O corpo como refúgio: a prática esportiva contra a crise do burnout no trabalho

Panorama do Bem-Estar Corporativo 2026 aponta que 90% dos profissionais sofreram com esgotamento profissional no último ano; especialistas do Serviço Social da Indústria (Sesi MG) explicam como a atividade física regular atua na redução do estresse, ansiedade e depressão no ambiente laboral.

Além da química hormonal, o esporte corporativo atua na arquitetura das relações humanas

Para as empresas, o cansaço deixou de ser um sintoma individual para integrar uma métrica alarmante. O Panorama do Bem-Estar Corporativo 2026, produzido pelo Wellhub e publicado em outubro de 2025, revela um cenário de exaustão: 90% dos colaboradores ouvidos na pesquisa indicam ter enfrentado sintomas de burnout no último ano.

Nesse contexto, a prática de esporte, especialmente a promovida no ambiente de trabalho, deixa de se configurar apenas como lazer, mas integra uma tecnologia de reparação psíquica e social.

O bem-estar integral tornou-se a nova moeda de troca nas relações de trabalho contemporâneas. De acordo com o Wellhub, 86% dos profissionais consideram o cuidado com a saúde tão importante quanto o próprio salário na hora de avaliar uma oportunidade. A mudança reflete uma reorganização da vida em torno do equilíbrio, e não mais o contrário.

“A prática regular de atividades físicas melhora o bem-estar mental, reduzindo ansiedade, estresse e depressão, e favorece a autoestima e o equilíbrio emocional”, avalia o analista de Lazer e Esportes do Sesi MG, Leonardo Saraiva de Souza, em entrevista à Itatiaia. Para ele, o exercício atua como um escudo protetor contra o desgaste cotidiano.

A ciência corrobora essa percepção ao identificar que o movimento físico regula o organismo. “A atividade física contribui para o equilíbrio entre corpo e mente, favorecendo respostas fisiológicas que reduzem os níveis de cortisol”, afirma o coordenador de Lazer e Esportes do Sesi MG, Alex Silvério da Silva.

A integração que nasce do movimento

Além da química hormonal, o esporte corporativo atua na arquitetura das relações humanas. Onde o e-mail falha, o vôlei ou o futsal constroem pontes de confiança. A prática coletiva retira o colaborador do isolamento digital e o devolve ao senso de comunidade, um fator que 62% dos profissionais consideram essencial para a manutenção de hábitos saudáveis.

“Empresas que promovem torneios internos relatam que equipes que antes tinham pouca integração passaram a se comunicar melhor no trabalho”, destaca Leonardo de Souza. Segundo o profissional, o esporte cria um ambiente onde a liderança e o pertencimento florescem de forma natural.

A eficácia dessas ações, no entanto, depende da regularidade e da cultura da empresa. “O desempenho e o clima da equipe tendem a melhorar após a implementação regular de atividades físicas”, completa Alex Silva. O exercício estimula a cooperação e o foco, resultando em ambientes mais motivados.

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Barreiras e flexibilidade

Apesar dos benefícios claros, o tempo ainda é o maior adversário da saúde. O relatório do Wellhub aponta que 51% dos colaboradores citam a falta de tempo como o principal obstáculo para a atividade física. Sem flexibilidade na agenda, os programas de bem-estar correm o risco de se tornarem apenas itens protocolares em um manual de RH.

“Garantir acesso igualitário envolve superar barreiras de tempo, interesse e estrutura”, explica Leonardo. Ele defende que as empresas ofereçam diferentes turnos de prática para que a adesão seja, de fato, viável para todos os perfis de funcionários.

A personalização é o caminho para o engajamento de quem ainda é sedentário. “Não existe uma atividade específica que seja mais eficaz. O mais importante é que o colaborador pratique algo de seu interesse”, conclui Alex da Silva.

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Amanda Alves é graduada, especialista e mestre em artes visuais pela UEMG e atua como consultora na área. Atualmente, cursa Jornalismo e escreve sobre Cultura e Indústria no portal da Itatiaia. Apaixonada por cultura pop, fotografia e cinema, Amanda é mãe do Joaquim.

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