Selos de inspeção agregam valor aos produtos do agro e transformam a produção rural mineira
Em um cenário de crescente exigência do mercado, produtores mineiros já percebem como produtos regulamentados tem maior valor agregado, mais confiança do consumidor e abrem portas para novos negócios

Com um olhar voltado para o futuro e para a segurança alimentar, o agronegócio tem investido cada vez mais na produção de alimentos de alta qualidade. O avanço da insegurança alimentar e as perdas ao longo da cadeia produtiva reforçam a necessidade de sistemas mais eficientes, sustentáveis e comprometidos com a saúde pública.
Nesse contexto, a fiscalização sanitária e os selos de inspeção ganham relevância ao assegurar a qualidade dos alimentos e fortalecer a competitividade do setor.
Luísa de Castro, diretora do Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA), órgão responsável pela defesa sanitária animal e vegetal em Minas Gerais, destaca que o avanço da tecnologia tem permitido análises cada vez mais precisas no monitoramento sanitário.
“Quando a gente tem dados estruturados demonstrando a ação pública, a ação da defesa agropecuária com vistas à garantia do estado sanitário, isso gera confiança. Tanto a confiança do consumidor na hora de consumir um produto do agro quanto a confiança dos mercados internacionais. Isso reflete em qualidade, agregação de valor e acesso a mercados mais exigentes”, afirma.

Os selos de inspeção garantem que produtos de origem animal e vegetal passaram por fiscalização rigorosa e atendem aos padrões de segurança alimentar. Além de representar um atestado de qualidade, a certificação fortalece produtos tradicionais mineiros, como café, queijo e cachaça.
No caso da cachaça, a regularização também é uma forma de combater a informalidade e garantir maior credibilidade ao produto. Apenas em 2024, o Brasil produziu 292,45 milhões de litros da bebida, segundo o Anuário da Cachaça 2025, sendo Minas Gerais um dos principais estados produtores.
Davi Lima, produtor de cachaça, ressalta que o selo representa qualidade e oportunidades de expansão comercial.
“A pessoa que legaliza o produto tem mais facilidade para entrar no comércio, seja no pequeno varejo ou em redes maiores. Para o consumidor, também é uma questão de segurança. Quando a cachaça passa pela fiscalização do IMA e do Ministério da Agricultura, isso demonstra que ela segue boas práticas”, explica.

Luísa de Castro reforça que a regularização é um passo importante para ampliar mercados e valorizar a produção.
“Produtos regularizados podem circular entre estados e até fora do Brasil. Isso é fundamental. Quando mostramos ao produtor que entrar nesse ambiente normativo não prejudica a qualidade do produto, mas, ao contrário, contribui para agregar valor, ele passa a enxergar novas oportunidades”, detalha.
Para Weverton Almeida, produtor de queijo em Diamantina, a certificação trouxe mais segurança para planejar o futuro da produção sem perder a tradição.
“É o queijo que a gente sempre fez. Acho que o queijo do futuro é justamente esse: o queijo que resgata a tradição dos nossos antepassados, permanece no presente e segue para o futuro”, diz.

Confira a reportagem completa:
Fabiano Frade é jornalista na Itatiaia e integra a equipe de Agro. Na emissora cobre também as pautas de cidades, economia, comportamento, mobilidade urbana, dentre outros temas. Já passou por várias rádios, TV's, além de agências de notícias e produtoras de conteúdo.
