Economia ou durabilidade? Como engenharia de superfícies otimiza custos na indústria

Especialista do ISIES destaca que a proteção de materiais na camada externa permite o uso de insumos mais simples e baratos, equilibrando o combate ao atrito e à corrosão com a viabilidade financeira do negócio

A proteção de materiais na camada externa permite o uso de insumos mais simples e baratos

Entre o atrito que consome as engrenagens e a oxidação que corrói o patrimônio, a viabilidade de um projeto muitas vezes não reside na robustez do que se vê, mas na composição do que reveste a matéria. Escolher o material correto é um exercício de equilíbrio entre o desempenho extremo e a frieza das planilhas de custos.

Para Tiago Manoel de Oliveira Santos, mestre em engenharia de materiais e analista de tecnologia do Instituto Senai de Inovação (ISIES), a solução para esse dilema não está necessariamente em metais nobres e caros, mas nas soluções apontadas pela engenharia de superfícies.

Resistência e desgaste

Na busca por eficiência, a indústria frequentemente se depara com um paradoxo: materiais extremamente duros para resistir ao desgaste abrasivo podem ser vulneráveis quimicamente, enquanto ligas resistentes à corrosão podem carecer de dureza. O segredo, segundo o especialista, é focar onde a ação acontece.

“Na indústria, buscamos materiais versáteis, capazes de unir propriedades muitas vezes opostas: dureza suficiente para evitar o desgaste físico e resistência química para impedir a corrosão”. De acordo com Tiago Santos, o custo-benefício é otimizado quando se protege o material apenas onde ele é mais exigido.

“Nesse contexto, a engenharia de superfícies desempenha um papel fundamental. Ela permite que materiais de base mais simples e econômicos recebam tratamentos específicos em sua camada externa, atingindo alto desempenho. Afinal, é na superfície que ocorrem as interações críticas e onde as falhas geralmente se iniciam”.

Quando as máquinas “ficam doentes”

Manter um ativo operando exige uma escuta atenta aos sinais superficiais. Para o analista do ISIES, ignorar as mudanças estéticas de um componente é o primeiro passo para o colapso estrutural. O monitoramento preventivo é a diferença entre uma manutenção programada e o prejuízo de uma linha de produção interrompida.

“As máquinas dão sinais, como se estivessem ficando ‘doentes’”, explicou Tiago Santos à reportagem da Itatiaia. “Antes de uma peça quebrar de vez, ela começa a perder o brilho, fica mais áspera ou apresenta buraquinhos minúsculos na superfície”.

O mestre em engenharia reforça que a percepção precoce desses sintomas é vital para a saúde financeira do negócio. “Se monitorarmos essas mudanças visuais logo no início, conseguimos trocar a peça na hora certa, evitando que a fábrica inteira pare por um defeito inesperado”.

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A fadiga dos materiais

O monitoramento constante mencionado por Tiago Santos evita que pequenos defeitos evoluam para paradas catastróficas. No ambiente industrial, a “saúde” das máquinas depende da identificação de indicadores visuais precoces:

  • Perda de brilho: indica o início de processos de oxidação ou desgaste microabrasivo.
  • Aspereza: sinaliza que a textura original do material está sendo alterada pelo atrito excessivo.
  • Microperfurações (Pitting): os “buraquinhos minúsculos” citados pelo especialista são o estágio inicial da corrosão por pites, que pode perfurar componentes rapidamente.

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Amanda Alves é graduada, especialista e mestre em artes visuais pela UEMG e atua como consultora na área. Atualmente, cursa Jornalismo e escreve sobre Cultura e Indústria no portal da Itatiaia. Apaixonada por cultura pop, fotografia e cinema, Amanda é mãe do Joaquim.

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