embarques para evitar que a cota anual se esgote precocemente em uma corrida desenfreada no início do ano. Essa gestão rigorosa é fundamental para o equilíbrio da balança comercial, visto que a China absorve cerca de metade de toda a carne bovina exportada pelo Brasil, consolidando-se como o parceiro mais vital e estratégico para a pecuária nacional.
Brasil no ‘calo’ dos Estados Unidos
Além das questões com a Ásia, o governo brasileiro subiu o tom em relação à competitividade global. Segundo Carlos Augustin, o avanço do agronegócio nacional em setores como soja, milho, algodão e carne transformou o país no principal adversário comercial dos Estados Unidos.
“Quem é que está no calo deles? Na maioria das vezes acima. É o Brasil”, afirmou o assessor, referindo-se à perda de espaço dos americanos para os produtores brasileiros.
Protecionismo americano vs. eficiência brasileira
Augustin criticou a
Para o Mapa, como as novas taxações americanas atingem diversos países de forma linear, o impacto relativo ao Brasil é mitigado. Enquanto os EUA fecham fronteiras com taxas, o Brasil busca diversificar destinos no Oriente Médio e no restante da Ásia para reduzir a dependência exclusiva de Pequim.